Quem nunca pensou em largar tudo de repente e partir para longe? Quem nunca amou perdidamente uma vez na vida? Este romance é uma história de amor, morte e desespero. O relato da fuga de um indivíduo — médico galego a trabalhar em Lisboa —, cansado do fragor da cidade e da mentira, até aos confins do mundo. Um indivíduo que inicia uma busca de paz e que, de uma praia longínqua no Corno de África, cumpre uma promessa antiga e recorda para a mulher que ama (mas com quem, por cobardia, não ficou), os verdadeiros motivos do seu desaparecimento. Nos territórios deslumbrantes e incandescentes onde, um século antes, fora parar o poeta Arthur Rimbaud quando desistira de escrever (e donde só regressaria para morrer) - e que nesse tempo se chamavam simplesmente Abissínia - encontramos agora um homem que decide escrever à única mulher que realmente amou uma longa carta que é, simultaneamente, o pagamento de uma antiga dívida e um apelo ao reencontro de ambos. Narrativa muito bela, escrita de um jacto, por vezes lírica, por vezes épica, não raras vezes erótica, este livro deixa ainda no ar um perfume de mistério à roda de um crime (um corpo que aparece no hospital na véspera da fuga) que, no fundo, desencadeia uma aventura sem limites que leva o narrador até Lalibela, a cidade sagrada etíope que ele escolhe para viver e onde espera, por fim, encontrar a paz. E talvez também essa mulher que amou.
Carlos Quiroga é professor na Universidade de Santiago de Compostela. Fundou e dirigiu várias revistas, como O Mono da Tinta, e foi Bolseiro de investigação da Gulbenkian (1991-92), do ICALP (1992-93) e da Universittà Italiana per Stranieri (1983). Doutorado com distinção e louvor, para além da actividade académica tem publicação dispersa de textos e fotografias em revistas e jornais de Portugal, Galiza, Brasil, Espanha e Alemanha, colaborando na intervenção de artistas plásticos, em antologias, livros colectivos, etc. Publicou em livro G.O.N.G. - mais de vinte poemas globais e um prefácio esperançado (1999); Periferias (1999, Prémio Carvalho Calero de narrativa, publicado no Brasil em 2006); A Espera Crepuscular (2002, primeira parte da trilogia Viagem ao Cabo Nom, que reúne poesia, fotografia e narrativa); Il castello nello stagno di Antela/ O castelo da lagoa de Antela (2004, prémio de Teatro infantil na Mostra de Ferrol-terra em 1988, publicado na Itália em galego e italiano pela Collana editoriale); O Regresso a Arder (2005, terceira parte da Viagem ao Cabo Nom); Venezianas (2007). Inxalá foi já prémio Carvalho Calero de narrativa e editado na Galiza em
O autor Carlos Quiroga - professor na Universidade de Santiago de Compostela - doutorou-se com uma tese sobre Fernando Pessoa o que, suponho, lhe deu legitimidade para utilizar frases do poeta como se fossem da sua autoria: "eu nunca serei nada, não posso querer ser nada, mas tenho em mim todos os sonhos da Humanidade toda..." (página 8).
O livro que, em 2006, recebeu um prémio de narrativa, é um exercício de pedantismo no qual Quiroga despeja a rodos a sua erudição sobre história, religião, política, geografia, literatura, moda, gastronomia e o diabo a sete. Muito melhor que a Wikipedia...
A minha leitura deslumbrada com tanto conhecimento, condensado em cerca de 100 páginas, escapou-me o assunto que me aliciou a ler o livro: "Quem nunca pensou em largar tudo de repente e partir? Quem nunca amou perdidamente?"
Inxalá Espero não me deparar muitas vezes com este tipo de Lixoratura...
Leitura difícil principalmente no início, que é aborrecido, mas vai melhorando e gostei muito desde o meio até ao fim. Sobre saírmos de onde estamos para nos conhecermos realmente.
"As mulheres Afars desprezam is pretendentes que nunca mataram um homem, desejam alguém com o bracelete de ferro que indica que matou dez inimigos" pag. 23
"O Djibouti, no Corno de África, é uma das áreas mais quentes e áridas do planeta, o único lugar do mundo onde se pode ver, ano após ano, o nascimento de um novo oceano, onde se pode observar, mês após mês, a deriva dos continentes, a dilatação inexorável de uma fenda na crosta terrestre" pág 39
"O medo da solidão e da morte são a pura essência do deserto.(..) O medo é bom para nos lembrar que é preciso um chão para segurar a paixão. (...) Sempre que esperes alguma coisa do futuro, pronuncia um inxalá" pág. 119 e 120
Texto difícil e complicado de seguir. Será que a história era assim tão parte do autor que ele teve medo da partilhar e de ser descoberto na sua totalidade no meio dela? Não gostei quando o autor usou frases de Fernando Pessoa sem as citar.
É raro ler um livro sem perceber o que está a ser transmitido. Pois aconteceu com este... No início não consegui perceber mesmo nada do objectivo do autor. A partir de determinada altura, quando o autor faz um flashback em que fala do que aconteceu na sua história com uma mulher até ela aparecer morta no Hospital de Santa Maria onde ele trabalhava e ele acabar por fugir para a Abissínia (Etiópia) sendo suspeito de a asssassinar... aí ainda se consegue seguir o fio à meada. Mas tem pelo meio pensamentos dispersos sobre a origem da palavra Abissínia, histórias de padres do deserto, a história do Ras Tafari, enfim... ficamos enredados e o cérebro dá um nó.
Achei este livro um bocado estranho, e por vezes difícil de seguir, mas em contrapartida gostei das curiosidades históricas e geográficas que vão sendo reveladas sobre a região conhecida como "Corno de África". Uma dessas curiosidades é a história de Lalibela, a cidade gémea de Jerusalém (http://en.wikipedia.org/wiki/Lalibela), que é Património da Humanidade e cuja existência eu desconhecia por completo...
Não gostei muito. Achei o estilo muito pretensioso e desadequado à história, a qual me pareceu mal estruturada e de certo modo incoerente com o intuito da obra. Curioso que com este livro, o escritor tenha recebido um prémio.
Em breve farei uma opinião para o canal... mas o livro é tão confuso, parece um aglomerado de dados sobre geografia, religião e história sem conexão nenhuma à história em si..