Leandro Konder nos alerta, logo no início de seu livro sobre o tema, que a compreensão do fascismo é um dos "temas quentes" da ciência social e aquele que se aventura na "selva de papel" - composta pelas inúmeras produções que tentaram compreender suas origens e determinações, para defendê-lo, combatê-lo ou utilizá-lo para seus fins próprios, - corre o risco de sofrer graves queimaduras, ou, ainda, de perder-se na selva de palavras que desorientam a percepção e impedem que se veja o horizonte.
No momento em que a Editora Expressão Popular homenageia esse importante intelectual comunista com a reedição de quatro livros de sua vasta e significativa produção ( A derrota da dialética, Marxismo e alienação, O marxismo na batalha das idéias e esse), nos pareceu oportuna a possibilidade de tornar acessível aos nossos leitores as reflexões profundamente didáticas e, embora datada, atuais e úteis de Leandro Konder nesse trabalho clássico.
Livro importantíssimo nestes tempos miseráveis do Bolsonarismo brasileiro.
O livro está datado, é claro, e Konder obviamente não esgota o assunto – ainda assim, a leitura é de muita utilidade pra entender a ascenção do Biroliro (e outros idiotas) ao poder
assim como o título já avisa, o livro é uma introdução ao Terrível movimento fascista e achei a leitura bem fluida na maior parte e extremamente esclarecedora (falando isso do lugar de alguém que tinha uma noção muito superficial sobre o tema). me deu mais vontade de estudar e entender outras vertentes ideológicas! 👏🏼🧠
Os homens que não conhecem a História tendem a repeti-la. Aqueles que conhecem também, mas de forma voluntária. São aqueles que preferem a roda do Capital girando e se petrificam de terror ao imaginá-la sendo quebrada algum dia.
O autor que publicou esse livro em 1977 fez algumas considerações sobre o fato de o fascismo poder dispensar o racismo que me fizeram pensar que ele não leu muitas referências acerca de racismo. Apesar dessa falta imensa em sua argumentação, faz muitas considerações interessantes e algumas declarações assustadoras no último capítulo.
“Privado de grandes respiradouros bélicos, o fascismo evolui contrafeito, caminha com dificuldade. Mas o sistema se recusa a deixá-lo morrer, porque precisa dele: dá-lhe injeções, reanima-o, sugere-lhe sucedâneos para os alimentos que lhe faltam, guerras ’localizadas’, guerras ‘intestinas’, ‘agressões internas’ etc. Se não é possível vendê-lo por atacado, tenta-se vendê-lo no varejo, a prestações.
(...)
As condições atuais da luta não animam o capital financeiro a correr o risco de apoiar partidos de massa, capazes de empunhar bandeiras com cruzes suásticas nas ruas: é preferível tentar manipular a ‘maioria silenciosa’, que fica discretamente em casa, entregue ao consumo da Coca-Cola e da televisão. Novos padrões de conduta política passam a ser inculcados sob a capa de atitudes ‘não políticas'.
As circunstâncias exigem dos fascistas que eles sejam mais prudentes e mais discretos do que desejariam. Pragmaticamente, adaptam-se às exigências dos novos tempos. Mas continuam a trabalhar, infatigavelmente, preparando-se para tempos ‘melhores’, que lhes permitam maior desenvoltura.”