Nada mais excitante de que percorrer o interior de uma floresta virgem onde o perigo espreita na margem dos rios através dos olhos dos crocodilos e atrás da folhagem através dos olhos dos leões. Foi exactamente essa experiência que tiveram a Ana, o João e o Orlando quando deram um mergulho com mais de cem anos para irem procurar o tesouro de um antigo império africano cujo rasto se perdeu numa zona onde, segundo a lenda, um grupo de homens se transformou em árvores. Não esperavam encontrar o famoso explorador Serpa Pinto, o primeiro português a atravessar a África caminhando a pé das praias do oceano Atlântico até às praias do oceano Índico, viagem cheia de riscos e ameaças. Acompanhá-lo torna-se a mais fantástica das aventuras.
Ana Maria Magalhães nasceu em Lisboa no dia 14 de Abril de 1946. Professora de Português e História do ensino preparatório.Em 1976 conheceu a Isabel Alçada. Em 1982 tentaram o primeiro livro: Uma Aventura na Cidade. Iniciaram a colecção "Uma Aventura" com o objectivo de proporcionar aos alunos livros para ler com prazer. Esta colecção constitui um êxito sem precedentes entre os jovens portugueses e dispõe já de cerca de três dezenas e meia de livros. O ministro da Educação chamou-a para integrar a equipa que se ocupou da Reforma do Sistema Educativo entre 1989 e 1991. Desempenhou funções de coordenadora de reforma curricular do 2º ciclo. Em 1994 aceitou o convite da Expo’98 para dirigir o Jornal do Gil. Em 1997 foi destacada para o gabinete do Ministro da Educação a fim de estabelecer a ligação pedagógica entre o Pavilhão de Portugal da Expo’98 e as escolas.
Uma história bem contada, com factos reais e pormenores interessantes. Alexandre de Serpa Pinto era um personagem muito complexo no seus motivos e desejos para atravessar o continente de África no segundo metade do século XIX.
Enquanto estava a ler os primeiros capítulos deste livro, pensei na representação das várias raças no enredo, particularmente dos africanos. Como nós sabemos, o projeto de colonização foi uma tentativa de justificar o roubo da riqueza de países em África e Ásia. Por isso, mesmo depois de terminar os últimos capítulos sobre este mesmo assunto, ainda não me sinto muito confortável com a forma como esta história retratava o colonialismo. Neste contexto, os personagens de Orlando, João e Ana também eram problemáticos.
Tal como disse na review do livro anterior desta coleção, aprecio bastante o caráter educativo destes livros, ainda que, lendo-os agora, ache a escrita demasiado simples. Gostei particularmente do apêndice histórico neste livro que, ainda que fosse também simples, por vezes subjetivo e sem referência a fontes, conseguiu ensinar história mantendo-se organizado e interessante para leitores mais jovens.
Este é o 14º livro da colecção Viagens no Tempo, uma espécie de colecção Uma Aventura (das mesmas autoras), mas com menos personagens e com histórias passadas em diferentes espaço e tempo do nosso.
Esta colecção é bastante educativa e, embora um pouco simplista e por vezes cientificamente absurda no que às viagens no tempo diz respeito, é boa para um público infanto-juvenil. Em princípio, aprende-se sempre alguma coisa de História de Portugal (e não só de Portugal) de forma lúdica.