Duas narrativas paralelas constroem a geometria peculiar do autor paulista.
Cabeça a prêmio trata de Brito e Albano, dois matadores de aluguel a serviço dos irmãos Menezes, poderosos traficantes de drogas. Na segunda aparecem também o piloto de avião Dênis e Elaine, filha de um dos chefes do tráfico. Eles também protagonizam a segunda história, paixão com forte carga sexual que os leva a um temerário plano de fuga.
Segundo o crítico José Geraldo Couto, neste livro "a obra de Marçal Aquino atinge o ponto de excelência em que a literatura policial deixa de ser apenas policial para se tornar literatura tout court (...), pois os marcos do gênero história de matadores são rompidos em várias direções, de tal maneira que é também um livro sobre um Brasil bárbaro e profundo, sobre as paixões humanas, sobre o acaso e a necessidade". Tudo potencializado pelas gravuras cortantes de Ulisses Bôscolo de Paula.
Marçal Aquino nasceu em Amparo, no interior paulista. É jornalista, escritor e roteirista de cinema e de televisão. Publicou, entre outros livros, o volume de contos O amor e outros objetos pontiagudos, pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti, e o romance Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. Atuou como roteirista de filmes, como Os matadores, O invasor e O cheiro do ralo. Seu trabalho está publicado na Alemanha, Espanha, França, México, Portugal e Suíça. É autor do conto “Balaio” na coletânea Eu sou favela, título inaugural da Editora Nós.
A narrativa me prendeu, fiquei curiosa pra saber o que iria acontecer. Gostei da escrita do autor, é simples, direta, crua, acho que isso ajudou na fluidez da leitura. É o segundo livro do autor que eu leio e gostei bastante dos dois.
Muy buena historia de matones. Personajes entrañables, muy humanos, muy apasionados. El mundo de los sicarios y matones de poca monta del narco brasileño.
Essa é a história de Brito, um matador profissional que, com seu parceiro Albano, estão de tocaia, esperando o momento certo para o próximo alvo. Enquanto esperam, vamos conhecendo seu passado e seu futuro, numa narrativa que nos faz ir e voltar no tempo, tanto em momentos pessoais quanto em momentos profissionais. É a história também de Dênis, um piloto de avião que trabalha para um grande traficante e que acaba se apaixonando por Elaine, a filha do patrão.
Brito é daqueles homens que se deixaram levar pela vida, que vão tomando de conta das coisas conforme elas lhes aparecem. Sente-se superior (ou inferior?) à humanidade, se identificando mais com os animais. A figura de Marlene é que o humaniza e o deixa mais vulnerável. Já Dênis é um personagem bem menos desenvolvido que Brito e encontra seu sentido maior na relação que estabelece com Elaine.
Os romances desta novela servem como elemento atenuante de uma história de crimes e vinganças, mas o que irá instigar a leitura dessa narrativa será o seu enredo bem amarrado e envolvente, e não necessariamente uma simpatia pelos personagens; é a edição cinematográfica do texto, que dá a impressão ao leitor de que está assistindo a um filme de ação; é o quebra-cabeças feito por Aquino, que nos faz encaixar cada peça uma com a outra, deixando formar um típico quadro de faroeste urbano.
(Comentário originalmente publicado em meu blog aqui.)
Me ha gustado bastante volver a releer la novela de Aquino. El juego de espejos de los personajes unidos por la historia de amor que cada uno vive a su manera me encantó. Sin duda una gran obra que muestra cómo se puede contar y tejer una historia negra con una historia de amor. Definitivamente una novela que recomendaría siempre.