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Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas

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Espontâneo, caprichoso, eloquente, desregrado, são alguns dos epítetos frequentemente atribuídos a Bocage.
Poeta da eloquência e prenunciador do romantismo, Elmano Sadino soube expressar a indignação que o arrebatava, servindo-se para tal da sátira como arma que ferozmente se abatia sobre todos aqueles que mereciam ser alvo da sua crítica.
E foi movida pelo ímpeto e pela fogosidade que o dominava que, do mesmo modo, soube dar largas aos seus sentimentos libertinos e à sensualidade que o assaltava, dando-lhes corpo sob a forma de uma poesia ao longo da qual levou ao extremo a sua imaginação e os seus desvairamentos.
Licenciosa para muitos, esta faceta do poeta reflecte uma época marcada por uma profunda crise moral, cultural e social, merecendo ser conhecida por se tratar, acima de tudo, de uma obra de arte produzida pelo espírito humano.


«As suas paixões indomáveis nunca soube nem tentou refreá-las». Pinheiro Chagas

161 pages, Paperback

First published January 1, 1900

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About the author

Manuel Maria Barbosa du Bocage

186 books48 followers
Bocage was born in the Portuguese city of Setúbal, in 1765, to José Luís Soares de Barbosa and Mariana Joaquina Xavier l'Hedois Lustoff du Bocage, of French family.
Bocage began to make verses in infancy, and being somewhat of a prodigy grew up to be flattered, self-conscious and unstable. At the age of fourteen, he suddenly left school and joined the 7th Infantry Regiment; but tiring of garrison life at Setubal after two years, he decided to enter the Navy. He proceeded to the Royal Marine Academy in Lisbon but instead of studying he pursued love adventures, and for the next five years burnt incense on many altars, while his retentive memory and extraordinary talent for improvisation gained him a host of admirers and turned his head.
The Brazilian modinhas, little rhymed poems sung to a guitar at family parties, were very popular at the time, and Bocage added to his fame by writing a number of these, by his skill in extemporizing verses on a given theme, and by allegorical idyllic pieces, the subjects of which are similar to those of Watteau's and Boucher's pictures. In 1786 he was appointed guarda-marinha in the Indian navy, and he reached Goa by way of Brazil in October. There he came into an ignorant society full of petty intrigue, where his particular talents found no scope to display themselves; the glamour of the East left him unmoved and the climate brought on a serious illness. In these circumstances he compared the heroic traditions of Portugal in Asia, which had induced him to leave home, with the reality, and wrote his satirical sonnets on The Decadence of the Portuguese Empire in Asia, and those addressed to Affonso de Albuquerque and D. João de Castro. The irritation caused by these satires, together with rivalries in love affairs, made it advisable for him to leave Goa, and early in 1789 he obtained the post of lieutenant of the infantry company at Damão, India; but he promptly deserted and made his way to Macau, where he arrived in July-August. According to a modern tradition much of the "Lusiads" had been written there, and Bocage probably travelled to China under the influence of another classic Portuguese poet, Luís de Camões, to whose life and misfortunes he loved to compare his own. Though he escaped the penalty of his desertion, he had no resources and lived on friends, whose help enabled him to return to Lisbon in the middle of the following year.

Once back in Portugal he found his old popularity, and resumed his vagabond existence. The age was one of reaction against the Marquis of Pombal's reforms, and the famous intendant of police, Pina Manique, in his determination to keep out French revolutionary and atheistic propaganda, forbade the importation of foreign classics and the discussion of all liberal ideas. Hence the only vehicle of expression left was satire, which Bocage employed with an unsparing hand. His poverty compelled him to eat and sleep with friends like the turbulent friar José Agostinho de Macedo, and he soon fell under suspicion with Manique. He became a member of the New Arcadia, a literary society founded in 1790, under the name of Elmano Sadino, but left it three years later. Though including in its ranks most of the poets of the time, the New Arcadia produced little of real merit, and before long its adherents became enemies and descended to an angry warfare of words. But Bocage's reputation among the general public and with foreign travellers grew year by year. Beckford, the author of "Vathek", for instance, describes him as a pale, limber, odd-looking young man, the queerest but perhaps the most original of God's poetical creatures. This strange and versatile character may be said to possess the true wand of enchantment which at the will of its master either animates or petrifies.

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Displaying 1 - 18 of 18 reviews
Profile Image for Luís.
2,383 reviews1,376 followers
January 31, 2024
This is a classic of Portuguese poetry from the beginning of romanticism and that everyone gives at school always has; it is the sonnet of the classic figure of poetry created by the Renaissance, it remains the influence of Greco-Latin classical antiquity all the more so than Bocage he was part of a poetic society, ARCADIA (region of Greece) and they all had Latin and Greek names (and as we know in Greece and Rome it was everything, and it continues to be so), he had noble protectors who paid him everything he wrote. He addressed the woman as a Platonic and sexual ideal; many met, and many sonnets have women's names.
So, in erotic poetry, this is pornographic and about 200 years ago when he died.
Profile Image for Adriana Scarpin.
1,738 reviews
March 28, 2016
Soneto da dama cagando

Cagando estava a dama mais formosa,
E nunca se viu cu de tanta alvura;
Porem o ver cagar a formosura
Mette nojo à vontade mais gulosa!

Ella a massa expulsou fedentinosa
Com algum custo, porque estava dura;
Uma charta d'amor de alimpadura
Serviu àquella parte malcheirosa:

Ora mandem à moça mais bonita
Um escripto d'amor que lisonjeiro
Affectos move, corações incita:

Para o ir ver servir de reposteiro
À porta, onde o fedor, e a trampa habita,
Do sombrio palacio do alcatreiro!
Profile Image for André.
286 reviews81 followers
May 5, 2020
Grande Bocage! O Casanova português, o Don Juan setubalense!
O verdadeiro artista da pena e dos prazeres.
Num estilo camoniano, o inimigo dos frades e dos padres apresenta uma picante colecção de sonetos.
O livro ideal para ser lido em reuniões de família.

SONETO DO PRAZER MAIOR
"Amar dentro do peito uma donzela;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela.

Faze-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Aperta-la nos braços casta e bela;

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos;
Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo"

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"Mas para castigar-lhe a vil cobiça
O vingativo Amor, como agravado,
Fogo infernal no coração lhe atiça
Por um sórdido cafre asselvajado;
Tendo-lhe visto a tórrida linguiça
Mais extensa que os canos de um telhado,
Louca de comichões a indigna dama
Salta para ele, convida-o para a cama."

------------------------------------------

"Para carvalho ser falta-lhe um U; [carualho]
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar meta-o no cu."
Profile Image for Fábio.
41 reviews
January 17, 2024
Aqui dorme Bocage, o putanheiro
Passou vida folgada e milagrosa
Comeu, bebeu e fodeu sem ter dinheiro
Profile Image for Pedro Matias.
50 reviews
February 25, 2023
3.5 ☆ Boas sátiras e brilhante uso da palavra, tão à moda de Bocage. Muito interessantes as Cartas entre Olinda e Alzira, duas amigas a partilhar as descobertas do corpo, do desejo, do prazer, mas sob uma percepção do autor masculino. Gostei do exercício de desconstrução das mensagens e da procura das palavras desconhecidas.
Profile Image for Danniele Silva.
2 reviews
June 26, 2013
Bocage, poeta português, um dos maiores representantes do Arcadismo Português,era dono de um estilo desbocado. Neste volume, podemos nos deleitar com o 'Soneto Napoleônico', o 'Soneto de todas as Putas', o 'Soneto do Prazer Maior', entre outros.
No entanto, sua obra não se resume apenas aos poemas satíricos.
Profile Image for tiago..
466 reviews134 followers
March 20, 2022
O melhor resumo dos valores, temas e estilo deste livro é talvez fornecido pelo próprio Bocage, no soneto II:
Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

Aqui jaz Bocage, o putanheiro;
Levou vida folgada e milagrosa;
Comeu, bebeu e fodeu sem ter dinheiro.

E quantos de nós não gostariam de poder dizer o mesmo?

Aquilo que à superfície é simplesmente javardice pura, revela algo mais após análise mais atenta. Se Bocage nas palavras era desbragado e libertino, não quer isso dizer que toda esta poesia seja cabal imundície (ainda que alguma dela, verdade seja dita, não seja muito mais do que isso). São sonetos e poemas que falam do autor e dos seus ideais de amor livre, que criticam a política e a sociedade do seu tempo, com uma muito acentuada vertente anti-clericalista. Estes temas muitas vezes entrecruzam-se, com Bocage a criticar a raiz religiosa do puritanismo da sociedade da época. Mas dificilmente esta crítica se ficava pelo simples derrotismo.
Venha a rançosa, vã teologia
Crimes fingir, criar eternos fogos,
Eu desafio os seus sequazes todos,
Eu desafio o Deus, que êles trovejam!...

- Cartas de Olinda a Alzira.

A subversão está na essência da lenda de Bocage, e muitos destes poemas tem um carácter de quasi-manifesto, de apelo à rebelião contra o pudor. O êxito foi, bem se sabe, limitado, mas ficou o exemplo para as gerações vindouras, sob a forma destes poemas, tão virtuosos como hilariantes. E se por vezes o estilo arcádico pode a olhos contemporâneos parecer pomposo, pretensioso e bolorento, é um facto que este desbragamento bocagiano lhe confere uma ligeireza que ajuda a que perdurem; e que ganhou, em mim, um fã absoluto.
Profile Image for Mário João  Silva.
73 reviews5 followers
August 22, 2021
"Poesias eróticas, burlescas e sátiras". Este foi o primeiro livro que li de Bocage. Já tinha lido poemas dispersos mas este livro foi um BUM tremendo no meu cérebro. Não estava nada à espera de encontrar algo tão perfeito em termos de escrita. Eu confesso que não sou adepto de literatura erótica, mas Bocage devido às expressões que utiliza conquistou completamente. Temos neste livro grandes (bocas) às pessoas importantes da altura, Bocage desmascarava os que diziam ser Santos e afinal seriam ainda mais libertinos que ele, mas com uma poesia, uma sonoridade a cada poema que wow.
As sátiras que ele fazia são perfeitas, e ainda hoje encaixam lindamente na sociedade que temos. Uma linguagem bastante erótica, bem descritiva assim era Bocage, um Poeta sem papas na língua. Temos neste livro, odes e cantos magníficos. Só lendo teremos o real contacto com esta obra tão bem feita.
Poderia estar aqui a enumerar adjetivos que descrevam o livro no seu melhor, mas como não tenho instrução suficiente para tal, a única coisa que vos digo é que está uma obra que toca por ser tão fiel ao que o homem quis passar. Aconselho a sua leitura, quanto mais não seja para desmistificar o Poeta.
Profile Image for Raquel Alves.
75 reviews1 follower
March 18, 2022
Brejeiro ou não, Bocage dominava, tanto a palavra, como a sátira. Um mestre.
Profile Image for rita.
46 reviews1 follower
October 24, 2024
necessito urgentemente de me esquecer do que li
Profile Image for U Recife.
122 reviews13 followers
February 20, 2017
O problema de ler um livro de poesia antigo, principalmente um que lida com os aspetos mais crus da vida, como o erótico, o burlesco e o satírico, é que a probabilidade de ficar datado é maior. Ser ou não de Bocage não o faz exceção.

Poesias eróticas? Um dia talvez tenham sido. Burlescas? Sem dúvida, algumas ainda conservam o poder de fazer rir, ou, nem que seja, de promover um satisfeito sorriso pelo humor do poeta. Satíricas? Bem, a sátira ainda lá está, mas à distância do tempo, sem saber quem são as pessoas ou sem poder perceber o porquê das críticas, da sátira sobra só a mestria de Bocage.

No final de tudo, vale ou não a pena ler o livro? Talvez—mas num fraco talvez. Não se houver outros livros mais importantes para ler. O título, hoje em dia, engana. Descrever atos sexuais não é, não hoje, erótico; conter palavrões não equivale a fazer rir; ser mordaz não nos faz viajar no poder que sátira, um dia, deve ter tido. Sobra o quê, então? A fluidez de estilo do poeta. Talvez seja pouco; mas ainda assim é Bocage.
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews85 followers
December 28, 2014
Poesia Satírica

Vós, ó Franças, Semedos, Quintanilhas,
Macedos e outras pestes condenadas;
Vós, de cujas buzinas penduradas
Tremem de Jove as melindrosas filhas;

Vós, néscios, que mamais das vis quadrilhas
Do baixo vulgo insossas gargalhadas,
Por versos maus, por trovas aleijadas,
De que engenhais as vossas maravilhas,

Deixai Elmano, que, inocente e honrado,
Nunca de vós se lembra, meditando
Em coisas sérias, de mais alto estado.

E se quereis, os olhos alongando,
Ei-lo! Vede-o no Pindo recostado,
De perna erguida sobre vós mijando.
Profile Image for Fábio.
9 reviews
November 30, 2010
Ribeirada e A Manteigui é exatamente o que eu esperava do Bocage. Talvez incluísse A Empresa Nortuna, não sei. Aos demais, é um pouco fora da minha expectativa.
Profile Image for Bambino.
127 reviews5 followers
April 11, 2017
por vezes apenas ordinário e delicioso, muitas vezes porco e genial. este imortal senhor cristaliza com excelência uma das mais alegres e gloriosas facetas da nossa cultura - cultura que infelizmente se perde, devido ao extermínio das tascas imposto pela puta da ASAE, pela tecnologia e pela tendencial imbecilidade dos tempos.
o medo de morrer que emana destes tempos cobardes, mais as doenças inventadas (alzheimer, parkinson, etc), mantêm os velhos das titânicas mãos encurralados no triste lar, ou nos monstruosos lares.
os jovens derretem o tempo em frente ao espelho e ao ecrã e perdem o fado e as ordinarices do cavernoso tasco.
resta-nos a memória, e Bocage.

...

Arreitada donzella em fofo leito,
Deixando erguer a virginal camisa,
Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombras subtis pachacho estreito:

De louro pello um circulo imperfeito
Os pappudos beicinhos lhe matiza;
E a branca crica, nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito:

A voraz porra as guelras encrespando
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrados:

Como é inda boçal, perde os sentidos:
Porem vae com tal ansia trabalhando,
Que os homens é que veem a ser fodidos.

...

Dizem que o rei cruel do Averno immundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para metter do cu na aberta greta
A quem não foder bem ca neste mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixae essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.

Si pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Sinão para foder com liberdade?

Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto ja; que é curta a edade,
E as horas do prazer voam ligeiras!

...

Christo morreu ha mil e tantos annos;
Foi descido da cruz, logo enterrado;
E inda assim de pedir não tem cessado
Para o sepulchro delle os franciscanos!

Tornou a resurgir dentre os humanos;
Subiu da terra ao céu, la está sentado;
E à saude delle sepultado
Comem à nossa custa estes maganos:

Cuidam os que lhes dão a sua esmola
Que ella se gasta na funcção mais pia...
Quanto vos engannaes, oh gente tola!

O altar mor com dois cotos se allumia:
E o fradinho co'a puta, que o consola,
Gasta de noite o que lhe daes de dia.

...

Pela rua da Rosa eu caminhava
Eram septe da noite, e a porra tesa;
Eis puta, que indicava assaz pobreza,
Co'um lencinho à janella me accenava.

Quaes conselhos? A porra fumegava;
"Hei de seguir a lei da natureza!"
Assim dizia e effeituou-se a empresa;
Prepucio para traz a porta entrava.

Sem que saude a moça prazenteira
Se arrima com furor não visto à crica,
E a bella a molle-molle o cu peneira.

Ninguem me gabe o rebolar d'Annica;
Esta puta em foder excede à Freira,
Excede o pensamento, assombra a pica!

...

Pela escadinha de um courão subindo
Parei na sala onde não entra o pejo;
Chinelo aqui e alli suado vejo,
E o fato de chordel pendente, rindo;

Quando em miseria tanta reflectindo
Estava, me surgiu nympha do Tejo,
Roendo um fatacaz de pão com queijo,
E para mim num ai vem rebullindo:

Dá-me um grito a razão: — "Eia, fujamos,
Minha porra infeliz, ja deste inferno...
Mas tu respingas? Tenho dicto, vamos..."

Eis a porra assim diz: — "Com odio eterno
Eu, e os socios colhões em ti mijamos;
Para baixo do umbigo eu só governo".
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