Nesta obra, o geógrafo Milton Santos defende a idéia de que é preciso uma nova interpretação do mundo contemporâneo, uma análise multidisciplinar, que tenha condições de destacar a ideologia na produção da história, além de mostrar os limites do seu discurso frente à realidade vivida pela maioria dos países do mundo. A informação e o dinheiro acabaram por se tornar vilões, à medida em que a maior parte da população não tem acesso a ambos. São os pilares de uma situação em que o progresso técnico é aproveitado por um pequeno número de atores globais em seu benefício exclusivo. Resultado - aprofundamento da competitividade, a confusão dos espíritos e o empobrecimento crescente das massas, enquanto os governos não são capazes de regular a vida coletiva. Apesar disso, Milton Santos reconhece o começo de uma evolução positiva nas pequenas reações que ocorrem na Ásia, África e América Latina. Talvez pode ser este o caminho que conduzirá ao estabelecimento de uma outra globalização. A proposta deste livro é levar uma mensagem de esperança na construção de um novo universalismo, menos excludente.
Milton changed his world, by studying and teaching, onto an impressive path. He studied and he taught in Europe, America and Africa. He turned the painful exile that the military dictatorship imposed on him for thirteen years into benefits. Milton Santos wrote more than forty books in several languages; his work became a reference for all those who intend to understand in a critical way the current world. He was such an optimistic thinker, before anything else, that he got to distinguish the new from the innovative, concepts that he radically differentiated.
A serious and combative geographer, he didn't spare anyone of severe criticism -- politicians, intellectuals, department friends, and even the more faithful students. Gray hair appeared in his last years, but the professor would always appear in long-sleeve shirts and red tie, dressed with the same seriousness with which he worked with knowledge.
Some of his books include "Por Uma Geografia Nova" (1978) and "A Natureza do Espaço" (1996). His work "O Espaço Dividido" is considered a geography classic: in it Santos develops a theory on urban development in underdeveloped countries.
Milton Santos won the Vautrin Lud International Geography Prize, which is the highest award that can be gained in the field of geography. The award is modelled on the Nobel Prize, and it is considered and colloquially called the Nobel prize for geography.
No documentário “O Mundo Global Visto do Lado de Cá”, Milton Santos afirma ser um intelectual marxista não ortodoxo. Esse posicionamento acadêmico aparece em sua análise sobre a globalização no livro POR UMA OUTRA GLOBALIZAÇÃO primeiramente no viés materialista adotado, conferindo relevo, portanto, à dimensão econômica deste processo. Por esse motivo, as trocas comerciais — sobretudo aquelas estabelecidas assimetricamente entre o “mundo do norte” e o “mundo do sul” — aparecem como pilares para compreensão das desigualdades encontradas no globo. Isso nos leva ao segundo aspecto a ser elencado a respeito de seu posicionamento acadêmico que é precisamente a centralidade analítica conferida aos conflitos encontrados no processo de globalização. Para tal, Milton Santos faz uso de pares ambivalentes como “mundo do norte” X “mundo do sul”, “neoliberalismo” X “bem estar social”, “pensamento único” X “consciência universal”, “política dos estados” X “política das empresas” e “cultura de massa” X “cultura popular” para caracterizar a globalização. Ainda influenciado pelas ideias marxistas, ele vê nesses conflitos a força motriz para a mudança social, pois tenderiam, por meio de um movimento dialético, a uma resolução em favor do estabelecimento de uma nova ordem superior à anterior, uma síntese. Em termos distintos, a contradição contida na coexistência de um “mundo fabuloso” e um “mundo perverso” — tese e antítese — impulsionaria uma mudança em direção a uma “fase popular” ou a uma “globalização possível” cujas diretrizes encontrar-se-iam na intervenção estatal de modo a remontar as políticas de bem estar social, sobretudo nos países periféricos, e na retomada da participação popular, por meio de movimentos sociais e da reafirmação identitária típica da cultura popular.
II. O “mundo do norte” e o “mundo do sul”
De acordo com Milton Santos, a globalização divide o mapa em “mundo do norte” e “mundo do sul”, cujos contornos são delineados por fatores econômicos, sociais e históricos. Historicamente, o “mundo do norte” é formado por países que durante a fase de expansão territorial da globalização foram grandes impérios colonizadores. Tais nações estabeleceram, desde já, uma relação de dominação em relação ao “mundo sul”, que ocupava a posição de mero fornecedor de matéria-prima para as indústrias que se desenvolvem ao norte, notadamente na Inglaterra, na Alemanha, na Holanda, na França e nos Estados Unidos. Segundo Milton Santos, durante todo século XIX, o “mundo do norte” era portador das técnicas mais avançadas da produção material, dos transportes, das comunicações e do dinheiro, com impérios que regulavam a produção própria e a das suas colônias — na África, na Ásia e nas Américas —, o comércio entre estas e os outros países, o fluxo de produtos, mercadorias e pessoas, o valor do dinheiro e as formas de governo. Ao longo do século XX, após o processo de descolonização, o “mundo do sul” se industrializa tardiamente, mas de forma dependente, pois passa a depender da atuação de grandes empresas multinacionais, cujas sedes encontram-se no “mundo do norte”. Ou seja, findado o processo de colonização, em que a dominação de alguns países sobre outros acontecia “a olho nu”, o “mundo do norte” segue exercendo grande influência — e mesmo dominação — frente ao “mundo do sul”, porém de forma “velada” ou “disfarçada”, em uma fase da globalização que, segundo Santos, é caracterizada pela “fragmentação” porque, nas condições acima descritas, não há uma regulação possível ou esta apenas sagra alguns atores — mormente empresas de grande porte e instituições financeiras — que produzem uma ordem em causa própria, uma “desordem” que sequestra a autonomia dos países do sul e faz coexistirem no mesmo território, nem sempre pacificamente, interesses difusos. Instala-se, neste cenário, uma nova divisão internacional do trabalho, em que o norte torna-se líder no fomento à ciência e à tecnologia [inovação], enquanto o sul, mesmo industrializado, se mantém relegado a um papel de segunda ou terceira ordem [daí as expressões “terceiro mundo” ou “terceiro mundismo”, frequentemente acionadas por Milton Santos ao falar do Brasil e da América Latina], ao abrir as portas para grandes empresas multinacionais e submeter-se a prescrições de acordos internacionais liderados pelo “mundo do norte”, como o Consenso de Washington, responsável pela adoção de medidas de austeridade fiscal em toda a América Latina ao longo da década de 1990.
III. O mundo como fábula, como perversidade e como possibilidade
Logo no início do livro, Milton Santos afirma que a globalização tem três dimensões: (i) o mundo como fábula; (ii) o mundo como perversidade e (iii) e o mundo como possibilidade. O mundo como fábula, seria o “mundo como nos fazem crer”, uma narrativa que enfatiza a intensificação das conexões globais — que daria origem à “aldeia global” prevista pelo filósofo Marshall McLuhan — e o suposto encurtamento de distâncias, “como se o mundo se houvesse tornado, para todos, ao alcance da mão”. Milton Santos, no entanto, critica essa forma de narrar a globalização pois ela escamotearia a forma assimétrica com que acontecem essas interconexões. Em outras palavras, a fábula vela a dimensão perversa do processo de globalização que tende a acentuar as desigualdades, relegando uma parte significativa do globo — notadamente aqueles países aos quais ele se refere como “mundo do sul” — à pobreza, à fome e, quando muito, a um “desenvolvimento dependente” típico dos países que recebem indústrias estrangeiras em detrimento de ganhos tributários e trabalhistas. Assim, se aquela primeira dimensão da globalização dá relevo à simetria e à conexão entre os países, esta segunda aponta que o processo é assimétrico desde o processo de colonização [a fase de expansão territorial da globalização] e cria diariamente novas muralhas. A contradição posta entre fabulação e perversão — faces do mesmo processo — impulsionaria o mundo a uma “outra globalização”, donde advém a ideia de globalização como possibilidade, que buscaria sanar as mazelas geradoras de conflitos, especialmente no que se refere à primazia conferida às grandes empresas na definição das agendas políticas nacionais. Em suma, a globalização como possibilidade coincidiria com uma “fase popular da globalização” em que o povo tornar-se-ia ator protagonista, por meio de movimentos sociais e da afirmação identitária via cultura popular, solucionando o déficit democrático gerado pelo desmonte do Estado de bem estar social nas últimas três décadas.
IV. A “política das empresas” e o neoliberalismo
As grandes empresas ganham centralidade na análise de Milton Santos, isso porque elas poderiam por em xeque a importância dos Estados nacionais: passaríamos da “política dos Estados à política das empresas”. Nas palavras do autor, “a política agora é feita no mercado. (…) Os atores são as empresas globais, que não têm preocupações éticas, nem finalísticas”. Diante desse diagnóstico, o geógrafo busca mapear a lógica de atuação dessas grandes empresas. Com a globalização, sob égide do livre mercado, as empresas multinacionais podem escolher livremente onde e quando investir. Com isso, elas fragmentam sua linha de produção e criam filiais em diversos países, de modo a pagar menores salários e menores impostos, evitando, portanto, investir em países que gerem custos altos de produção. Atuando dessa forma, a “política das empresas”, cujo objetivo fundamental é a maximização dos lucros, passa a pautar a “política dos Estados”, apoiando propostas que levem à desregulamentação trabalhista — diminuição de salários, flexibilização de contratos, facilidades para demissão de funcionários — e à isenção fiscal que, em termos gerais, diminui a capacidade do Estado de financiar políticas sociais. Assim, as grandes empresas passam a exercer um papel de grande relevância nas eleições e nas políticas nacionais, pressionando salários para baixo, como no exemplo de El Salvador, mostrado no documentário, país famoso por suas “sweatshops” [fábricas de suor] em que os trabalhadores recebem um salário muito abaixo do mínimo necessário à sobrevivência. A título de ilustração, os operários envolvidos na produção de um tênis Nike, que nos EUA custam cerca de US$140, ganham US$0,24 a cada peça produzida. Essa discussão nos levaria a questionar sobre a perda da soberania nacional em face dos processos globais, como a atuação das grandes multinacionais e os organismos e acordos internacionais, que tendem a apoiar políticas de austeridade fiscal. Milton Santos argumenta que isso significaria, nos países periféricos, um déficit democrático que gera grandes crises de representatividade, como as verificadas em toda a América Latina ao longo da década de 1990: o sentimento de que o Estado não é do povo e para o povo, mas sim das grandes empresas e para as grandes empresas. Nas palavras do próprio autor, “(…) dentro de cada país, sobretudo entre os mais pobres, informação e dinheiro mundializados acabam por se impor como algo autônomo em face da sociedade e, mesmo da economia. (…) A instalação desses capitais globalizados supõe que o território se adapte às suas necessidades de fluidez, investindo pesadamente para alterar a geografia das regiões escolhidas. De tal forma, o Estado acaba por ter menos recursos para tudo que é social (…). Não é que o Estado se ausente ou se torne menor. Ele apenas se omite quanto ao interesse das populações e se torna mais forte, mais ágil, mais presente, ao serviço da economia dominante”.
V. Mídia e globalização
Segundo Milton Santos, a mídia global — a partir de condições técnicas progressivamente mais refinadas — produz fábulas e mitos, dentre os quais está a ideia de aldeia global, ou seja, a narrativa segundo a qual a globalização teria unido simetricamente todos os recantos do mundo, quebrando barreiras, quando na verdade estaríamos erigindo novas “muralhas do capitalismo”, agora simbólicas, que condenam áreas como o continente africano ao esquecimento. Outro mito propagado pela mídia seria o do espaço e do tempo contraídos, graças aos prodígios da velocidade. Mito porque a velocidade apenas está ao alcance de um pequeno número limitado de pessoas, com fácil acesso aos meios de comunicação e de transporte. Em termos gerais, o autor critica a mídia porque ela seria responsável por reproduzir uma narrativa fabulosa sobre a globalização que tenderia a perpetuar as desigualdades entre o “mundo do norte” e o “mundo do sul”: ela é apropriada, utilizada e manipulada por um punhado de atores — notadamente Estados e empresas materialmente hegemônicos — em função de seus objetivos particulares, impondo ideologias, como os preceitos do livre mercado, e estimulando o consumo em todo o mundo. Indo além, Milton Santos identifica um oligopólio formado por seis grandes agências de notícias capazes de pautar a política, a economia e demais agendas em todos os países do mundo — por meio da manipulação e da padronização das informações difundidas — de modo a instruir e convencer essas populações nacionais a agirem em conformidade com interesses economicamente hegemônicos.
VI. Cultura popular versus cultura de massa
Ao falar de uma globalização possível, “mais humana” e “democrática”, Milton Santos guinda o povo à condição de ator protagonista do que seria um período “demográfico ou popular” da história: a cultura popular apareceria como uma “revanche” sobre a cultura de massa. Segundo o documentário, poderíamos notar em toda parte, a presença e a influência de uma cultura de massas buscando homogeneizar e impor-se sobre a cultura popular; mas também, e simultaneamente, as reações dessa cultura popular. A cultura de massa tende a unificar, padronizar e homogeneizar seus “produtos” de modo a atender demandas de mercados, mostrando-se indiferente às heranças e à realidades locais. Essa conquista logra êxito em maior ou menor graus segundo lugares e sociedades, mas jamais é completa, pois encontra a resistência da cultura preexistente, popular. Com isto, Milton Santos indica que a cultura popular — um discurso dos “de baixo”, pondo em relevo o cotidiano e a linguagem dos pobres, das periferias — apresenta-se como uma revanche à padronização massiva, ainda que, para isso, faça uso dos instrumentos da cultura de massa, como o cinema, as técnicas de gravação de áudio, o rádio etc. Neste caso, os instrumentos da cultura de massa são reutilizados, mas o conteúdo não “global”, nem a motivação primeira é o mercado, pois a base do popular se encontra no território e na cultura locais. Esse sincretismo encontra exemplo no rap ceilandense, mostrado pelo autor: ele apresenta um fundo genuíno que encontra lastro na “quebra” ceilandense — e, por isso, cumpre papel de afirmação identitária ―, mas faz uso de técnicas de gravação e divulgação típicas da cultura massiva para fazer ecoar seu recado: “eu não sou de Brasília; sou da Ceilândia”.
VII. A questão da fome
Para Milton Santos, a questão da fome — a desigualdade entre o “grupo dos que não comem” e o “grupo dos que não dormem com receio da revolta dos que não comem” — não é ocasionada pela falta de alimentos. Intelectual marxista, Milton Santos acredita que a produção de alimentos cresce de forma proporcional ao crescimento populacional, pois a ampliação da força de trabalho fomentaria o crescimento da produção, de modo que sempre haveria alimento para todos. Assim, o problema da fome só poderia ser explicado em função da má distribuição de alimentos que — assim como o capital monetário — tendem a se concentrar nas mãos de alguns poucos [donos dos meios de produção que, em termos globais, se identificam com os países ricos]. Por esse motivo, o autor enfatiza que alguns países europeus já tomam medidas [como multas às empresas que produzem além da demanda] no sentido de conter o desperdício. A perspectiva malthusiana rivaliza com essas ideias pois postula que a produção de alimentos cresce em ritmo lento, em progressão aritmética, enquanto o crescimento populacional tende a evoluir de forma acelerada, em progressão geométrica. Assim, a fome seria explicada, segundo Thomas Malthus, pela insuficiência de alimentos e a única solução para uma crise alimentícia seria o controle demográfico.
O pensamento de Milton Santos abre as portas do novo milênio para que se desenvolva no Brasil e na América Latina uma nova cultura, onde a pluralidade de povos e de culturas é a abertura para um processo de decolonização e substituição da lógica racionalista individualista por uma lógica coletivista pluralista, unindo o conhecimento dos povos originários e da di��spora africana como um projeto de reconhecimento das muitas identidades latinas e do nosso envolvimento com a territorialidade e a natureza na América do Sul.
Milton Santos é um verdadeiro mestre da geografia. Por uma outra globalização é uma obra necessária para não só aqueles que estudam academicamente a área, mas para aqueles que querem entender como o processo da criação de um mundo global é excludente e criador de desigualdades.
Tendo dito isto, algumas críticas são necessárias (do meu ponto de vista). A linguagem é extremamente dura e a leitura árdua, sendo necessária reler diversas vezes uma mesma parte pra entender completamente o que foi dito. Isso pode ser, porém, um problema pessoal, por isso pretendo retornar ao livro futuramente para tentar entender mais a fundo as ideias do autor.
La globalización perversa es real. Nuestra acción en ella es real. En nuestras manos está el cambio. No tomemos una actitud pasiva ante semejantes alienaciones! Nadie puede luchar por vos, está en tus manos, en tu consciencia.
O livro faz um conjunto de críticas internamente consistente e completo à globalização, sem recair em um ludismo infantil de negar a importância e a potencialidade do avanço tecnológico. Destaque para a, mesmo hoje, pertinente discussão de como a uniformização dos conceitos de "eficiência" e de "racionalidade" constrangem tanto a autonomia dos indivíduos quanto a dos governos, uma vez que limita a possibilidade de explorar ideologias e racionalidades distintas da hegemônica.
Destaca-se que, apesar disso, o autor não chega a, efetivamente, dar uma resposta estruturada de como lidar com essas problemáticas decorrentes da globalização. Ainda que ele explore algumas soluções, isso é feito de maneira tangencial e, até certo ponto, genérica. Convém, para quem quiser explorar mais do pensamento do autor sobre essas questões, explorar o resto da obra de Milton Santos.
No mais, a fim de justificar estatisticamente as problemáticas oriundas da globalização, o autor, numerosas vezes, cita dados de aumento de pobreza, sobretudo em países pobres. Apesar disso, as estatísticas de pobreza, mesmo no ano de publicação do livro (2000), não são coerentes com o argumento do autor ( vide: https://data.worldbank.org/indicator/...). Mais relevante seria ter dado mais foco em dados de desigualdade, bem como aprofundar argumentos - e soluções - para a homogeneização limitante da globalização.
Sublinha-se, por fim, que, para o padrão de escrita do autor, a linguagem deste livro seja a mais acessível: a maioria dos períodos são curtos e objetivos; como há certa recorrência e redundância na apresentação dos argumentos, a ideia principal é facilmente absorvível. Excelente para estudantes secundaristas.
Esperança renovada na queda do capitalismo. Leitura, por vezes, monótona, com estilo mais académico.
"A primazia do homem supõe que ele estará colocado no centro das preocupações do mundo, como um dado filosófico e como uma inspiração para as ações. Dessa forma, estarão assegurados o império da compaixão nas relações interpessoais e o estímulo à solidariedade social, a ser exercida entre indivíduos, entre o indivíduo e a sociedade, e vice-versa, e entre a sociedade e o Estado, reduzindo as fraturas sociais, impondo uma nova ética (...)."
No livro, o geógrafo Milton Santos que foi e continua sendo umas das mentes mais inteligentes e respeitáveis do Brasil, defende a ideia de que é preciso uma nova interpretação do mundo contemporâneo, uma análise multidisciplinar, que tenha condições de destacar a ideologia na produção da história, além de mostrar os limites do seu discurso frente à realidade vivida pela maioria dos países do mundo.
Essa obra foi essencial para minha formação em humanidades, e deu um giro de 360° na minha vida. Milton é um autor imprescindível para quem busca entender os diversos espaços existentes.
Una crítica desde el sur a la globalización “vertical” centrada en el dinero y su carácter perverso, pero también visibilizando sus fragilidades como oportunidades para “otra globalización” más horizontal, centrada en el ser humano y basada en lo cotidiano, en la materialidad tecnológica y en una división del trabajo de abajo a arriba.
Inspirador e traz esperança para uma globalização possível e solidária… através da possibilidade técnica (tecnologia da informação) democratizada. Agora entendo pq todo mundo ama o Milton Santos.
Achei este livro muito repetitivo, mas creio que tal impressão se deva à ampla citação de seu conteúdo: tive a sensação de que era uma releitura. Faz bastante tempo que o li, mas lembro-me de o autor se propor a escrever um livro acessível ao público. Isto me parece impossível, pois a linguagem empregada é frequentemente poética, quase melódica. No mais, Milton é um dos grandes intelectuais do fim do século passado e cunhou conceitos relevantes ao entendimento do Brasil contemporâneo.
Livro curto e necessário, explica e levanta hipóteses sobre a globalização de maneira simples e didática. Como o próprio Milton diz, tem uma parte do livro que é pessimista e outra mais otimista, mas ambas são bem esclarecedoras e se complementam. Recomendo muitissimo.