Intenso! Um pouco de loucura, uma clara angustia do personagem completamente perdido, sem rumo mas com alguns momentos de lucidez onde ele tenta se encontrar e questionar o sentido da vida. O livro é escrito de uma maneira que dá um ritmo fantástico para as experiências contadas, você se sente no meio desse turbilhão de sentimentos, um pouco confuso as vezes, inclusive algumas frases pela metade como se estivesse "de porre" (o que acontece um bocado com Eduardo) e só entendesse algumas partes do que as pessoas ao seu redor falam.
"Há uma fresta em minha alma por onde a substância do que sou está sempre se escapando mas não vejo onde nem porquê. Depressa, não há tempo a perder."
"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro."
"Sentia-se inseguro como no instante de se atirar na piscina em dia de competição. Mas isto não era nada: era um estado permanente de angústia, crônico, suportável – era a fragilidade do ser diante da brutalidade e da crueza da vida, mas era ainda a vida, o existir e se saber presente. A evasão da realidade, o vórtice negro em que se sentira cair ali na janela, como num poço, é que era a angústia, o desespero, a negação de si mesmo – o não-ser, o vazio, o nada."
"Não tinha dúvida, humanizava-se: algum tempo antes as coisas eram piores, ele era pior. Algum tempo antes sofria, sim, mas sofria mal, atropeladamente, o próprio tempo aos poucos ia-lhe ensinando a sofrer melhor."
"De maneira que todos se arranjavam, se acomodavam às exigências da vida, abriam com
o corpo sua passagem, iam vivendo. O tempo já não tinha importância: não se contava senão em anos, para que se pudesse ver a curva dos dias com mais perspectiva, já convertidos em experiência..."