Sinceramente nem sei como escrever esta minha opinião.
No início estava a literalmente a empurrar as páginas. A escrita desta autora não era apelativa, mas antes confusa, com comparações excessivamente enumerativas e com saltos na estória demasiado inesperados e súbitos. Mas como eu tive sempre esta mania de não gostar de deixar livros a meio, continuei a ler. E ainda bem que o fiz.
Passadas estas primeiras páginas o livro começou a agradar-me. É a estória de dois irmãos que durante a infância eram inseparáveis, mas à medida que cresciam foram separados pelos próprios pais para que cada um cumprisse os desejos de futuro de cada progenitor. Mas a relação entre este casal é algo estranha e desde cedo que adivinhamos o que se passou. No entanto, e apesar das minhas quase certezas, tive de esperar para saber se tinha razão. A mãe faleceu à muitos anos e o pai é uma personagem sombra, alguém que sabemos que existe mas que nada partilha ou demonstra. Aliás, é através do irmão mais novo, Ismaíl, que vamos descobrindo o que verdadeiramente se passou.
A estória em si é bastante simples, mas o desfecho é que foi mais complicado. Uma estória de um amor proibido repleto de segredos de estado, intrigas a rodearem os amantes e uma traição inesperada embora à muito temida. Tudo isto num país isolado de toda a Europa e altamente paranóico, com uma polícia secreta de Estado que prende e assassina qualquer pessoa sem ser necessário qualquer prova, bastando apenas que alguém aponte o dedo.
À medida que Ismaíl vai ligando os pontos, vai-se apaixonando pela bela cunhada. Esta relação soou-me quase como um reflexo um pouco distorcido do que se tinha passado com a mãe de Ismaíl, e cujo desfecho... bem, é melhor lerem para eu não retirar o prazer de leitura de alguém que tenha este livro na estante à espera de ler ou com intenções em lê-lo.
Como balanço final posso dizer que acabei por gostar do livro, mas tenho pena que a autora não tenha reescrito os primeiros capítulos.