A Master on the Periphery of Capitalism is a translation (from the original Portuguese) of Roberto Schwarz’s renowned study of the work of Brazilian novelist Machado de Assis (1839–1908). A leading Brazilian theorist and author of the highly influential notion of “misplaced ideas,” Schwarz focuses his literary and cultural analysis on Machado’s The Posthumous Memoirs of Brás Cubas , which was published in 1880. Writing in the Marxist tradition, Schwarz investigates in particular how social structure gets internalized as literary form, arguing that Machado’s style replicates and reveals the deeply embedded class divisions of nineteenth-century Brazil. Widely acknowledged as the most important novelist to have written in Latin America before 1940, Machado had a surprisingly modern style. Schwarz notes that the unprecedented wit, sarcasm, structural inventiveness, and mercurial changes of tone and subject matter found in The Posthumous Memoirs of Brás Cubas marked a crucial moment in the history of Latin American literature. He argues that Machado’s vanguard narrative reflects the Brazilian owner class and its peculiar status in both national and international contexts, and shows why this novel’s success was no accident. The author was able to confront some of the most prestigious ideologies of the nineteenth century with some uncomfortable truths, not the least of which was that slavery remained the basis of the Brazilian economy. A Master on the Periphery of Capitalism will appeal to those with interests in Latin American literature, nineteenth century history, and Marxist literary theory.
Roberto Schwarz é um crítico literário e professor aposentado de Teoria Literária brasileiro. Um dos principais continuadores do trabalho crítico de Antonio Candido, redigiu estudos sobre Machado de Assis elencados entre os mais representativos na fortuna crítica sobre o autor das "Memórias Póstumas de Brás Cubas".
análise muito boa da forma de memórias póstumas. roberto schwarz vai nos mínimos detalhes buscar nessa narração irritante de brás a estrutura falha da elite brasileira. uma das razões desse discurso volúvel e nada confiável é a própria nação estar se desenvolvendo numa base escravista enquanto almeja aos ideais do homem moderno, já antenado para as questões do Direito do Homem, portanto, nada compatível com a crueldade perpetuada sem grandes dores morais pelos senhores das elites.
A contribuição crítica de Roberto Schwarz permanece sendo uma das leituras mais atentas e elucidativas de Machado de Assis, em particular, no caso deste ensaio, de "Memórias Póstumas de Brás Cubas". A interpretação materialista deste romance brasileiro faz enriquecer a leitura ao nos lembrar vivamente das complexas nuances ideológicas das classes dominantes no pós Independência e no período do Império no Brasil. Os paradoxos aí contidos serão importantes para compreender que figura é essa que nos narra suas memórias? De que posição social ela fala? Detentora de quais interesses em sua retórica de exposição biográfica? Schwarz tenta responder essas e outras perguntas neste ensaio fundamental.
Roberto Schwarz é um dos maiores críticos literários da história do Brasil e este livro é a prova disto. Com uma análise minuciosa da forma e da matéria de um dos grandes romances de Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás Cubas), o crítico delineia toda a organização social da elite brasileira pós-independência numa chave marxista impressionante. É difícil não se convencer com sua análise e com a leitura feita do livro que, nesta linha, demonstra o ponto fulcral da organização sócio-histórica do Brasil: o liberalismo escravista; isso é, uma pulsão para a modernidade burguesa após a independência em conjunto à permanência de benesses de uma elite formada durante o período colonial. Este conúbio, melancólico e risível simultaneamente, acha sua perfeita representação na prosa de Brás Cubas, interpretação essa argumentada com um primor inacreditável por Schwarz. Para qualquer um que tenha interesse pela literatura machadiana, ou que tenha qualquer tipo de pretensão de análise das organizações sociais do Brasil, acredito que este livro entre no rol das grandes obras que fazem o mesmo, como Raízes do Brasil, Casa-grande & senzala e Machado de Assis: A Pirâmide e o Trapézio.