Ai, tá sendo bem difícil avaliar esse livro e vou explicar o porquê. Eu amei completamente a escrita, não sei nem expressar o quão deleitada fiquei com o estilo do Victor. É coisa simples, mas bastante poética, gostosa e criativa. Amei também que o livro não se prende apenas à comunicação verbal, ele apresenta fotos, desenhos e outras coisinhas inventivas ao longo da história que complementam muito bem. Outro fator que me agradou bastante é que a história soa bastante familiar, num sentido de coisa próxima, não de já se ter ouvido coisas parecidas. A ambientação do livro se apoia muito na cidade do Rio, demais mesmo, e isso me deixou extremamente confortável com a história. Sou mineira, mas morei 3 anos no Rio (agora estou em Niterói) e acho que essa vivência contribuiu muito. Mas a história traz também lembranças de experiências mais gerais dos brasileiros, como quando cita-se uma reportagem na TV falando sobre a queda do avião do candidato à presidência Eduardo Campos. Foi bem doido perceber que já tem uns bons pares de anos que isso aconteceu (parece que foi ontem mesmo) e me sentir ali vivendo a história também.
A grande questão é: eu não gostei do plot. Quer dizer, isso não chega bem a ser verdade. A ideia da descoberta da própria sexualidade durante o período da ditadura militar, o primeiro amor, a perda desse amor e como isso tem efeito na vida subsequente me soa como algo bem interessante. Mas de alguma forma, não foi. Gostei da naturalidade com que os personagens foram descobrindo e desbravando a sexualidade deles, mas, mesmo assim, eu não conseguia me importar menos com eles. Na real, eu não tava me importando com nenhum personagem, e tava desinteressada por toda a narrativa, só queria que acabasse logo (a qualidade da escrita foi o que me sustentou até o final). O livro é tão pequeno, normalmente leria algo do seu tamanho em um dia, duas sentadas. Mas dessa vez eu me vi com dificuldades, não sabia nem se terminaria mesmo. De certa forma, resistir até o final compensou um pouquinho, porque o livro tem uma 2a parte, que achei melhorzinha, me prendeu mais, mas ela é muito curtinha (acho que menos de 1/3 do todo).
Resumindo a ópera: não indicaria O Amor dos Homens Avulsos assim, de forma conscienciosa, para qualquer um. Talvez indicaria para um carioca nato ou de coração, para ver o retrato da sua terrinha; e para alguém que esteja procurando uma escrita nacional criativa, fácil de ler e contemporânea (mas sem pretensões de encontrar uma história incrível).