Nasceu em São João del Rei, Minas Gerais, em 1922, e morreu no Rio de Janeiro no final de 1992. Formado em direito, exerceu diversas profissões, de professor a adido cultural em Bruxelas e Lisboa. Jornalista, trabalhou em diversas publicações enquanto burilava uma relativamente pequena, porém significativa, obra literária. É autor do romance O braço direito, de coletâneas de contos como O lado humano, de reuniões de perfis jornalísticos como O príncipe e o sabiá, entre outros títulos.
Tem um início um pouco difícil, mas a adaptação ao estilo de Otto ao longo da leitura garante diversão em bons textos sobre assuntos gerais, mas também específicos como etimologia, literatura, política e animais.
Nos seus últimos dois anos de vida, Otto Lara Resende se lançou em um gênero que ainda não tinha experimentado, a crônica. Dessa forma, escrevendo na página 2 da Folha, acompanhou a vida brasileira de 1991 e 1992, que teve como centro político o processo contra o ex-presidente Collor. Engana-se, porém, que veja na política o seu foco. Ela apenas permeia suas reflexões e registros das nossa banalidades diárias, como uma boa crônica deve ser. Uma despedida com estilo desse mineiro acariocado que deixou seu nome na nossa literatura.