SINOPSE Disse-lhe, num momento de intimidade que a emocionou, que a vida, afinal, nunca acaba. Ele acreditava que as emoções eram eternas, por serem transmitidas de e para os outros, como as oscilações circulares dos lagos, quando neles cai uma pedra… ou uma flor. No fundo, mais do que a História, o conhecimento ou as realizações mais ou menos materiais que edificamos, ele acreditava que era isso que ficava - a emoção, o amor e a entrega. Para ele, seria isso que gerava o sentimento de pertença e criava a realidade que nos situa no tempo e na nossa história de vida. Defendia que há medida em que envelhecemos, a vida se tornava mais rápida e os anos passavam mais depressa e que isso aconteceria porque iriamos acrescentando memórias e o nosso percurso relativo se tornava mais longo. Talvez fosse por isso - acreditava - que o Pessoa terá dito que o melhor do mundo são as crianças; por terem todo o potencial de uma viagem pela frente, como quanto se manda um objecto ao ar e ele irremediavelmente acaba por cair-nos de novo nas mãos, mais tarde ou mais cedo.