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Vida e Morte De M J . Gonzaga De Sá

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Gonzaga de Sá, amante de sua solidão, olha o mundo sem preconceitos, analisando fatos e pessoas, em busca de um ambiente melhor para todos, embora vivendo aos tropeços frente à luta social. É comovente a história de um homem que viveu para o bem, analisando com sua erudição o mundo ao seu redor, tendo ampla visão dolorosa dos males e ridículos sociais, um reflexo da própria alma do autor.

104 pages, Paperback

First published January 1, 1919

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Lima Barreto

292 books168 followers
Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 1881 na cidade do Rio de Janeiro. Enfrentou o preconceito por ser mestiço durante a vida. Ficou órfão aos sete anos de idade de mãe e, algum tempo depois, seu pai foi trabalhar como almoxarife em um asilo de loucos chamado Colônia de Alienados da Ilha do Governador.

Concluiu o curso secundário na Escola Politécnica, contudo, teve que abandonar a faculdade de Engenharia, pois seu pai havia sido internado, vítima de loucura, e o autor foi obrigado a arcar com as despesas de casa.

Como leu bastante após a conclusão do segundo grau, sua produção textual era de excelente qualidade, foi então que iniciou sua atividade como jornalista, sendo colaborador da imprensa. Contribuiu para as principais revistas de sua época: Brás Cubas, Fon-Fon, Careta, etc. No entanto, o que o sustentava era o emprego como escrevente na Secretaria de Guerra, onde aposentaria em 1918.

Não foi reconhecido na literatura de sua época, apenas após sua morte. Viveu uma vida boêmia, solitária e entregue à bebida. Quando tornou-se alcoólatra, foi internado duas vezes na Colônia de Alienados na Praia Vermelha, em razão das alucinações que sofria durante seus estados de embriaguez.

Lima Barreto fez de suas experiências pessoais canais de temáticas para seus livros. Em seus livros denunciou a desigualdade social, como em Clara dos Anjos; o racismo sofrido pelos negros e mestiços e também as decisões políticas quanto à Primeira República. Além disso, revelou seus sentimentos quanto ao que sofreu durante suas internações no Hospício Nacional em seu livro O cemitério dos vivos.

Sua principal obra foi Triste fim de Policarpo Quaresma, no qual relata a vida de um funcionário público, nacionalista fanático, representado pela figura de Policarpo Quaresma. Dentre os desejos absurdos desta personagem está o de resolver os problemas do país e o de oficializar o tupi como língua brasileira.

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Displaying 1 - 30 of 34 reviews
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
862 reviews173 followers
July 29, 2022
Um panfleto, um panfleto sobre a "elite" política e cultural do Rio de Janeiro no início do século XX.
Um texto que andou sempre entre o activista e o entediante. O autor escreve com um registo desinteressante onde tenta meter todas as coisas/críticas possíveis.
Uma monumental seca.
Profile Image for José.
245 reviews
October 17, 2021
Comprei este livro sem grande ideia da obra de Lima Barreto e pelo que li entretanto na internet não é particularmente representativo do autor. No entanto, é um belíssimo livro, preso entre a biografia e a conversa, entre a observação e a reação, entre a sagacidade do monólogo interior e o diálogo em andamento forte e incisivo. Talvez Gonzaga de Sá seja uma personagem que Lima Barreto conjurou para exorcizar e expôr a sua visão do mundo, talvez tenha sido alguém que o inspirou. De qualquer maneira é um dos poucos livros que li que não me deixou pensar que não estava lá, a ouvir eu mesmo as conversas entre Gonzaga de Sá, Machado e restantes amizades - a visão sobre as relações opressoras da vida social, o comentário presciente e ainda atual deste mundo brasileiro do início do século, a vaga incerteza do tempo em que habitamos e como é que o tempo prossegue. É uma leitura fácil, mas não é um livro simples.
Profile Image for Cicero Marra.
381 reviews23 followers
September 25, 2020
Lima Barreto será sempre o escritor que nos anunciou nosso maior defeito, o medo, que nos leva à renúncia das vocações e à aceitação do medíocre. Os últimos dias do brasileiríssimo Gonzaga de Sá são uma confissão do pecado do desperdício de uma vida que poderia ter sido.
Profile Image for Carla Botteon Catai.
214 reviews9 followers
March 8, 2025
na moral, Comvest, Lima Barreto é de f*der (mas deu pra soltar uns arzinhos pelo nariz)
Profile Image for Inês Etulain.
90 reviews2 followers
October 25, 2024
acho que não há nada nesse livro que foi particularmente marcante. é um bom livro, eu acho, me lembra muito cidade e as serras, mas é um pouco maçante. a figura do gonzaga de sá é interessante e nos leva a pensar sobre os críticos às elites que não realmente se aprofundam nas suas críticas.
Profile Image for let viali.
30 reviews
January 10, 2025
Contexto e gênero

Publicado em 1919, o romance Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá pertence à fase madura de Lima Barreto e reflete suas críticas à sociedade carioca da Primeira República. Com forte teor social, político e filosófico, a obra combina observação do cotidiano com reflexão existencial, expondo as contradições da modernização do Rio de Janeiro e o sofrimento dos indivíduos éticos em meio à desigualdade e à hipocrisia.

É um texto que antecipa aspectos do Modernismo, com narrativa fragmentada, linguagem mais livre e crítica contundente ao academicismo e à elite dominante.

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Enredo

A história é narrada por Augusto Machado, um jovem funcionário público que convive com M.J. Gonzaga de Sá, homem idoso, aposentado, culto e introspectivo. A narrativa se constrói a partir das lembranças e impressões de Augusto sobre o amigo, sem linearidade, compondo uma espécie de biografia fragmentada do protagonista.

Durante suas conversas e passeios, Gonzaga de Sá compartilha reflexões sobre temas como burocracia, racismo, desigualdade, política, moralidade e decadência social. Sua figura representa o ideal do homem íntegro e sábio, mas também solitário e melancólico, incapaz de se adaptar a um mundo superficial e corrupto.

Gonzaga vive modestamente, acompanhado apenas da tia Escolástica e de um antigo escravo, e carrega o peso de uma vida dedicada ao conhecimento e à ética, mas sem afeto ou reconhecimento. Seu destino trágico e silencioso simboliza o fracasso da integridade num mundo dominado pela indiferença e pelo materialismo.

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Temas principais
1. Crítica à sociedade brasileira – Denúncia das injustiças sociais, do racismo estrutural, da desigualdade e da hipocrisia das elites durante a República Velha.
2. Solidão e melancolia – Gonzaga é um homem lúcido, mas isolado; vive à margem por não compactuar com a mediocridade ao seu redor.
3. Burocracia e alienação – O funcionalismo público é retratado como um sistema opressor e ineficaz, símbolo da estagnação e da falta de humanidade.
4. Intelectualismo e moralidade – Gonzaga representa o intelectual ético, guiado pela razão e pela justiça, em oposição à corrupção e à ganância da classe dominante.
5. Conflito entre homem e máquina – Crítica à mecanização da vida moderna, à desumanização e ao ritmo frenético da cidade.

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Personagens principais
• M.J. Gonzaga de Sá – Protagonista, homem culto e íntegro, crítico da sociedade e do poder. Símbolo de resistência moral e da simplicidade como valor ético.
• Augusto Machado – Narrador e amigo mais jovem; observa e admira Gonzaga, funcionando como alter ego do próprio Lima Barreto.
• Tia Escolástica – Parente com quem Gonzaga mora, representa o vínculo familiar mínimo e o cotidiano simples.
• O escravo liberto – Figura silenciosa que reforça a persistência do racismo e da desigualdade social mesmo após a abolição.

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Estilo narrativo
• Narrador em primeira pessoa – Augusto Machado reconstrói a vida do amigo com base em lembranças e conversas, sem pretensão de biografia exata.
• Estrutura não linear – O enredo é formado por episódios, digressões e reflexões, lembrando crônicas urbanas.
• Tom ensaístico e filosófico – Mistura entre narração, diálogo e pensamento crítico.
• Ironia e sarcasmo – Barreto critica a mediocridade e o conformismo com humor ácido.
• Linguagem simples e coloquial – O autor rejeita o academicismo e valoriza o registro popular e o olhar do cotidiano.

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Espaço e ambientação

O Rio de Janeiro da Primeira República é retratado como um personagem da obra — uma cidade em transformação, marcada pela reforma urbana, pela exclusão social e pela tentativa de “branqueamento” cultural e populacional.
Os espaços — ruas, bondes, trens, cafés, repartições públicas, o Passeio Público — são lugares de observação crítica e de contraste entre a vida simples de Gonzaga e o artificialismo da elite urbana.

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Aspectos históricos e sociais
• Reforma urbana do Rio de Janeiro (Pereira Passos) – Deslocamento dos pobres e ideal de “cidade civilizada” europeia.
• Política do branqueamento – Reflexo do racismo científico da época.
• Funcionalismo público – Crítica ao clientelismo e à ineficiência estatal.
• Desigualdade e exclusão – Denúncia da marginalização dos intelectuais e dos trabalhadores pobres.
• Modernização e alienação – O homem perde sua humanidade diante do progresso mecânico.

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Importância da obra

Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá é uma das obras mais profundas e críticas de Lima Barreto, reunindo elementos de crônica, ensaio e romance psicológico. Representa o amadurecimento do autor em sua luta contra o preconceito racial, a corrupção moral e o elitismo intelectual.

O livro convida à reflexão sobre a condição humana, o isolamento do indivíduo ético e o choque entre idealismo e realidade. Sua linguagem simples, irônica e fragmentada aproxima a obra das tendências modernistas, tornando-a fundamental para entender a transição entre o pré-modernismo e o modernismo no Brasil.

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Para o vestibular
• A crítica social é o eixo central da narrativa (desigualdade e preconceito racial).
• Gonzaga de Sá é o símbolo da integridade e da resistência moral.
• O narrador jovem (Augusto) e o protagonista idoso (Gonzaga) representam o contraste entre gerações e visões de mundo.
• Enredo revelado desde o título: a obra trata da trajetória e do fim do protagonista.
• Influência modernista: antitradicionalismo, antiacademicismo, liberdade temática e estilística.
• Sociologia urbana: o Rio de Janeiro como laboratório das transformações sociais.
• Simplicidade e sarcasmo como instrumentos de crítica.
Profile Image for Carla Parreira .
2,631 reviews7 followers
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September 30, 2026
Obra estruturada a partir de uma moldura narrativa complexa em que o próprio Lima Barreto figura fictionalmente como revisor e editor do texto, atendendo ao pedido do narrador, Augusto Machado. No prefácio simulado sob a forma de advertência, o autor aponta uma falha na classificação do escrito, observando que a obra ultrapassa a biografia tradicional. Embora se proponha a registrar a trajetória de Manuel José Gonzaga de Sá, o jovem narrador reflete exaustivamente sobre a própria existência, mesclando suas visões de mundo à vida do biografado.
Augusto Machado é apresentado na explicação subsequente como um jovem funcionário público de cerca de vinte anos, negro, de origem humilde e dotado de expressiva erudição. Sua figura atua como um alter ego do autor, refletindo as angústias, o arcabouço intelectual e os entraves vivenciados por um homem negro instruído no início do século XX. O projeto do jovem biógrafo contrapõe-se abertamente às tradições historiográficas e biográficas representadas por figuras célebres da época, optando por registrar a vida de um indivíduo comum, sem projeção nos grandes círculos de poder. O objeto de seu estudo é M. J. Gonzaga de Sá, um bacharel e funcionário da Secretaria dos Negócios do Culto, homem branco, solteiro, com cerca de sessenta anos e descendente de uma antiga linhagem ligada aos primórdios da cidade.
A narrativa não adota uma ordenação cronológica linear e tem início pelo relato da morte de Gonzaga de Sá. Entre os papéis deixados pelo falecido, o biógrafo encontra um conto de sua autoria intitulado O Inventor e a Aeronave. A história trata de um construtor que dedica anos à elaboração minuciosa de uma máquina voadora que, ao final, jamais consegue alçar voo. Longe de tentar reparar a falha ou insistir na empreitada, o inventor resigna-se à estagnação. Esse escrito atua como uma metáfora da própria trajetória de Gonzaga de Sá, caracterizada pela erudição estéril, pela falta de realizações práticas e por uma existência contemplativa e imobilizada.
A convivência entre o narrador e Gonzaga de Sá desenvolve-se no ambiente burocrático do funcionalismo público. Na Secretaria dos Negócios do Culto, o cotidiano é marcado pela ineficiência e por disputas fúteis. Um dos episódios centrais revela a esterilidade dessa estrutura: a recepção a um bispo com dezessete tiros de salva de canhão, em vez dos dezoito previstos pelo protocolo. O mal-estar diplomático mobiliza diversos setores do funcionalismo em pesquisas extensas e debates estéreis que paralisam demandas urgentes da população. A solução encontrada — o registro simbólico de dezessete tiros e meio — expõe o grau de absurdo e o apelo ao formalismo que caracterizam a máquina estatal.
A rotina da repartição revela tipos humanos contrastantes. Xisto Beldroegas encarna a figura do burocrata fervoroso, fascinado pelas amarras legais e pelo trâmite dos papéis, que desdenha do saber de Gonzaga de Sá e aguarda com impaciência a aposentadoria do colega para assumir seu posto. Por outro lado, o Barão de Inangá representa a ascensão sem mérito nos quadros públicos, alcançando posições de chefia e altos salários unicamente pelo critério de antiguidade, a despeito de sua inaptidão funcional.
As caminhadas de Gonzaga de Sá e Augusto Machado pelas ruas do Rio de Janeiro introduzem profundas reflexões sobre a geografia e a história da cidade. Gonzaga de Sá analisa o contraste entre o centro urbano e os subúrbios periféricos, criticando as promessas do processo de modernização e a implantação de melhorias técnicas, como a eletrificação dos bondes. Para o personagem, essas transformações possuem caráter superficial e servem para mascarar a permanência das desigualdades sociais, enquanto o trabalho árduo da infraestrutura recai sobre os trabalhadores pobres, permanecendo invisível diante da exaltação oficial aos políticos e governantes. Paralelamente, Gonzaga de Sá demonstra fascínio pela topografia irregular da cidade, elogiando a assimetria natural de seus morros e enseadas em oposição à rigidez dos planejamentos urbanísticos rígidos, e identifica nas ruas as marcas deixadas pelo ciclo do ouro, pela escravidão e pelo processo de independência.
A posição política e filosófica de Gonzaga de Sá é marcada pelo apego ao passado e por um ceticismo em relação ao regime republicano. A visita às ruínas do Castelo, local histórico de fundação da cidade e ligado aos seus antepassados, simboliza a ruína das antigas tradições, da monarquia e de sua própria geração. O personagem rejeita a cultura dos diplomas e títulos acadêmicos, optando pelo estudo autônomo e de caráter enciclopédico. Embora sua erudição seja vasta, a recusa em adequar-se às exigências formais de titulação resulta em certo isolamento e desvalorização social. O texto aborda ainda a fabricação do prestígio público pela imprensa, exemplificada na figura do Barão do Rio Branco, demonstrando o poder dos meios de comunicação na construção ou destruição de imagens públicas.
No âmbito privado, Gonzaga de Sá convive com o Velho Inácio, filho de uma mulher escravizada pela família do protagonista. Nascido quase no mesmo dia que Gonzaga, Inácio obteve a alforria, mas permaneceu durante toda a vida servindo à mesma casa. Enquanto Gonzaga interpreta essa permanência como um ato de afeição e lealdade, a narrativa deixa entrever que a permanência decorria da absoluta ausência de oportunidades e de alternativas reais de subsistência na sociedade pós-abolicionista. A casa é coordenada pela Tia Escolástica, uma figura idosa, guardiã dos costumes conservadores, dos valores da aristocracia decadente e da fé religiosa.
A dinâmica familiar altera-se com a morte de Romualdo, amigo de Gonzaga de Sá, que deixa órfão o jovem Aleixo Manuel. Sensibilizado, Gonzaga assume a responsabilidade pela tutela do menino, prometendo assegurar-lhe instrução formal de alto nível. No entanto, o narrador Augusto Machado desenvolve uma perspectiva amarga sobre o destino do garoto. Por ser negro e de origem humilde, a aquisição de um alto grau de instrução e a convivência em ambientes de elite não o pouparão do preconceito racial. Ao contrário, a tomada de consciência sobre as barreiras sociais e a desigualdade de privilégios tornará o jovem mais vulnerável ao sofrimento, processo vivenciado pelo próprio narrador ao longo de sua formação.
Com a morte de Gonzaga de Sá, a promessa de tutelar a formação do jovem Aleixo Manuel é interrompida. A responsabilidade pela criação do garoto passa para a Tia Escolástica, inserindo o menino em um ambiente profundamente conservador e tradicional. A trajetória encerra-se com a constatação do narrador sobre o ciclo inexorável de limitação imposto pela estrutura social aos indivíduos marginalizados, cujas aspirações intelectuais e pessoais colidem continuamente com as restrições e preconceitos do meio.
Profile Image for Thiago.
8 reviews3 followers
January 16, 2015
É um livro muito diferente dos outros do Lima Barreto, é como se ele precisasse extravasar um pouco suas opiniões sobre diversas coisas e criou este personagem que é o Gonzaga de Sá. Alguns temas comuns do Lima (como o funcionalismo público, história do Brasil, Rio de Janeiro, estrangeiros, repudia da sociedade brasileira aos intelectuais, crítica aos bacharéis, etc) estão presentes no livro.

De certa forma, não existe muito bem uma "trama", o livro tem o tom de uma conversa.
Profile Image for Tiago.
7 reviews
October 16, 2026
Que livraço, não sei se é positivo ou negativo ter-me relacionado com o personagem visado no livro.

Deves ter reparado que o recurso aritmético da média tudo avassalou. E um recurso poderoso e razoável para certos aspetos da nossa atividade; mas perfeitamente impróprio para dar a feição sentimental de uma classe, de um povo, ou mesmo traduzir as suas determinantes da inteligência e carácter. Por sua própria natureza, a inteligência, o carácter, e os aspetos sentimentais, com o suporem a sociedade, são tiranicamente individuais. O génio é Rousseau, não são os suíços... Poderias dizer: na média no Rio de Janeiro, por ano, nascem tantas pessoas, pois trata-se aí de números; mas errarias grosseiramente se dissesses que na média os cariocas são felizes. A felicidade, sensação tão volátil, instável, irredutível de homem a homem, é coisa diferente, e não consente média a abranger centenas, milhares e milhões de seres humanos.
Imaginas tu que Mme. Belasman, de Petrópolis, tem um grande joanete, um defeito hediondo, com o qual sobremaneira sofre; e o operário Felismino, da Mortona, orgulha-se em possuir um filho com talento. Mme. Belasman vive acabrunhada com a exuberância de seu joanete. Passou a meninice a sofrer por ele, a adolescência foi-lhe uma angústia; e tão insignificante aumento de seu pé, na sua consciencia, reflete-se duradouramente, continuadamente, com as mani festações mais inacreditáveis e aterrorizantes; entretanto Felismino, quando bate rebites, sorri e antegoza o estrondo que uma parcela do seu sangue vai causar na sociedade Or companheiros acreditam-no doido, e já porque uma vez ele se tenha referido entusiasticamente às brilhantes qualidades do filho, criou para este, dois ou trés inimigos. Está sagrado! Quem é mais feliz, pergunto, Mme. Belasman ou o Sr. Felismino? E, à vista disso, poderás dizer que todas as damas de Petrópolis são felizes e os operários de fundição são desgraçados? Há média possível para a felicidade das classes?
Nós, os modernos, nos vamos esquecendo que essas histórias de classe, de povos, de raças, são tipos de gabinete, fabricados para as necessidades de certos edifícios lógicos, mas que fora deles desaparecem completamente: Não são? Não existem.
Compreende-se a esfera, o cubo, o quadrado, em geometria; mas fora daí, é em vão querer obtê-los. E de tal modo este engano está agitando a nossa opinião, que, parece-me, vai ressurgir o famoso debate escolástico dos universais. Tu o conheces, não é?
- Mal.
- Encheu a Idade Média a pergunta: certas ideias gerais são uma realidade? Existem, de facto, ou não, fora dos indivíduos que as concebem? Por séculos a opinião se dividiu, o debate se alongou; e houve entre os sábios partidários apai-xonados... realistas e nominalistas... como hoje, nos nosso “cavalinhos", entre seus juvenis frequentadores, há azuis e verdes. O moderno debate ainda não se estabeleceu; embora isso, eu sou conceptualista, como Abélard; e, por sê-lo,é que tenho pena de Mme. Belasman em face do orgulho do Felismino da fundição da Mortona...”

32 reviews
June 11, 2026
Esse foi um livro que me trouxe vários sentimentos, talvez por me identificar com a visão de Lima Barreto e seu personagem Machado ou talvez por me imaginar nesse cenário efervescente do Brasil república do começo do século XX, que ainda parece trazer discussões que permanecem em voga nesse começo/meados do século XXI. Talvez ainda por me ver na representação de Lima que enfrentou vários percalços e rechaços como escritor crítico da sociedade da época e mulato. Vários trechos dos personages Machado e Gonzagá de Sá me marcaram, mas os trago um do primeiro no contexto de ver uma ópera em um teatro do Rio de Janeiro com o segundo:

"Desta vez, sem aquele ambiente favorável de colegas, eu me choquei bruscamente com aquele mundo hostil. Não houve uma só palavra que me ferisse, nem sequer um olhar; entretanto, só em contemplar aquela grande gente, que me parecia tão rica e tão brutal, eu me senti inferior. Donde vinha esse sentimento? Era a minha cultura? Não; eu recebi a mesma instrução dos mais instruídos da minha idade que lá estavam. Era do meu caráter, das falhas da minha moralidade? Não, também; eu sentia que as tinha; contudo, em comparação com o grosso daqueles cavalheiros tão limpos, eu era puro, imaculado. Nada mais me restava comparar, a não ser que o meu sangue me fizesse perfeitamente inferior, mas este mesmo eu cria correr em muitos daqueles que me julgava inferior. Donde vinha, portanto, esse sentimento que me entristecia?"
Profile Image for Ana.
67 reviews
November 23, 2023
sim demorei 3 meses e algo mais pra terminar esse livro, mas acho que porque ele é tudo o que eu não estou acostumada a ler e tudo o que a minha mente tem dificuldade de visualizar. em nenhum momento, no entanto, eu deixei de aproveitá-lo. pelo contrário, eu tive ótimas experiências com todos os capítulos e as ideias que eles traziam. preciso deixar registrado que gostei muito mais do Machado do que do próprio Gonzaga de Sá (não sei se isso é algo recorrente), porque me surgiu uma identificação muito grande com a capacidade de captar detalhes e de ouvir o Gonzaga e de ter batalhas internas tentando entender o que se passa no mundo, em nós, em si.
11 reviews
June 9, 2025
leitura de difícil compreensão mas muito válida, importante para entender o período de transição do Brasil República, abordando importantes questões da sociedade, escravidão, burocracias, falsos moralistas e etc.
Entretanto, achei-o extremamente ninchado, demorado, com analogias e situações extremamente específicas, com um vocabulário bem rebuscado, a fim de entender o que Lima Barreto pretende passar, se faz necessário um bom tempo de ócio e releitura.
Profile Image for Gabriel A..
51 reviews4 followers
December 21, 2025
"O Brasil não tem povo, tem público."

Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá conta a história do mesmo porém pelo olhar de seu amigo Augusto Machado.

Uma coisa extremamente interessante que vejo nos livros de Lima Barreto são as críticas à sociedade brasileira, como racismo, corrupção entre políticos e pessoas de poder, e como tudo isso em pleno 2025 ainda não mudou infelizmente.

Porém a história do livro em si achei muito parada, arrastada e que em pouquíssimos momentos nos prende na leitura.
Profile Image for Vani Vidotto.
12 reviews
September 16, 2026
I didn't really enjoy this read. The way the sentences and paragraphs were structured often left me confused, and I wasn't always sure what the characters meant, which annoyed me quite a lot. However, by the end of it, I don't know — maybe I just got used to the writing style. There were some really good parts, and it brought up such important conversations and reflections that, ultimately, I ended up liking it more than I expected.
Profile Image for anoca.
23 reviews
July 24, 2026
li pela obrigatoriedade do sampa mas comecei a realmente gostar! sou meio assim com as pessoas que acho inteligente. acho que a aula sobre esse livro foi uma das mais interessantes que já tive na vida
Profile Image for Victoria.
4 reviews
August 26, 2026
4,5 estrelas
gosto que esse livro se passa na primeira republica e mostra a visão do autor na personagem sobre a questão da grande reforma do Rio de Janeiro, dá pra ver os pontos de vista acerca desse processo de urbanização e afins.
Profile Image for Beatriz.
28 reviews
July 17, 2025
Demorei 1 ano pra terminar esse livro, me apeguei aos personagens. Tive muitas emoções com esse livro... eu gostei!
Profile Image for Artur.
8 reviews
September 12, 2025
gostei desse livro. parecia chato, mas as reflexões tem um ritmo e cada parágrafo gigante é um pedacinho de espelho do lima barreto. eu com certeza deveria reler ele no rio de janeiro
Profile Image for Spiegel.
939 reviews9 followers
November 20, 2025
Achei interessante a descrição do Rio antigo, mas esperava mais tendo gostado de contos do Lima Barreto no passado.
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