Relatos reais da tragédia que parou o Norte do Brasil nos anos 90. O massacre narra os fatos que antecederam uma das mais marcantes matanças da história contemporânea do país.
No dia 17 de abril de 1996, ocorreu uma marcha pacífica do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra –, que tinha como objetivo reivindicar a situação trabalhista daqueles presentes e as leis impostas sobre terras já naquela época. A marcha ocorreu no Pará, no município de Eldorado do Carajás, quando ainda no evento a polícia foi chamada. Em uma ação desastrosa – e, ao que parece, deliberada –, os policiais reagiram com truculência desproporcional, matando dezenove trabalhadores e deixando vários outros gravemente feridos.
Brilhante e minucioso trabalho de reportagem do jornalista Eric Nepomuceno, aobra compila diferentes episódios, relata os instantes de pânico vividos pelos trabalhadores e suas famílias durante a chacina, e trata também dos momentos posteriores ao ocorrido, como, por exemplo, os seguidos julgamentos cheios de decisões questionáveis, que, até o momento da publicação do livro, não tinham garantido justiça às vítimas.
Passados tantos anos, aquele massacre corre o grave risco de ser esquecido. Ainda de acordo com o site do MST, os responsáveis pelo crime até hoje não foram punidos. A razão deste livro ter sido escrito, diz o autor, é "soprar as brasas da memória para impedir que se tornem cinzas mortas".
Milton Eric Nepomuceno, nascido em 1948 em São Paulo, tornou-se jornalista em 1965. Em 1986 abandonou o jornalismo diário; desde então, escreve ocasionalmente para a imprensa do Brasil, da Espanha e do México. É tradutor e contista premiado, além de autor de livros de não-ficção. Traduziu para o português obras de Julio Cortázar, Eduardo Galeano, Gabriel Garcia Márquez e Juan Carlos Onetti, entre outros. Tem contos em antologias e revistas literárias de diversos países.
'Pouco antes de iniciar a primeira sessão, quando perguntaram a ele se estava preparado, o juiz respondeu: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará.” (...) Todos os réus foram tratados pelo juiz Ronaldo do Valle por suas patentes militares. Quando se referia às vítimas — os sem-terra —, o juiz usava a expressão “os elementos”.'
O spoiler do livro é que um massacre promovido pela polícia militar com o aval do Governo Estadual do Pará e apoio financeiro da Vale do Rio Doce e dos fazendeiros da região termina em impunidade, quem diria...