Jump to ratings and reviews
Rate this book

O Casamento

Rate this book
O único romance de Nelson Rodrigues, publicado em 1966, e proibido pelo ministro da Justiça do governo de Castello Branco por ser considerado subversivo e indecoroso, conta a história de um noivo que é flagrado em um incidente homossexual. Esse é o ponto de partida para o mestre Nelson Rodrigues desfilar sua genialidade irônica e o humor negro tão característicos de sua narrativa.

372 pages, Paperback

First published January 1, 1966

22 people are currently reading
473 people want to read

About the author

Nelson Rodrigues

110 books256 followers
Nelson Falcão Rodrigues (August 23, 1912 – December 21, 1980) was a Brazilian playwright, journalist and novelist. In 1943, he helped usher in a new era in Brazilian theater with his play Vestido de Noiva (The Wedding Dress), considered revolutionary for the complex exploration of its characters' psychology and its use of colloquial dialog. He went on to write many other seminal plays and today is widely regarded as Brazil's greatest playwright.

Nelson Rodrigues was born on August 23, 1912 in Recife, the capital of the Brazilian state of Pernambuco, to Mario Rodrigues, a journalist, and his wife, Maria Esther Falcão. In 1916, the family moved to Rio de Janeiro after Mario ran into trouble for criticizing a powerful local politician. In Rio, Mario rose through the ranks of one of the city's major newspaper and, in 1925, launched his own newspaper, a sensationalist daily. By fourteen Nelson was covering the police beat for his father; by fifteen he had dropped out of school; and by sixteen he was writing his own column. The family's economic situation improved steadily, allowing them to move from lower-middle class Zona Norte to what was then the exclusive neighborhood of Copacabana.

In less than two years the family's fortunes would be reversed spectacularly. In 1929, older brother Roberto, a talented graphic artist, was shot and killed at the newspaper offices by a society lady who objected to the salacious coverage of her divorce. Devastated by his son's death, Mario Rodrigues died a few months later of a stroke, and shortly after that the family newspaper was closed by military forces supporting the Revolution of 1930, which the newspaper had fiercely opposed in its editorials. The ensuing years were dark ones for the Rodrigues family, and Nelson and his brothers were forced to seek work at rival newspapers for low wages. To make matters worse, in 1934 Nelson was diagnosed with tuberculosis, a disease that plagued him, on an off, for the next ten years.

During this time Rodrigues held various jobs including comic strip editor, sports columnists and opera critic. In 1941, he wrote his first play A Mulher Sem Pecado (The Woman Without Sin), to mixed reviews. His following play, Vestido de Noiva (The Wedding Dress), was hailed as a watershed in Brazilian theater and is considered among his masterpieces. It began a fruitful collaboration with Polish émigré director Zbigniew Ziembinski, who is reported to have said on reading The Wedding Dress, "I am unaware of anything in world theater today that resembles this." In the play, set while the female chief character is hit by a car in the street and undergoes surgery, the stage is divided in three planes: one for real life action happening around the character, another for her memories, a third for her dying hallucinations. As the three planes overlap, actual reality melds with memory and delusion[1].

Rodrigues's next play, 1946 Álbum de família (Family Album)- the chronicle of a semi-mythical family living outside society and mired in incest, rape and murder - was so controversial that it was censored and only allowed to be staged 21 years later.

In all, Rodrigues wrote 17 full-length plays. They include Toda Nudez Será Castigada (All Nudity Shall Be Punished), Dorotéia, and Beijo no Asfalto (The Asphalt Kiss, or , better, The Kiss on Asphalt[2]), all considered classics of the Brazilian stage. His plays are frequently divided in three groups: Psychological, mythical and Carioca tragedies. In his Carioca tragedies Rodrigues explored the lives of Rio’s lower-middle class, a population never deemed worthy of the stage before Rodrigues. From the beginning his plays shocked audiences and attracted the attention of censors.

In spite of his success as a playwright, Rodrigues never dedicated himself exclusively to theater. In the 1950s, besides writing the hugely successful column A Vida Como Ela É (Life As It Is), he also wrote soap operas, movie scripts, a

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
267 (33%)
4 stars
314 (38%)
3 stars
165 (20%)
2 stars
39 (4%)
1 star
24 (2%)
Displaying 1 - 30 of 81 reviews
Profile Image for Paul Pelzers.
20 reviews
November 14, 2015
I am dutch guy who tries to read a little portugese language. I thought the book would add something to my learnings. It was a nice book. Nelson Rodigues speaks the language of the people. I learned a lot. I enjoyed it very much reading.
Profile Image for Paula Cruz.
Author 17 books245 followers
December 10, 2016
Dificílimo resenhar este livro. Na verdade, é difícil resenhar qualquer a obra de Nelson Rodrigues num geral. É inegável que ele foi/é o maior dramaturgo brasileiro, mas gente. GENTE. É cada tema cabeludo, nojento, tenebroso. Entendo que a ideia seja chocar os moralistas, mas, de alguma forma, tem algo no discurso do texto em si que é tão tão machista, misógino, homofóbico e preconceituoso que é impossível não separar da própria opinião do Nelson Rodrigues. Muitos dos acontecimentos desse livro se dão por causa disso, inclusive. Me pergunto se uma mulher escreveria como ele escreve (respondo prontamente que: não). Sem contar que, né, ele era conservador pra diabo e inclusive apoiou a ditadura (mas só até censurarem o livro dele, risos!!, daí ele falou de liberdade de expressão, fez carta aberta pro globo, etc).

Ainda assim, é uma leitura que você não quer largar, porque, por mais que tudo ali seja muito absurdo e horrível, é extremamente... real? Ou pelo menos o Nelson é tão bom escrevendo que tudo ali é super verossímil. Dá a sensação de que poderia acontecer em qualquer família. É um livro que choca, que apela, e em alguns momentos chega a ser escatológico. De certa forma eu já estava preparada para ler este livro, pois já li duas ou três peças do autor antes, porém... "O casamento" leva as coisas a outro nível. pqp.
Profile Image for João Barradas.
275 reviews31 followers
May 14, 2021
O casamento é um acto sacramental, em que um compromisso, entre duas pessoas, é selado, sob testemunha de uma multidão. Uma espécie de orgia mais recatada, com benção divina. Não passa, porém, de um contrato, com muitas cláusulas, que tem o seu apogeu na célebre expressão: "Se alguém se opõe a este matrimónio, fale agora ou cale-se para sempre". E quando realmente há esse alguém? Ou vários?

Nelson Rodrigues é o nosso organizador de eventos, acumulando funções de cicerone. Apresenta uma família de requinte, chefiada por um homem de negócios "de bem". Ora, na véspera de um acontecimento desejado, como o casamento da filha amada, este pai, dono de uma aparente moral íntegra e casta, fica a saber que o seu futuro genro foi apanhado na devassa "mijada", com outro homem. Conseguirá passar um paninho quente sobre o assunto? Sabe-se, no entanto, que no melhor pano cai a nódoa e, por muito que o tecido estique, ela alastra-se por todo o lado, não deixando ninguém incólume.

Ao por o dedo em tantas feridas da sociedade, este não é um livro morno - a chama ascende aos céus, consumindo um oxigénio inesgotável. Constitui uma clara crítica a uma sociedade de aparências e brandos costumes, calcando temas incómodos (para a época!?), como - respirar fundo - incesto, violação, traição, onanismo, pederastia. Apesar disso, a leitura acaba por fluir devido aos diálogos constantes ou à coriza que achaca tudo e todos. Um livro cómico não aconselhável para os púdicos - ou, porventura, exactamente direccionado para eles.
Profile Image for Lúcia Fonseca.
301 reviews54 followers
March 21, 2021
Fui para esta leitura alertada pelo Álvaro do Literacidades que a história teria "bolinha vermelha" e se não fosse ele provavelmente nunca teria chegado a esta história. Não consigo avaliar se tal me despertou mais curiosidade ou não em relação ao livro, mas o que é certo é que desde o início estive com uma atenção redobrada nesse sentido.

A história que culmina no casamento de Glorinha, é sem dúvida um verdadeiro "mind blowing". Nenhuma personagem "fecha bem a cancela" ali. Nunca tinha lido algo tão escabroso e retorcido. A todo o instante tive a sensação de estar a acompanhar uma novelice autêntica!
Durante a leitura pensei constantemente no que as personagens desta história poderiam considerar ou não normal e a ligeireza com que lidavam com certos acontecimentos.

A princípio o ritmo da narrativa é rápido e há sempre algo a acontecer com um toque de tragicomédia exagerado, mas ainda antes de chegar a meio já tudo me parecia repetitivo e exagerado. Posso dizer que sofri um pouco com esta leitura.

Se querem ler algo completamente "fora da caixa" apostem neste livro.
Profile Image for Cláudia.
Author 7 books77 followers
October 21, 2016
Apesar de ser totalmente NÃO meu estilo, esse livro me fisgou da primeira à última página num desespero que só a literatura causa: o de chegar ao fim da história, por mais terrível que seja. Personagens imorais, diálogos que mais parecem saídos de uma pornochanchada de quinta, e ainda assim, deslumbrante e profundo.

Só não é cinco porque rolam uns lances que não tolero muito, mas no geral, excelente.
Profile Image for Paulo Rodrigues.
254 reviews18 followers
February 1, 2023
O Casamento de Nelson Rodrigues
" Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura é, realmente, a minha óptica de ficcionista.
Sou (e sempre fui  ) um anjo pornográfico"
Na véspera do casamento de sua filha Glorinha , Sabino é informado que o seu genro beijou outro homem . Depois desta notícia a vida dos envolvidos fica virada do avesso e o que se segue abala tudo e todos ...

  Escrito em 1966, em plena  ditadura militar Brasileira  que confiscou o livro por constituir < um atentado contra a organização da familia >
O romance “O Casamento” funciona como uma crítica à alta sociedade. Nelson Rodrigues  usa   temas populares e atraentes aos olhos dos   leitores, como paixões amorosas, relacionamentos familiares para no decorrer da obra, transformar a história no  oposto das   premissas iniciais.
Os temas populares vão dando lugar a assuntos tabus na época como incesto, adultério e homossexualidade, o autor despe as capas  da sociedade e expõe  toda a natureza humana ,  desejos sexuais incontroláveis, egoísmos, violência e falsidades, O sexo é aqui narrado quase como uma  obsessão constante na obra, expressa por meio das atitudes e dos pensamentos mais recônditos das personagens, que por sua vez rompem com todos os estereótipos sociais á época.

Se por um lado pode haver um  certo exagero na  forma  crua das descrições  retratadas,  por outro,  são situações  muito comuns na  sociedade da época, e desse modo de uma forma brilhante o autor faz uma   crítica à realidade política e  social.
Um Livro que gostei muito, adoro aquelas expressões tipicas Brasileiras que estão por toda a obra de uma forma magistral e muito divertida .
4.5 estrelas
Profile Image for Vouateali.lerumlivro.
72 reviews3 followers
February 17, 2024

A palavra que melhor define este livro é Perturbador!

A mente do Sabino estava sempre perdida em milhares e milhares de pensamentos.
No presente, no passado, numa coisa, noutra a um ritmo incrível.

Os acontecimentos deste livro são de uma estranha volta á cabeça.
Via-me perdida no meio dos seus mil pensamentos.

Cada desenrolar de frase acontece uma coisa sórdida difícil de imaginar sequer. Fiquei presa a este livro.

Que histórias, que dois este Sabino e a sua filha Glorinha fiquei em choque algumas vezes confesso que não estava à espera de algumas frases e acontecimentos.

Este é sem dúvida um livro que não vou esquecer!
Profile Image for Paulo Vinicius Figueiredo dos Santos.
977 reviews12 followers
February 1, 2017
Ao terminar esse livro, lembro-me de ter fechado o livro por 5 minutos e olhado para o teto, reflexivo. Pensei: como fazer uma resenha deste romance. Como expressar em palavras a escrita realista de Nelson Rodrigues, ao mesmo tempo em que eu colocava o meu absoluto desgosto por seus personagens. Por favor, gente, o livro não é ruim. O autor não escreve um romance para que você goste dos personagens. Suas histórias servem para mostrar o lado obscuro do homem, aquele que não revelamos abertamente. Não é para você gostar do romance; é para você refletir sobre ele. E aí vem o meu dilema: eu não gostei de O Casamento. Não porque seja um romance ruim, mas porque ele faz com que você olhe para dentro de si e se veja frente a frente com o que temos de mais abjeto.
Todos os personagens são desagradáveis. Não tem um ali que você possa elogiar por algum motivo. E eu acho que essa virada na forma de construir os personagens é o que faz o autor tão interessante. A história começa de uma maneira normal, apresentando o cotidiano de Sabino. Vemos que ele é um burguês típico, que pisa em seus funcionários. Mas, até mais ou menos o final do primeiro terço da obra, ele não tem grandes problemas. Mas, a partir de seu contato com Noêmia é que vemos o início da degradação. E acho que é isso que O Casamento se destaca: pouco a pouco ele vai enfiando o leitor na lama. Começa devagar e vamos nos afogando no que há de pior no ser humano pouco a pouco. No final, eu me senti desesperado para sair daquilo, para encontrar terra firme, mas o autor pegava a minha cabeça e enfiava mais fundo. Acho que o golpe final foi a conversa de Glorinha com sua mãe, Eudóxia comentando sobre o passeio com o pai no Vidigal. Ah, sim... o momento entre Xavier e Noêmia logo em seguida também foi um baque violento. E a maneira como aconteceu.
Só que eu achei que o autor exagera um pouco nesse ponto. Para criar o efeito da reflexão no leitor, os personagens são muito over the top. Eles não possuem características positivas (pelo menos não algo que salte aos olhos) e suas características negativas são muito altas. Incomoda... Provavelmente é o estilo do autor, algo proposital para causar o choque. Entretanto, isso tira um pouco da verossimilhança. Mesmo com todos os nossos defeitos, não somos tão abjetos assim. Porque não existe a possibilidade da redenção na obra do autor. Quando chegamos ao final, não há um final positivo. O momento em que Sabino entra no Instituto Médico Legal é aquele final que o leitor dá aquele sorrisinho maroto meio de lado. Ele não se redimiu daquilo que aconteceu ao longo da trama. E nem foi punido por tal. O encerramento é uma fuga, se formos analisar a partir de um aspecto psicológico.
Nelson Rodrigues não se preocupa em construir uma ambientação muito específica. Eu gostei da naturalidade dos ambientes: o escritório, a casa, a igreja, o quartinho. O que eu achei um pouco complicado foram as localidades que o autor emprega. Eu já morei no Rio de Janeiro e sei onde é a Haddock Lobo, a rua dos Jangadeiros, a Rua Viveiros de Castro. Eu sei porque conheço os locais. Mas, para alguém que nunca morou no RJ, são lugares indiferentes. Pelo que eu entendi, Nelson Rodrigues queria que o leitor visualizasse os lugares tentando captar a dicotomia entre um lugar abastado e outro decadente. Por exemplo, a rua Haddock Lobo é um lugar central que fica logo abaixo do viaduto Paulo de Frontin. Normalmente tem uma série de prédios antigos onde ficam escritórios e pequenos quartos e quitinetes. Quando Sabino leva Noêmia até esse quarto, o autor localiza para fornecer a impressão de utilitarismo que o protagonista quer com a personagem. Ou seja, o lugar é um antro onde o protagonista leva mulheres para transar. A decadência da localização aliado ao uso do lugar. Eu retirei isso da cena porque eu conhecia o lugar. Um leitor de outro Estado não terá essa impressão. Se eu posso usar alguma expressão, é um "regionalismo" voltado para o cotidiano do carioca.
Alguns leitores podem ficar um pouco incomodados com o excesso de diálogos na obra. A leitura fica até rápida devido às conversas que os personagens fazem. Tem capítulos que são formados quase que inteiramente com travessões. O que o leitor precisa ficar atento é que Nelson Rodrigues escreveu inúmeras peças de teatro e para a TV. Portanto, muito da linguagem empregada pelo autor em seus livros é derivado desse contato com outras mídias. Quase tudo que o autor produziu foi transportado para o teatro e para a TV. Portanto, seus livros são quase como roteiros dessas mídias. Até os momentos em que ele faz alguma descrição é como se ele imaginasse a posição da câmera e a disposição dos personagens no cenário. Dessa forma, a sua escrita condiz com a ocupação do autor.
Recomendo o livro com reservas. Acho que o leitor precisa estar no humor ideal para lê-lo. É um livro complicado de ler por conta das ações de seus personagens. Toca fundo em nossos corações e pode te deixar um pouco revoltado com o que ocorre na trama. Mas, ao mesmo tempo, é um mergulho na hipocrisia que é a bela e linda família burguesa. Aquela família de comercial de Doriana.
Profile Image for Omar Freire.
23 reviews1 follower
August 23, 2016
Li "O Casamento" como recomendação da TAG - Experiências Literárias para o mês de agosto. O primeiro livro que eu li de Nelson Rodrigues foi "Vestido de Noiva", um dos melhores que eu já vi. Começo a resenha com essa referência porque, em "O Casamento", Nelson Rodrigues volta a mergulhar na mente das suas personagens para desenterrar tudo que está guardado no seu inconsciente. A influência da psicanálise na obra rodrigueana é um dos pontos que mais me interessam por aumentar a complexidade das personagens. É clara a luta do consciente para negar aquilo que o inconsciente guarda, mas que seria moralmente incorreto segundo os valores da maioria.

Sabino, personagem principal, é usado para criticar a figura do "homem de bem" (expressa e reiteradamente mencionado no livro), que muitas vezes conta com destaque social, mas não passa de um sujeito hipócrita e preconceituoso. De fato, ao longo da história, vemos que Sabino era preconceituoso (homofobia), hipócrita e, ainda, incestuoso. Digo hipócrita porque, logo no início, ele critica e repreende uma parenta que trai o marido às claras e depois repreende a esposa, Eudóxia, por achar o fato engraçado. Ao mesmo tempo, trai a própria esposa quando que esta está com "incômodo" e encontra aí a justificativa para o adultério. Para completar, o desejo incestuoso pela filha Glorinha vem à tona às vésperas do casamento, talvez pela perspectiva de "perdê-la" para o noivo pederasta. Mas não consegue admitir para si mesmo e fica repetindo que não deseja o incesto.

Em Glorinha, por sua vez, Rodrigues volta a apresentar a figura da mulher sexualmente reprimida, assim como o fez com Alaíde em Vestido de Noiva, quando esta tem alucinações com Madame Clessi, uma prostitua de luxo do início do séc. XX e cujos diários foram lidos por Alaíde. A diferença é que, em O casamento, o desejo de liberdade sexual é mostrado de maneira mais sutil, quando Glorinha afirma sentir uma atração pelas mulheres da "Zona" e ao se entregar a Antônio Carlos (que não era o noivo rs).

Quanto ao texto, em sim, é cheio de diálogos, tornando a leitura bastante rápida e fluida, com frases marcantes de Nelson Rodrigues. Além disso, o autor não tem vergonha de empregar linguagem bastante vulgar quando é preciso, aproximando suas personagens da fala do dia-a-dia.

Por tudo isso, não me admira que ele tenha sido tachado de "pornográfico" e "imoral", ainda mais considerando que o livro foi publicado pela primeira vez em 1966, numa sociedade ainda mais conservadora que a de hoje.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Margarida Galante.
468 reviews44 followers
September 26, 2021
Este livro é a P@ da loucura! Não o consegui largar, sempre a pensar onde é que tudo aquilo iria parar. Uma novela onde há de tudo: ricos, pobres, padres tarados, adultério, incesto, pedofilia....
Escrito em 1966 e alvo de censura após a sua publicação, por atentar contra a instituição tradicional da família e ser indecoroso.
Ou se ama ou se odeia.
Muito cómico, mas não aconselhável às mentes mais puritanas ou impressionáveis.
Profile Image for Érica Siqueira.
3 reviews3 followers
December 27, 2012
Nelson Rodrigues sempre vale a pena.
Cada capítulo parece ser uma de suas crônicas, observações de pequenas coisas que podem se transformar em grandes pavores pra pessoas, um pé, uma meia, um cheiro e até uma palavra feia: esculhambação.
Nada previsível e muito interessante. Mas, não indico aos religiosamente corretos
Profile Image for Cicero Marra.
354 reviews23 followers
September 4, 2021
"O Casamento" é, entre várias outras coisas, um romance sobre o amontoado de neuroses que é a sexualidade no mundo moderno. O sexo está em todo o lugar e mesmo assim o ato nunca acontece, ou acontece apenas quando motivado por alguma compensação, alguma tara ou recalque.
Profile Image for Márcio.
684 reviews1 follower
August 17, 2021
É batata que a dramaturgia criada por Nelson Rodrigues sempre causava alvoroço e em seu romance publicado em 1966, o autor/dramaturgo/jornalista não deixou por menos, escancarando sua critica à sociedade e suas instituições, como o fez Eça de Queiroz em Portugal no século XIX.

Na véspera do casamento de Glorinha, o pai da jovem, "Dr." Sabino, rico empresário do ramo imobiliário, recebe a visita de Dr. Camarinha, ginecologista de todas as mulheres de sua família, o qual confessa ao pai da noiva que o futuro genro é homossexual, pederasta, homem que gosta de beijar homens. A partir de então, uma sucessão de fatos vão se acumulando, escancarando as pulsões sexuais dos diversos personagens da trama.

O romance tem alguma coisa de sua peça O beijo no asfalto de 1960, por partir de uma premissa parecida, apesar de me parecer que a sordidez de seus personagens alcance um tom ainda mais alto. Foi censurado em consequência da publicação do Ato O Ato Institucional nº 1.

Como canta Caetano Veloso, Narciso acha feio o que não é espelho. Quando olhamos no espelho e não gostamos do que vemos, nossa tentação é afastá-lo. E o mesmo pode-se dizer da sociedade, que não gosta que se lhe mostre a face real. Essa censura implícita da sociedade também acompanhou Hilda Hilst. Essas obras foram tratadas como menores, pornográficas. E no entanto, a obra de Hilst é belíssima, mas também a dureza realista de Rodrigues resplandece, falam do que é humano cada um a seu modo, recordam-nos que somos animais racionais, mas que como animais ainda temos instintos, que a sexualidade, o sexo não é algo fora de nós, mas é parte de nós. Apenas para exemplificar, em O caderno rosa de Lori Lamby é-nos mostrado claramente como nosso pré-julgamento antecede o real conhecimento dos fatos. Atiramos todas as pedras para somente depois questionarmos a justeza ou não do ato. Em O beijo no asfalto, a partir de um beijo de misericórdia, de compaixão que o noivo dá a pedido de um homem que acabara de ser atropelado e que pedira aquele gesto de humanidade, torna-se em sua ruína, uma vez visto e utilizado por pessoas que queriam fazer proveito da situação.

Rodrigues, assim como Hilst, são atualíssimos. Utilizando a arte, conseguiram mostrar-nos nossa sordidez. E ainda nos fazem rir dessa mesma sordidez.

Profile Image for Tânia Gomes.
48 reviews1 follower
April 12, 2021
"... todos nós devemos assumir a nossa miserabilidade. (...) O homem e a mulher devem juntar as próprias chagas."
Profile Image for Maria.
4 reviews
Read
January 8, 2026
Quando você acha que não dá pra piorar Nelson Rodrigues te surpreende
Profile Image for Jhones Rocha.
107 reviews10 followers
February 27, 2017
Nelson Rodrigues nos leva ao extremo da realidade literária fazendo algo magnífico: transformando a leitura em algo cru e real. A narrativa em volta do casamento de Glorinha e a forma como tudo se encaixa e é conectado é fantástico.
Apesar disso, as cenas de o casamento são chocantes e vívidas. Precisa-se de estômago para esse livro!
Profile Image for Roberta Velanga.
23 reviews
May 15, 2011
Nelson Rodrigues é fantástico, você começa a ler e não para até acaber o livro. Seu único romance, muito trabalhado no diálogo e no interior doas personagens. Vale muito a pena.
Profile Image for Andrea Nunes.
79 reviews3 followers
August 30, 2016
Não é à toa que este livro tenha sido vítima da censura em 1966. Incesto, homossexualidade é hipocrisia social são os temperos da trama, que faz uma crítica à sociedade burguesa da época. Gostei!
Profile Image for Caroline Caldeira.
46 reviews4 followers
August 22, 2016
Perturbador...a narração te prende com seus diálogos curtos e também com cenas breves.
Profile Image for Miriam.
46 reviews1 follower
August 28, 2016
I like NRodrigues mainly for his chronicles. I do not like very much his theater production - I read most of it and watched the plays, thus this novel was a surprise. A great book!
Profile Image for Daniela Pisetta.
24 reviews1 follower
September 15, 2016
Para ser lido num par de horas num único fôlego. Aterrador. Polêmico. Subversivo. Ideal para a casta e moralista sociedade brasileira do século XXI.
Profile Image for Ana Tavares.
17 reviews
August 23, 2017
Deliciosamente atrevido, o anti-politicamente correto. Gostei muito!
Profile Image for Zé Carlos.
288 reviews2 followers
September 24, 2023
4,5

Polémico.
Cómico.
Caótico.
… e o importante é o casamento.

Muito bom.
Profile Image for Fernanda Matias.
12 reviews
March 10, 2021
Este livro foi publicado em 1966, ano da ditadura militar no Brasil. Perante os temas abordados neste romance acredito que Nelson Rodrigues pretendia denunciar a imagem de família perfeita, de valores incontestáveis. Como previsto tornou-se um livro censurado. Nesta história, conhecemos Sabino dono de uma imobiliária, casado com a D. Eudoxia, pai de Glorinha a sua preferida de 4 filhas. Esta narrativa passa-se na véspera do casamento de Glorinha, dia que Sabino recebe a visita do Dr. Camarinha, o ginecologista da mulher e das filhas, vem contar-lhe um episódio que terá passado no consultório. O Dr. Camarinha apanhou o seu futuro genro aos beijos ao seu assistente. “- Vi teu genro, o Teófilo, beijando na boca o meu assistente. Meu assistente, aquele rapaz que você conhece, o Zé Honório. Ninguém me contou, eu vi. entrei de repente, na sala de curativo. E vi”. Como o dr. Camarinha tem em boa conta o sr. Sabino e este sendo um homem de bem certamente tomará a atitude certa.“- Sabino! Eu te conheço há 30 anos. E, durante esses 30anos, você me disse, umas quinhentas vezes, que é um homem de bem.” Ao longo da narrativa temos um Sabino que não saberá qual a atitude certa a tomar. Vê-se confrontado com a dúvida, será o seu futuro genro homossexual? Deverá contar a Glorinha? Deverá cancelar o casamento, onde já gastou milhões? Como deverá proceder junto da sociedade? “Sabino andava de um lado para o outro. Começou a desconfiar que o outro se divertia à sua custa. Teve um comentário interior: «Puta que o pariu!». E, de repente, começou a sentir o desespero (até ao final):- É muito bonito falar em dever. Mas estamos na véspera do casamento. Na véspera! E sabe quanto já gastei? Não sou rico. Ganho bem, relativamente, mas não estou rico. Fiz despesas do arco-da-velha. E, de repente, vem esse filho-da-puta e me faz esse papel? Não é o dinheiro, claro. Eu daria até o último níquel para não viver esta situação.” Ao longo da leitura somos bombardeados com o mais pérfido da natureza humano, preconceito, desejos sexuais, chantagem, violência, falsidade entre outros assuntos mais sórdidos que podem passar na mente humana e Nelson aborda de uma forma bem perspicaz. É uma leitura fundamental, nos dias que correm ainda existem muitas pessoas que vivem numa redoma de preconceito em que meio mundo está defeituoso. No fim desta leitura concluo que não são os outros que estão errados, mas nós que não evoluímos, somos nós que necessitamos de uma reparação. As relações humanas são complexas, é importante refletirmos nos nossos atos.
Displaying 1 - 30 of 81 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.