Die Ich-Erzählerin ist eine Frau von 37 Jahren, alleinerziehende Mutter zweier Kinder, der Expartner lebt in Israel. Sie unterrichtet Geografie in einer Abendschule für Erwachsene. An den freien Tagen schreibt sie ihre Beobachtungen in eine Art intimes Tagebuch. Sie schreibt so, wie sie Jahre zuvor um die Welt gereist ist, als »klassische« Tramperin, unabhängig und allein, geleitet von dem, was ihr begegnet und widerfährt. Diese Weltreise war eine Schlüsselerfahrung, und sie nimmt darauf immer wieder Bezug: das Zufällig-an-einem-Ort-Sein, das Unterwegssein, das flüchtige Abenteuer, das Vorübergehen. Die Tagebuchschreiberin ist bemüht um Genauigkeit, Ehrlichkeit, Illusionslosigkeit das Leben: »eine lange Reise, auf der man Station für Station registriert«. Trotz einer bemerkenswert distanzierten Erzählhaltung ist alles andere als ein kalter Text entstanden. Er berichtet von den Erlebnissen einer Mutter, einer Lehrerin, einer Tochter und Schwiegertochter. Keine Sensationen, der Alltag einer modernen berufstätigen Frau. Und doch: ein Text voller Spannungsbögen, der im Laufe der Lektüre einen enormen Zug entwickelt und die Lesenden nicht mehr loslässt. 2006 mit dem LiBeraturpreis für Autorinnen aus Afrika, Asien und Lateinamerika ausgezeichnet.
Andrea Blanqué nació en una familia proveniente de España, refugiada en el Río de la Plata luego de la caída de la República y el fin de la guerra. Su padre, en Barcelona, era librero al igual que todo el grupo familiar. Luego de las turbulencias con Perón en Argentina y las subsiguientes dictaduras, una parte de los Blanqué cruzaron a Uruguay. Es integrante de la Generación del 80. Formó parte del colectivo de mujeres poetas y plásticas «Viva la pepa» (1989), que se consolidó en torno a una antología publicada por Ediciones de Uno en 1990.
Auf der recht schwierigen Suche nach uruguayischer Literatur bin ich in der Bibliothek über diesen kleinen Schatz gestoßen, der mir ausgesprochen gut gefallen hat. Erstaunlich, dass das Buch so wenige Bewertungen hier auf Goodreads hat, denn Andrea Blanqué hat wohl in Argentinien und Uruguay Buchpreise für dieses Werk enthalten.
Es ist die Geschichte einer alleinerziehenden Lehrerin (37) mit zwei Kindern (11, 14) auf der Suche nach einem neuen Lebensglück. Die Tochter entwächst ihrer Fürsorge. Die Sehnsucht nach einem neuen Mann in ihrem Leben treibt sie um. Sie kann sich nur ihrem Tagebuch öffnen, welches sie eines Tages im Auto eines ihrer Schüler vergißt. Nun besteht die Gefahr, dass dieser alle ihre Geheimnisse liest und plötzlich fühlt sie sich zu diesem jungen Mann hingezogen.
Es war eigentlich gar nicht mal die Handlung, die mich konzentriert lesen ließ. Vielmehr war es die metaphernreiche Sprache und die scharfe Beobachtungsgabe der Ich-Erzählerin, die die Gefühle und Gedanken der Frau so gut transportierten. Sonst bin ich ja mit südamerikanischer Literatur nie recht glücklich, gerade wegen dieser ausufernder Sprache. Aber hier passte es hervorragend. Gegen Ende wurde es sogar sehr erotisch, was sehr überzeugend in Worte gefasst wurde, ohne den Anflug von Kitsch.
Kritisch sehe ich allerdings den übersetzen Buchtitel. La pasajera heißt das Buch im Original, was nach meinem Verständnis die Passagierin oder die Mitfahrerin heißt. Dabei spielt der Titel meiner Ansicht nach auf die Mitfahrt im Auto des Schülers an, die so bleibende Änderungen im Leben der Protagonistin bewirkte. Zu keinem Zeitpunkt ist sie eine bloße Passantin, an der die Geschehnisse nur vorbeifahren. Ansonsten ist das Buch aber sehr gut übersetzt, grammatikalisch gestochen scharf mit einem Hang zu starken Verbformen im Präterium (buk, erschrak, hing). Das klingt dann mehr dann Tagebucheintrag als nach verbale Berichterstattung.
Quando pegamos num livro sobre o qual pouco sabemos, de um autor, neste caso autora, para nós completamente desconhecida, não deixa de haver uma certa expectativa relativamente ao que vamos encontrar. Estamos na presença de uma escritora que passará a constar na lista de autores a seguir, ou será apenas mais um entre os muitos que já lemos e iremos ler? Andrea Blanqué, felizmente faz parte do primeiro grupo. A escrita é fluída e despretensiosa e a autora soube contar uma história com a qual os leitores se conseguem identificar.
A professora Mann é uma mulher com mais de trinta anos, que vive no Uruguai com os dois filhos, frutos de um casamento que termina no dia em que o marido, David, parte para Israel, e ela lhe diz que "Já não quero ser tua mulher", recusando regressar com ele ao país onde se conheceram. Ensina Geografia num liceu nocturno, a alunos que, pelas mais diversas razões, não puderam terminar os seus estudos no ensino regular. A mulher que conhecemos, com trinta e muitos anos, parece-se pouco com a rapariga de vinte anos que vemos descrita nos cadernos de capa dura que passaram a desempenhar um papel tão importante na vida desta mulher. Com vinte anos largou tudo e iniciou uma aventura, sozinha, com o objectivo de conhecer o mundo e as pessoas que nele se movem. Aos trinta e muitos anos, com dois filhos, um ex-marido em Israel, a sua única aventura pelo mundo não foi esquecida, mas faz definitivamente parte do passado. Não é uma mulher amargurada aquela que decide começar a escrever, não um diário ou mesmo uma auto-biografia, mas pensamentos e coisas que acontecem aos outros, aos que a rodeiam. Não é uma mulher cheia de arrependimentos a que conhecemos, no entanto sentimos nas suas palavras uma certa nostalgia pela vida e pelas aventuras que não chegou viver depois de ter engravidado da filha mais velha e de ter casado com David, o homem que anos mais tarde a deixa sozinha com os dois filhos ao decidir partir para Israel, por razões que não são muito claras para nós. O que não sentimos na sua escrita é que, se pudesse, mudasse algo. Sentimos que voltaria a repetir cada passo que deu e decisão que tomou para estar precisamente no mesmo lugar, essencialmente pelos filhos.
Mann é uma observadora, demitiu-se um pouco de viver a sua vida e de procurar a felicidade, gosta de desconhecidos e parece ter alguma dificuldade em aprofundar as suas relações com os colegas de trabalho ou mesmo com as amigas, que refere muito amiúde. Quando se apaixona novamente é de forma tão inesperada e avassaladora que sente alguma dificuldade em lidar com a situação. A escrita é, para ela, uma forma de se organizar mentalmente, de recordar quem era e de se mentalizar para o que é agora. Não escreve nada de comprometedor ou que não possa ser lido por estranhos, no entanto, vive com medo que um dia alguém leia o que escreveu. Não é por isso que deixa de o fazer, não pode, não enquanto tiver algo para dizer.
O livro está estruturado em pequenas secções numeradas, uma por cada entrada nova nos cadernos de capa dura da professora Mann. São "capítulos" pequenos o que permite que a leitura acabe por se fazer de forma rápida e fluída. Para além de escrever um pouco sobre si, sobre a sua família e sobre a viagem que fez quando tinha vinte anos, o livro aborda outros temas, como o suicídio, o amor e de como é importante sabermos crescer, envelhecer, adaptando-nos aos diferentes desafios que surgem com a idade. A aventura é permitida em todas as idades, mas cada idade tem necessariamente de proporcionar aventuras diferentes. :)
Gostei do livro e, embora tenha achado que por vezes ela se repetia um pouco nas ideias, também acho que essa repetição tornou o relato mais realista.