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O Brasil Holandês

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A presença do conde Maurício de Nassau no Nordeste brasileiro, no início do século XVII, transformou Recife na cidade mais desenvolvida do Brasil. Em poucos anos, o que era um pequeno povoado de pescadores virou um centro cosmopolita.
A história do governo holandês no Nordeste brasileiro se confunde com a guerra entre Holanda e Espanha. Em 1580, quando os espanhóis incorporaram Portugal, lusitanos e holandeses já tinham uma longa história de relações comerciais. O Brasil era, então, o elo mais frágil do império castelhano, e prometia lucros fabulosos provenientes do açúcar e do pau-brasil. Este volume reúne as passagens mais importantes dos documentos da época, desde as primeiras invasões na Bahia e Pernambuco até sua derrota e expulsão. Os textos - apresentados e contextualizados pela maior autoridade no período holandês no Brasil, o historiador Evaldo Cabral de Mello - foram escritos por viajantes, governantes e estudiosos.
São depoimentos de quem participou ou assistiu aos fatos, e cuja vividez e precisão remete o leitor ao centro da história.

512 pages, Paperback

First published July 22, 2010

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About the author

Evaldo Cabral de Mello

30 books6 followers
Evaldo Cabral de Mello é um historiador, escritor, ensaista e diplomata brasileiro. Autor de diversos livros, é considerado um dos mais importantes pesquisadores do período da dominação neerlandesa em Pernambuco no século XVII.

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Displaying 1 - 2 of 2 reviews
Profile Image for Felipeortiz.
7 reviews1 follower
December 30, 2018
Este livro é uma antologia de trechos de fontes históricas primárias referentes ao domínio holandês no Brasil, entremeados e articulados entre si por comentários do organizador, o historiador pernambucano Evaldo Cabral de Mello, de modo a compor uma narrativa coesa, a ser lida do princípio ao fim.

Divide-se em três partes, correspondentes aos três estágios da dominação neerlandesa -- caso se exclua, como o faz Cabral de Mello, o episódio preliminar, retumbante mas efêmero e inconsequente, da conquista holandesa de Salvador entre 1624 e 1625 (a única ocasião, em toda a nossa história, em que a capital do Brasil foi invadida e ocupada por exércitos estrangeiros):

(1) a guerra de resistência (1630-1637), na qual os holandeses, após rápidas vitórias na captura de Olinda e Recife, enfrentaram dificuldades imprevistas na conquista das demais praças do litoral nordestino, bem como do interior, vencidas apenas depois de anos de impasse militar e às custas de imensa destruição causada pelas guerrilhas portuguesas e contraguerrilhas batavas;

(2) o interregno nassoviano (1637-1644), de relativa estabilidade, durante o qual Maurício de Nassau empreende a reconstrução do Recife e do interior nordestino, consolidando e expandindo as conquistas holandesas de territórios portugueses, na América e na África; e

(3) a guerra de restauração (1645-1654), longo e ininterrupto período de conflito no qual uma insurreição encabeçada por lideranças locais -- os colonos portugueses João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros, o negro liberto Henrique Dias e o chefe indígena Filipe Camarão --, com algum apoio (a princípio clandestino, mais tarde manifesto) de Salvador e de Lisboa, liberta Pernambuco e o Nordeste inteiro do domínio holandês. Datam desse período as duas famosas Batalhas dos Guararapes (abril de 1648 e fevereiro de 1649), vencidas pelos insurretos e decisivas para a destruição do poder neerlandês no Brasil.

O brasileiro costuma tomar contato com esses episódios na escola, mas não sob a forma de uma história narrativa como a deste livro, com personagens, fatos e acontecimentos. Em vez disso, apresenta-se ao aluno uma sociologia econômica, de inspiração mais ou menos marxista, onde os atores são reduzidos a "classes" -- proprietários de terras, comerciantes, agentes do Estado, escravos -- e os acontecimentos históricos são substituídos pelas supostas relações entre essas classes. Perde-se totalmente de vista o drama humano do Brasil holandês (ou da era colonial em geral). É este drama humano silenciado que reemerge neste livro, nas vozes de suas testemunhas oculares -- com frequência, os próprios protagonistas dos acontecimentos.

Para quem não conhece do período mais do que o que se aprende no desumanizado ensino escolar, a leitura deste livro causará uma surpresa: a descoberta de que o Brasil tem a sua própria epopeia. Ou, ao menos, o material necessário para uma epopeia, talvez ainda à espera de seu poeta. Houve de tudo: invasões e ocupações súbitas de nossas principais cidades por tropas estrangeiras; resistência civil feroz e inflexível; levas imensas de refugiados varando às pressas centenas de léguas em busca de segurança, deixando para trás seus bens; devastação de cidades e de regiões inteiras, reduzidas a ruínas e desertos; episódios de traição, de parte a parte; e ainda milagres e sinais. E também acomodação, a aceitação prudente do que parecia inevitável, seguida da retomada da rebeldia. Intrigas, conspirações, subornos. E a união de raças, àquele tempo muito mais distintas entre si do que hoje, por um objetivo nacional comum. E a disposição pessoal a aceitar riscos imensos. Não estamos habituados a associar o Brasil a ideias como heroísmo ou bravura; as tentativas de celebração patriótica do nosso passado, hoje raras, quase sempre nos fazem rir. Mas não é fácil manter o cinismo diante desta narrativa aqui. Não invejo quem o consegue.

E a infindável discussão sobre a "identidade nacional" pode soar diferente aos ouvidos do leitor que sabe que, a certa altura, o Brasil teve que se levantar em armas e derramar muito sangue tão-somente para poder continuar a ser, para o bem ou para o mal, o país que era -- e não um outro país em que uma potência estrangeira nos quis transformar.

O único motivo pelo qual atribuo a "O Brasil Holandês" quatro estrelas, em vez de cinco, é a total ausência de mapas. Não se pode esperar do leitor plena familiaridade com todas as localidades mencionadas ao longo do relato; imagino mesmo que algumas delas, atualmente muito alteradas depois de mais de três séculos e meio, talvez não despertem a recordação imediata sequer do leitor pernambucano. A inclusão de mapas que permitissem a pronta visualização das batalhas, incursões e movimentações estratégicas tornaria este livro ainda mais útil.

Apesar dessa falha menor, este é um relato excepcional de um período que, embora relativamente breve, foi extraordinariamente rico de acontecimentos e reviravoltas. Tão rico, aliás, que seu estudo pode atordoar o leitor. Quem tiver acesso à antiga "Enciclopédia Mirador" pode, depois de concluído este livro, recapitular com proveito as principais vertentes da narrativa pela leitura do verbete "Holandeses no Brasil", escrito na década de 1970 pelo mesmo Evaldo Cabral de Mello.
18 reviews
January 7, 2016
quem não tem conhecimento dos relatos desse livro, não pode se apresentar como patriota. consequentemente, fica aí demonstrado que o Brasil sem o nordeste não é Brasil. na historia da restauração épica do nordeste, jazem, esquecidos, os primeiros homens que amaram nossa terra e nossa gente.
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