De notícias e não notícias faz-se a crô Histórias - diálogos - divagações, de Carlos Drummond de Andrade, foi publicado em 1974 pela Livraria José Olympio Editora, reunindo textos originalmente aparecidos no Caderno B do Jornal do Brasil. São, como já prega seu subtítulo, textos em que o escritor mineiro se presta à observação da realidade - mas com olhos generosos de poeta e fabulador. Publicados ao longo de um período bastante duro da vida social brasileira - estamos em plena ditadura militar -, os textos de De notícias e não notícias faz-se a crônica devem ter trazido não pouco alento aos leitores daquela época. E ainda executam esta tarefa à perfeiçã são encantadores flashes da vida do Brasil, com seus tipos característicos, virtudes e problemas.
Carlos Drummond de Andrade foi um poeta, contista e cronista brasileiro. Formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista "A Revista". Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã. Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.
A faceta de cronista de Drummond é das mais interessantes, porque, além de ter se dedicado ao gênero com uma pertinácia poucas vezes vista, ele ainda conseguia problematizar o conteúdo do jornal que abrigava os seus textos. Este livro, em especial, é ótimo para discutir o papel da crônica no jornalismo e como ela problematiza o espaço jornalístico, subvertendo aspectos temáticos e linguísticos que usualmente moldam o ambiente tradicionalmente informativo.
Pequenas crônicas cheias de sátira à sociedade, familia, economia e até a ecologia. A demonstração da maravilhosa literatura que só Drummond podia criar. Recomendável para todo aquele que quiser desfrutar de uma boa leitura.
Crônicas com lirismo mordaz, inventividade linguística-estilística, invocação do âmago de um Brasil profundo cheio de contradições, humor, ingenuidade, malandragem, iressoluto, emotividade que esse grande poeta que foi Drummond divisou com sua genialidade simples e certeira.