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A Imitação do Amanhecer

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Esta obra revela poemas do autor carioca, Bruno Tolentino, autor de "O mundo como idéia" (2002), vencedor dos prêmios Jabuti e Ermírio de Moraes, entre outros.

328 pages

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About the author

Bruno Tolentino

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Nascido numa tradicional e rica família carioca, conviveu desde criança com intelectuais e escritores, entre eles Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Primo do crítico literário brasileiro Antonio Candido e da crítica teatral Bárbara Heliodora, seu avô foi conselheiro do Império e fundador da Caixa Econômica Federal. Nesse ambiente familiar, foi instruído em inglês e francês ao mesmo tempo de sua alfabetização no português.

Publica em 1963 seu primeiro livro, "Anulação e outros reparos". Com o advento do golpe militar de 1964, muda-se para a Europa a convite do poeta Giuseppe Ungaretti, onde viverá trinta anos, tendo residido na Itália, Bélgica, Inglaterra e França. Foi professor de literatura nas universidades de Oxford, Essex e Bristol e tradutor-intérprete junto à Comunidade Econômica Européia. Publica em 1971, em língua francesa, o livro "Le vrai le vain" e, em 1979, em língua inglesa, "About the Hunt", ambos bem recebidos pela crítica literária européia. Sucedeu o poeta e amigo W. H. Auden na direção da revista literária Oxford Poetry Now.

Em 1987, sob a acusação de porte de drogas, é condenado a onze anos de prisão. Cumpriu apenas pouco mais de um ano da pena, em Dartmoor, no Reino Unido. "Adorei e procurei tirar o máximo de proveito", foi o que Bruno declarou sobre a experiência, numa entrevista em agosto de 2006.[1:] Aos companheiros de prisão, organizou aulas de alfabetização e de literatura, estas últimas nomeadas de "Seminars of Drama and Literature", que, conforme posteriormente relatado por Bruno, "em cujas sessões avançadas chegaram a comparecer psicanalistas de renome, ao lado de personalidades do mundo das Letras tais como Harold Carpenter, o estudioso e biógrafo de Pound e Auden, o dramaturgo Harold Pinter, ou Lady Antonia Fraser".[2:]

Tolentino retorna ao Brasil em 1993, publicando, no ano seguinte, o livro "As horas de Katharina", escrito durante o período de 22 anos (1971-1993), ganhando com ele o Prêmio Jabuti de melhor livro de poesia. Em 1995, publica "Os Sapos de Ontem", uma coletânea de textos, artigos e poemas originados de uma polêmica intelectual com os irmãos Haroldo de Campos e Augusto de Campos, que nesse livro serão os principais alvos de sua "língua ferina entortada pelo vício da ironia", frase que Bruno usou durante uma entrevista em que lhe foi pedido "um perfil abrangente de si mesmo".[3:] Ainda em 1995 publica "Os Deuses de Hoje", e, em 1996, "A balada do cárcere", livro nascido da experiência de sua prisão pouco menos de dez anos antes. Ainda nesse ano, foi publicada uma polêmica entrevista com Bruno para a Revista Veja,[4:] onde o poeta critica, entre outras coisas, a atual situação intelectual do Brasil, o Concretismo, a concepção e aceitação da letra de música enquanto poesia e a elevação de músicos populares à posição do intelectual.

Bruno irá publicar em 2002 e 2006, respectivamente, os livros que considerou como a culminação de sua obra poética: "O mundo como Ideia", escrito durante quarenta anos (1959-1999), e "A imitação do amanhecer", escrito durante 25 anos (1979-2004). Ambos lhe renderam o Prêmio Jabuti, prêmio já alcançado em 1993 com "As horas de Katharina", tornando-o assim o único escritor a ganhar três edições do prêmio. Bruno também recebeu, por "O mundo como Ideia", o Prêmio Senador José Ermírio de Morais, prêmio nunca antes dado a um escritor, em sessão da Academia Brasileira de Letras,[5:] com saudação proferida pelo acadêmico, filósofo, poeta e teórico do Direito Miguel Reale, seu amigo.

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Profile Image for Juni Pontes.
43 reviews1 follower
December 30, 2025
A criação do livro “A Imitação do Amanhecer” foi provavelmente um tour de force para o autor. Composto entre os anos 1979 a 2004 e parido a fórceps em 2006, tendo em vista a confissão do autor de ter decidido publicá-lo, antes mesmo de tê-lo considerado findo.

Analogamente, essa obra será um desafio épico para o leitor médio - como a pobre criatura que vos fala -  que se atrever a ler os 538 sonetos alexandrinos que contam a surreal história de 2 amantes e uma cidade.


Mas é preciso ter cuidado  com o verbo contar, pois é próprio da poesia tratar de impressões, imagens e ideias que não cabem nas limitações da narração em prosa. Por isso, não se deve esperar um relato encadeado dos acontecimentos. A ação se desenvolve através de uma “conversa” entre um homem e a cidade de Alexandria, a qual testemunhou o desenrolar de uma história de amor entre ele e seu amante.


Alexandria é uma cidade que evoca o mistério, o insólito. É o encontro de 2 mundos: o ocidente e o oriente, famosa pela magia, pelo hermetismo e pelas suas numerosas heresias. O narrador nos dá a entender que Alexandria sempre está disposta a ser cúmplice de uma rebelião contra os grilhões da realidade.


E é exatamente isso que o narrador promove:  primeiro ele se apaixona por um jovem que, como ele, estava visitando a cidade e vive as efusões amorosas desse relacionamento, até que tudo termina abruptamente com a morte do rapaz. No entanto, acontece uma reviravolta quando ele encontra o corpo embalsamado de seu ex-amante, ele se apaixona pela segunda vez e decide roubar o corpo para venerá-lo.


Essa estranha história serve de pano de fundo para as reflexões do poeta a respeito do efêmero, do eterno, do tempo e do inexorável caminho para a morte e desaparição, inerentes a este mundo em que vivemos.

A meu ver, uma nova edição comentada seria essencial para tornar esta obra monumental mais acessível, esclarecendo suas inúmeras referências e ampliando sua compreensão, pois Bruno Tolentino era um poeta dotado de extraordinária erudição e justamente por isso sua obra é prolífica em alusões e menções distantes do público em geral.
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