Após o sucesso de Montanha-russa (L, 2003), que ficou em segundo lugar no Prêmio Jabuti/Categoria Contos e Crônicas, chega às livrarias o novo livro de crônicas de Martha Medeiros – uma das colunistas brasileiras de maior sucesso da atualidade. Coisas da vida reúne textos publicados nos jornais Zero Hora e O Globo, entre setembro de 2003 e setembro de 2005.Há mais de 10 anos, Martha Medeiros iniciou-se na arte da crônica (até então dedicara-se quase que exclusivamente à poesia), e, desde então, vem analisando e descrevendo as manias, as delícias, sofreguidões e anseios de homens e mulheres urbanos e modernos, fazendo um verdadeiro retrato de nossa época. Com a franqueza e com o texto dinâmico que lhe são característicos, relata e explica grande parte das taras, neuras e outros produtos mais e menos louváveis de nossa sociedade consumista e, por vezes, conformista – tudo sempre visto de dentro, pois ela nunca se exclui de suas considerações.Nas crônicas de Martha Medeiros há espaço para todas as normalidades e todas as "esquisitices" que caracterizam o Homo sapiens o sentimento de frustração, o tic-tac do relógio biológico feminino, a necessidade de dinheiro versus a necessidade de sossego, mulheres que decidem não ter filhos, o progressivo apagamento das fronteiras entre um e outro sexo, máquinas de provocar orgasmos, choros, filmes, livros e músicas, a delícia e a tragédia de amar duas pessoas ao mesmo tempo, a delícia e a tragédia de não amar ninguém e tantas outras coisas da vida.
Martha Medeiros nasceu em Porto Alegre em 20 de agosto de 1961 e é formada em Comunicação Social. Como poeta, publicou os seguintes livros: Strip Tease (Brasiliense, 1985), Meia-Noite e Um Quarto (L&PM, 1987) Persona Non Grata (L&PM, 1991), De Cara Lavada (L&PM, 1995), Poesia Reunida (L&PM, 1999) e Cartas Extraviadas e Outros Poemas (L&PM, 2001). Em maio de 1995 lançou seu primeiro livro de crônicas, Geração Bivolt (Artes & Ofícios), onde reuniu artigos publicados em Zero Hora e textos inéditos. Em 1996 lançou o guia Santiago do Chile, Crônicas e Dicas de Viagem, fruto dos oito meses em que viveu na capital chilena. Seu segundo livro de crônicas, Topless (L&PM, 1997), ganhou o Prêmio Açorianos de Literatura.
É autora dos best-sellers Trem-Bala, Doidas e santas e Feliz por nada. Seu romance Divã, lançado pela editora Objetiva, já vendeu mais de 50.000 exemplares e também virou peça de teatro, com Lilia Cabral no papel principal. Martha ainda escreveu um livro infantil chamado Esquisita Como Eu, pela editora Projeto, e o livro de ficção Selma e Sinatra. É colunista dos jornais Zero Hora e O Globo, além de colaborar para outras publicações.
Algumas crônicas são muito interessantes, “Os lúcidos” e “Pessoas habitadas” são bons exemplos. Porém, via de regra, sentia como se estivesse lendo algo escrito por uma Helena de Manoel Carlos, que escolhia discutir as diferentes qualidades de papel higiênico entre o banheiro social e da empregada, quando deveríamos questionar o porquê de haver um banheiro social e outro para a empregada.
Chronicles are a difficult literary gender. The chronicler must be extremely good so that his texts do not become dated or "outdated" immediately after being printed. I like very much Martha Medeiros, not only as a writer but as a personality. Although she has a dynamic writing and takes off the top hat interesting and very different themes, her writing is mainly for women, at least what is in this book. Some texts are treated in a more "universal" way, but they are few. She is light, funny most of the time, but I do not think her chronicles are texts to think over, consider after the reading is finished. Bottom line: a light book good for entertainment, so do not expect much of it.
Pela margem temporal, alguns dos seus pontos de partida são datados, mas as reflexões permanecem intemporais. Com Martha Medeiros, faço todas as exceções e sublinho as minhas citações preferidas dela. Entre amor, amizade, solidão, feminismo e outras tantas aleatoriedades, são raras as vezes em que não me encontro no mesmo comprimento de onda da autora (e quando não estou, compreendo o dela e aceito as diferenças).
Coisas da Vida tem um sotaque do outro lado do Atlântico e dá um enxergar fresco à rotina, à forma como observamos as nossas relações e aspirações. Deixa-me sempre a pensar. Quando for grande, quero ser como ela.