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Esteiros

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Gineto, Gaitinhas, Malesso, Maquineta, tantos outros, são os operários-meninos dos telhais à beira dos esteiros do Tejo. Sujeitos à dureza do trabalho quando o conseguem arranjar, vadiando ou roubando para comer durante o resto do tempo, apesar de tudo - sonham.

Esteiros é um dos textos inaugurais do neo-realismo e um romance marcante da literatura portuguesa do século XX.

Soeiro Pereira Gomes nasceu em 1909 em Gestaçô, concelho de Baião. Estudou em Coimbra e posteriormente trabalhou um ano em África como regente agrícola. Mais tarde fixou-se em Alhandra, onde trabalhava como empregado de escritório de uma fábrica de cimento. A dureza da vida de funcionário comunista clandestino, durante os últimos anos da sua vida, contribui para o seu fim prematuro (morreu de tuberculose em 1949).

175 pages, Paperback

First published January 1, 1941

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About the author

Soeiro Pereira Gomes

11 books23 followers
Joaquim Soeiro Pereira Gomes nasceu em 1909, em Gestaçô, concelho de Baião, distrito do Porto.

Viveu em Espinho, dos 6 aos 10 anos de idade, onde recebeu a instrução primária e onde passou o Verão nos primeiros anos da sua vida.

Sendo filho de agricultores decidiu estudar na Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra, onde tirou o curso de Regente Agrícola, e, quando finalizou os estudos, viajou para Angola em 1930, trabalhando na Companhia do Catumbela , onde trabalhou por mais de um ano, regressando a Portugal em 1931, descontente com as condições de trabalho naquela província.

Quando regressou a Portugal, casou-se com a compositora Manuela Câncio Reis. Aos 22 anos fixou-se em Alhandra, onde vivia o seu sogro, como empregado administrativo na fábrica de Cimentos Tejo, onde começou a desenvolver um trabalho de dinamização cultural entre o operariado, organizando e dirigindo cursos de ginástica, colaborando na montagem de bibliotecas particulares, realizando conferências sobre temas culturais e desportivos e contribuindo largamente para a construção de uma piscina popular, em cuja obra trabalhou como operário.

Mas foi o seu trabalho como escritor que o tornou conhecido, sendo considerado um nome grande do realismo socialista em Portugal. Em 1939, começou a publicar escritos seus no jornal «O Diabo», à época uma publicação progressista que constrastava no panorama cinzento das publicações censuradas pelo fascismo.

Entre os seus trabalhos conta-se a obra Esteiros, escrita em 1940, publicada em Novembro de 1941, considerada a sua obra-prima, ilustrada, na sua primeira edição, por Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP, e dedicada «aos filhos dos homens que nunca foram meninos». É uma obra de profunda denúncia da injustiça e da miséria social, que conta a história de um grupo de crianças que desde cedo abandona a escola para trabalhar numa fábrica de tijolos.

Sabe-se que, em 1944,, terminou a redacção de Engrenagem. Devido à condição de militante comunista, Soeiro passa à clandestinidade em 1945 para evitar a repressão do regime de Salazar e continua a desenvolver o seu trabalho militante. Grande fumador acaba por ser vitima de cancro pulmonar (e não de tuberculose), agravado pelas dificuldades da vida clandestina. Impedido, pela clandestinidade, de receber o tratamento médico que necessitava faleceu a 5 de Dezembro de 1949, em Lisboa. Encontra-se sepultado em Espinho, terra que o acolheu durante a infância. Da sua sepultura consta o seguinte epitáfio "A TUA LUTA FOI DÁDIVA TOTAL".

As obras de Soeiro Pereira Gomes estão reunidas no volume 'Obras Completas'.

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519 (43%)
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39 (3%)
1 star
14 (1%)
Displaying 1 - 30 of 110 reviews
Profile Image for Luís.
2,384 reviews1,377 followers
July 12, 2023
Published in 1941, "Esteiros" has characters inspired by reality: Gaitinhas, Guedelhas, Gineto, Maquineta, and Sagui are "the children of men who were never boys"; the dedication of the author to open the novel. One of the most typical of the Portuguese neorealist movement, the work is written in an accessible but careful language, with simple sentences, privileging the direct discourse to give voice to the oppressed.
It's a poor, hopeless country where more than half the population is illiterate.
A work read in my childhood, in-school period, which I enjoyed re-reading.
Profile Image for Nelson Zagalo.
Author 15 books467 followers
October 6, 2018
Não é um grande livro, mas é uma grande obra. “Esteiros” foi publicado em 1941, como primeiro e único romance de Soeiro Pereira Gomes, num país em que a produção cultural era um luxo reservado a poucos, criava-se muito pouco e o que se criava focava-se mais na arte pela arte do que na realidade. A isso não era também alheio o facto de se viver sob um regime ditatorial que controlava a elite intelectual e todos os canais de veiculação cultural. Deste modo, se artisticamente podemos apontar várias falhas estilísticas à prosa de Soeiro, a sua audácia e inovação no plano nacional assim como o resultado que se imprime na leitura, fazem deste livro mais do que um documento vivo de um tempo da nossa história.

[imagem]
“Esteiros” (1941) relata a história de cinco meninos, entre os 10 e os 12 anos, na zona ribeirinha do Tejo, que deixam a escola para trabalhar e ajudar à sobrevivência familiar.

Saliento que Soeiro tinha até à data apenas escrito pequenos contos e crónicas para jornais. O estilo realista foi construindo-o pela escrita praticada para esses jornais, mas um romance não é mera crónica, é preciso algo mais do que o simples relato do que se vê. Por outro lado, Soeiro já tinha tido uma má experiência com um relato demasiado rente à realidade com o conto “O Capataz” (1935) proibido pela censura de então. Daí que “Esteiros” acabe por não se agarrar aos gritos de pobreza, nem às ideologias que a provocava, mas antes se fixe num grupo de crianças que viviam por sua conta, apontando aos seus sonhos sem contudo deixar de ilustrar o mundo e as condições em que viviam. O resultado é um romance neorrealista, uma tradição artística muito em voga na época, tanto na literatura como no cinema, e que procurava dar a ver e sentir a realidade mas do ponto de vista das comunidades mais pobres, ou sem voz na produção cultural. Uma espécie de tentativa de abrir uma janela sobre uma realidade que a sociedade em geral ignorava de forma consciente e muitas vezes até sem qualquer noção da sua existência.

Soeiro viria a ingressar no Partido Comunista Português pouco depois, daí que o partido sempre se tenha achado no direito de usar a obra em defesa dos seus valores, contudo “Esteiros” está longe de ser um panfleto partidário. A obra vale por si, desenvolve todo um mundo próprio, dotado de uma visão pessoal do autor, sem laivos de luta ideológica, algo que Soeiro poderá ter feito para evitar a censura. Na verdade, o romance apesar de dotado de um sentido de missão, socorre-se de todo o convencionalismo estético que define um romance, desde a definição dos personagens e sua progressão, aos conflitos vitais para a construção do clímax, e aos cenários que tudo acompanham e enchem de densidade a viagem na imaginação do leitor. Soeiro segue o movimento neorealista da época, que ia beber ao realismo da pintura e ao naturalismo de Zola, forçando agora o sentimento realista pela forma. Enquanto o cinema italiano neorealista usava pessoas reais em vez de atores, Soeiro trabalha a escrita das falas dos personagens de modo a aproximarem-se da pronúncia efetiva, perdendo em qualidade escrita do português mas ganhando, pelo efeito realista, maior proximidade do sentir daquelas crianças.

No entanto, sente-se a falta de alguma uniformização discursiva, desde logo a narração apresenta momentos de descrição muito elaborada, quase poética, que se opõem aos diálogos bastante mais rasos das gentes. Por outro lado, o português mal-falado escrito parece elaborado um tanto ad-hoc sem estrutura nem padrão, denotando alguma falta de estudo e análise da linguagem que se tenta captar e apresentar. Juntam-se ainda algumas dificuldades de ligar quadros narrativos ou cenas inseridas sem relação no tempo da obra, que por vezes nos deixam pendurados sem perceber para onde ou porque se moveu o narrador. Mesmo a interessante divisão em quatro secções marcadas pelas estações do ano, são exclusivamente usadas para definir a cronologia das ações, servindo pouco a estética narrativa não se sentindo na escrita nem nos modos descritivos. Tudo isto não nos surpreende tendo em conta ser uma primeira obra, e num cenário histórico como o descrito acima.

Voltando ao histórico e político, Salazar não é parte do romance, mas está lá na figura do Sr. Castro, sempre condescendente com os mais fracos, mas levando as suas ideias por diante, porque assim tinha de ser, o progresso económico assim o exigiria. Não incorro, contudo, no facilitismo de atirar para as costas de Salazar todas as condições de vida dos personagens do texto. Em 1941, o mundo ao tentar sair de uma terrível crise económica, 1929 (compare-se estes personagens com o de “As Vinhas da Ira” (1939) de Steinbeck), tinha chegado ao auge de uma devastadora 2ª Grande Guerra Mundial (1939-1945), o nosso principal parceiro económico e vizinho, a Espanha, acabava de sair destroçada de uma Guerra Civil (1936-1939), e por isso por mais "mago de finanças" que fosse Salazar e pela neutralidade advogada, só podia contar consigo e com o que ia extorquindo às colónias. Foram tempos terríveis em toda a Europa, e Portugal não teria sido exceção com qualquer outro governo. O que teria sido exceção foi o que se seguiu, pois a seguir ao final da 2ª Grande Guerra Mundial, a Europa, graças ao Plano Marshall, entrou em total ebulição para repor muito do que tinha sido destruído, e renovar a esperança num mundo novo, mas Portugal fechado na ideologia do “Orgulhosamente Sós” permitiu que o Chefe de Estado conduzisse o país para um fosso inimaginável.

[imagem]
A Mocidade Portuguesa numa saudação Nazi e a cruz das Cruzadas, por Bernard Hoffman* em 1940

[imagem]
Alegadamente até os pobres iam à escola, como se vê nesta imagem de Bernard Hoffman* de 1940, mas o livro de Soeiro mostra todo um outro cenário.

“Esteiros” é um relato imensamente importante por colocar o dedo na ferida aberta na Educação. Portugal era pobre, mas tinha por sua conta colónias dotadas de grande valor pelas matérias-primas que possuíam, no entanto Salazar em vez de apostar na massa cinzenta do país, acreditou que a salvação estava na indústria e na facilitação da sua edificação. Cerceou a liberdade a quem se opôs, fomentou o crescimento de quem se subjugou, e esqueceu o resto do povo, assim conduziu o país sob a sua visão única durante quatro décadas A leitura desta Obra de Soeiro mostra que não havia alternativa, nem sequer para o Gaitinhas que era excelente aluno e os pais tanto queriam que fosse “doutor”. O único trabalho que sobrava para quem nada sabia fazer era o temporário e de força bruta. Como crianças sem proteção familiar ou de qualquer outra ordem e num país em que o Estado se coibia de impor qualquer regulação laboral, eram submetidas a tratamento escravo, do qual não podiam escapar por precisarem desesperadamente do pouco que ganhavam.


* As fotos pertencem a uma reportagem da revista Life feita em Portugal a convite de Salazar. A reportagem é completamente submissa, apresentando Salazar como o líder visionário que salvou o país da bancarrota, indo a ponto de afirmar que "a maioria do que é bom no Portugal moderno deve-se a Salazar", já o povo português não passa de uma cambada de "sonhadores" e "incapazes" que gostam de "negros" e "vinho". Uma reportagem encomendada, feita de interesses de parte a parte, aos EUA também interessava criar e manter boas relações com Portugal para ter acesso facilitado à Europa em tempo de guerra.


Publicado, com imagens, no VI: https://virtual-illusion.blogspot.com...
Profile Image for Rosie.
462 reviews56 followers
March 28, 2025
“…moços que parecem homens e nunca foram meninos.”

Minha gente… este livro arranca-nos do lugar confortável onde estamos e atira-nos para telhados de vidro. Não se fica indiferente a estas descrições, somos rasgados, com toda a crueza, com todos os relatos de miserabilidade, através de uma poderosa forma de linguagem.

Fala do nosso País, do nosso povo, das nossas crianças.

Fala de tantos como o meu Pai, que apesar de ter passado com distinção no seu exame da 4ª classe e com menção de grandes expectativas futuras, teve que traçar o caminho que lhe estava destinado: servente nas obras, apesar de menino de 10 anos. De levar um caldo onde bebia a água para deixar escorridos os 10 grãozitos de arroz que lhe tinham cabido em sorte, com uma rodelita de batata e umas couvitas a dar cor ao “prato principal” e regado com um fio de azeite, isso sim, um luxo. E de como uma sardinha era dividida em três, a cabeça para a Mãe, e o restante dividido pelos dois manos. Apenas a persistência, a curiosidade, a leitura de clássicos, o engenho, fizeram dele um autodidata, crescendo a pulso e deixando-nos ainda hoje tão orgulhosos do seu percurso. Desculpem-me desviar para algo pessoal, mas o livro levou-me para este passado tantas vezes contado e recontado.

Soeiro, conta-nos então as contradições sociais gritantes, os exploradores e os explorados, a mentira e a verdade objectiva sobre os que oprimem e os oprimidos.

Recomendo!
Profile Image for Ana.
Author 14 books218 followers
April 28, 2021
Este livro foi uma boa surpresa. Gosto sempre quando isso acontece.
Não ficou (ainda pelo menos) a ser um dos meus autores favoritos, mas a escrita de Soeiro Pereira Gomes tem algo de particular e de distintivo. A história tem um ritmo muito próprio, e agradou-me bastante esta forma de escrever.

Para além da escrita, temos aqui uma história muito realista, que retrata as duras condições de miséria e de pobreza em que a maior parte da população portuguesa viveu durante anos a fio. Centrando-se nas vidas francamente miseráveis e penosas de um grupo de crianças, o autor consegue nunca perder de vista o lado humano destas vivências. Chega a ser profundamente comovedor.

Aconselho a sua leitura e a "descoberta" deste autor.
Profile Image for Rita.
910 reviews189 followers
July 8, 2023
Joaquim Soeiro Pereira Gomes nasceu em Gestaçô, distrito do Porto, no ano de 1909. Foi um dos grandes nomes do neo-realismo em Portugal.
Trabalhou como empregado administrativo numa fábrica de cimentos – Cimentos do Tejo, actual CIMPOR - e começou a desenvolver um trabalho de dinamização cultural junto da classe operária.
Militou no Partido Comunista Português e hoje a sede do partido recebe o seu nome (Edifício Soeiro Pereira Gomes).
Entre as suas obras, destaca-se "Esteiros", publicado em 1941, que é considerado a sua obra-prima. A primeira edição do livro foi ilustrada por Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP.
Mesmo vivendo clandestinamente durante o governo de Salazar, Soeiro Pereira Gomes continuou o seu trabalho como militante até adoecer com cancro no pulmão. Impedido de receber o tratamento médico necessário, faleceu em cinco de dezembro de 1959.


Fábrica Cimentos do Tejo, Alhandra

Esteiros. Minúsculos canais, como dedos de mão espalmada, abertos na margem do Tejo. Dedos das mãos avaras dos telhais, que roubam nateiro às águas e vigores à malta. Mãos de lama, que só o rio afaga.


O romance está dividido em 4 capítulos que têm como título os nomes das quatro estações do ano:

Outono
Com os prenúncios de Outono, as primeiras chuvas encheram de frémitos o lodaçal negro dos esteiros, e o vento agreste abriu buracos nos trapos dos garotos, num arrepio de águas e de corpos.

Inverno
Mãos esquecidas nos bolsos e pés roxos de frio, os garotos cosiam-se com os portais, à espera do caldo ou do sol que pouco aquecia.

Primavera
Flocos de nuvens no céu, como o bando de pombas brancas que roça asas no Mirante. Nuvem de flores nas árvores do vale. Céu a desbotar azul no rio calmo, sem remorsos das cheias, de que já pouca gente se lembra.

Verão
Os saveiros apagam as luzes. Depois — remos em movimento, como asas enormes de pássaros — vêm encostar-se à ponta dos esteiros, enquanto a água vaza. São mais negros do que a noite — negros como a vida de quem neles labuta, noite e dia.

O romance denuncia as péssimas condições em que vivem e trabalham uma pequena comunidade em Alhandra. É através da história de algumas crianças que nos é apresentado o trabalho sazonal nos telhias, a fabricar tijolos e telhas.

Gineto
Com sete anos, ia o pai levá-lo pelas orelhas até à eira.
— Mestre: tome-me conta deste fidalgo.
Mas antes de o pai chegar ao portão, atravessava ele o caniço dos esteiros e, mesmo vestido, atirava-se ao rio. A corrente era forte, mas na outra margem havia pássaros, toiros bravos a pastar e valados desconhecidos. À noite, esperava-o a tareia do costume, em vez da ceia, e, na manhã seguinte, regressava ao telhal pelas orelhas.


Sagui
Sagui era pequeno, mas tinha fama de comilão. Só fama…

Maquineta
— Quando eu trabalhar com as máquinas… — E, de tanto falar em máquinas, chamaram-lhe Maquineta.

Gaitinhas
João era o Gaitinhas, porque gostava de imitar os instrumentos da banda musical. Nos domingos de concerto, postava-se junto do coreto, atrás do regente, de olhos postos nos saxofones e clarinetes reluzentes, indeciso na escolha.(…) Mas entrou para a escola e quis ser doutor.

Toda a história destas crianças denuncia a situação precária da região dos esteiros do Tejo, realçando a decadência de uma vida sem acesso à educação, numa sociedade cruel que negligencia a classe trabalhadora.

Para os filhos dos homens
que nunca foram meninos,
escrevi este livro.


Alhandra é às portas de Lisboa, mas mesmo assim nunca tinha ouvido falar da Capela da Santa de Alcamé — Senhora das cheias.



Algumas curiosidades:

📌 Alcamé é o aportuguesamento da palavra árabe-marroquina de fonética “achmé”, e que significa trigo. Será assim a Nossa Senhora dos Trigais.

📌 Está associada uma lenda, que reza assim: Em tempos, um pastor encontrou uma pequena cobra e dedicou-se a criá-la, alimentando-a com o leite das ovelhas. A certa altura terá adoecido, ficando vários meses sem ir ao campo. Quando lá voltou, foi ao mouchão e assobiou pelo réptil, como costumava fazer. A cobra apareceu, mas não o reconhecendo, atacou-o de goelas abertas. Aflito, o homem invocou a protecção da Virgem, que apareceu em sua glória, e lançou para a boca da serpente uma maçã. Engasgada e sufocada, a cobra morreu e o pastor salvou-se.

📌 A Ermida de Nossa Senhora de Alcamé, mandada construir em 1746, está simetricamente de frente para Lisboa.

Algumas ilustrações, da 1ª edição



A escrita de Soeiro Pereira Gomes é objectiva e realista, apresentando um estilo directo e claro. A prosa é fluente e acessível, o que permite uma leitura fluida e compreensível. No entanto, considerando que já se passaram 82 anos desde a escrita do livro, algumas palavras e expressões podem representar um desafio, especialmente devido à evolução da língua ao longo desse período. Além disso, é importante destacar que Soeiro Pereira Gomes incorpora regionalismos e utiliza termos ou expressões específicas de determinadas regiões geográficas ou culturais. Esses regionalismos podem ser desconhecidos para pessoas, como eu, que vivem em áreas urbanas ou que não estão familiarizadas com o contexto retratado na obra.

Deixo aqui alguns exemplos:


— Inda nã tocaram as buzas — observou Malesso com os olhos ramelosos.
* sirenes

As histórias contavam-se em noites de Verão, enquanto os fornos lambiam mutanos.
*Lenha miúda, ramos de pinheiro

— Mas olha que não admito tunantices… À primeira, já sabes…
* brincadeiras

No valado, que fora limite de margem e agora era carreiro sem destino, um renque de oliveiras emergia das águas as copas glaucas.
* fila, fileira
* De tom verde-claro ou verde azulado.

— São uma nota alacre na paisagem sem cor — respondeu um rapaz magro, de monóculo.
* Muito alegre.

O cláxon dum automóvel repercutiu-se sobre a vila.
* Buzina

Os amigos, porém, não davam trégua às surriadas.
* provocações

— Andem-me com isso de cagulo!
* desajeitado, desorganizado

(…) e, no maninho dos esteiros, as touças de caniço afilharam.
* áreas estreitas e mais estreitas dos esteiros
* feixes de caniço encontrados nos esteiros

Abriram as taleigas, mataram a fome e o tempo.
* bolsas ou sacos usados para transportar comida ou provisões.

(...) as águas alagaram barreiros e almajares.
* pequenos reservatórios ou tanques usados para armazenar água

— … Quando o gajo me deu o estalo, atirei-lhe os carrulos acima e fugi.
* dentes, será?!!

— Depressa! Tapem aqueles carrulhos.
* pequenos buracos ou furos.



#incunábulos @mastodon
Profile Image for Cláudia Azevedo.
395 reviews226 followers
January 9, 2022
Este é um impressionante documento histórico sobre o Portugal de que ninguém pode ter orgulho, o Portugal da miséria obscena, das crianças que tinham abandonar a escola para trabalhar e sustentar a família, dos ricos vis e do Estado demissionário. Não posso dizer, contudo, que tenha achado um bom livro de ficção.
Profile Image for Rui Alves de Sousa.
315 reviews51 followers
November 11, 2016
Retrato da miséria e dos problemas de vida levantados pela pobreza e pelas condições precárias de sobrevivência, "Esteiros" conta a história de um grupo de miúdos que se aventura entre as maiores fantasias aventureiras e as duras condições em que vivem. Com a escrita amargamente bela de Soeiro Pereira Gomes, tomamos contacto com uma realidade portuguesa que nos faz pensar sobre o passado e o presente do país, através do olhar trágico destas crianças. Pode-se dizer que "Esteiros" é a versão aprimorada de "Capitães da Areia", não precisando de um epílogo panfletário para terminar, de uma forma lindíssima, esta história dos meninos que perderam a infância e cresceram cedo demais.
Profile Image for Sofia.
1,038 reviews128 followers
August 28, 2021
Obra do Neorealismo português, cuja narrativa se constrói essencialmente através de diálogos, com vista a imergir o leitor no universo do enredo. Este trata das aventuras e da vida de um grupo de gaiatos, “moços que parecem homens e nunca foram meninos”, num Portugal dos anos 40 de extrema pobreza, situação, aliás, transversal a toda a Europa, exceto no que diz respeito à educação e assistência social. Portugal estava (e estaria ainda durante vários anos) mergulhado no analfabetismo e no trabalho infantil.
É um romance forte, sobretudo pela temática, e essencial.
 
“No seu corpo, o casaco parecia jaqueta de campino; mas ele apresentou-se à porta do cinema como se levasse na mão o bilhete de camarote. Os porteiros riram-se. E os companheiros, lá dentro, tiveram pretexto para a primeira algazarra, que, apesar das imposições de silêncio, só terminou quando Gaitinhas e os outros começaram a ler em voz alta as legendas, para que os analfabetos ouvissem. Era um sussurro monótono a descer as galerias até à geral, que ficava à frente das cadeiras.
- Mais devagar! – berrou um rapaz, fraco em letras.
Também gaitinhas, deslumbrado com imagens e músicas, ia perdendo a fama de letrado.
- Atão nã lês, Gaitinhas?
- A fita anda muito depressa….”
 
“Desde então, Gaitinhas subiu de posto na quadrilha: repartia o dinheiro, conferia as sobras da fruta, e até escreveu uma carta para o Guedelhas mandar à namorada.
- Que queres tu que eu diga? – perguntara, mais atrapalhado que em dia de exame.
- Sei lá…Que estou embeiçado por ela…E que no domingo vá-me ver jogar.
- Mas ela sabe ler, Guedelhas?
- Não. Mas nã faz mal.”
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
786 reviews145 followers
June 3, 2024
#50livrosparaabril
39/50

“Esteiros”
Soeiro Pereira Gomes

Obra fundadora do neo-realismo português, “Esteiros”, de Soeiro Pereira Gomes, é uma obra única na literatura portuguesa pela união entre uma sentida tristeza que perpassa o livro e uma nota cheia de esperança, que nasce da sua leitura.

Publicado em 1941, o romance retrata de maneira magistral a vida dos trabalhadores rurais e das suas famílias nas margens do rio Tejo, na área de Vila Franca de Xira. Soeiro Pereira Gomes utiliza uma linguagem poderosa e realista para abordar questões sociais, como a exploração laboral e a pobreza. Para isso, apresenta-nos um portfólio de personagens tão marcantes como o Gineto, Gaitinhas, Malesso, Maquineta, entre outros, crianças operárias que trabalham nos “telhais”, instalados nos esteiros à beira do Tejo. São essas crianças que sonham com aquele par de botas, ou com a festa da feira anual. São essas as crianças que roubam fruta para alimentar as famílias empobrecidas.

Através das personagens e das suas vivências, o autor transporta o leitor para um cenário de injustiças e lutas diárias pela sobrevivência. "Esteiros" é uma obra que revela as desigualdades sociais e económicas da época, mas também a resiliência e a solidariedade presentes nas comunidades mais desfavorecidas.

Na dedicatória do livro, Soeiro Pereira Gomes escreve “Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi este livro” e assim abre a porta da esperança de um outro mundo, de um mundo diferente. Essa esperança que senti quando li o livro pela primeira vez, numa adolescência pobre, vivida nos anos 80. Essa esperança que senti renascer na releitura que fiz este mês. Com essa leitura denotamos as profundas mudanças vividas na sociedade portuguesa nos últimos 50 anos, mas também as continuidades que a pobreza e a exclusão – com outras roupagens – continua a imprimir na sociedade portuguesa.

#livro #literatura #leitor #leitores #leitura #literaturaportuguesa #resistencia #pobreza #salazarismo #infancia
Profile Image for António Dias.
176 reviews20 followers
December 1, 2021
Ainda que 'Esteiros' seja um bom livro, nunca consigo desligar a apreciação da expectativa que me conduz a cada obra. Assim, esperava mais deste livro, escrito pouco depois de 'Capitães da Areia' de Jorge Amado, com o qual encontrei alguns pontos em comum.
A história é triste (apanágio do neo-realismo), centrando-se nas crianças e nas miseráveis vidas que vão arrastado à beira Tejo, à mercê das estações do ano e crueldade ou incapacidade dos crescidos.

Ainda que a realidade portuguesa tenha mudado muito nestes oitenta anos, é sempre bom descermos à terra de alguns e tomarmos banho na lama em que eles se movem. Talvez desperte algo em nós. Este livro pode não ser uma obra-prima (muito discutível mas é apenas uma opinião) mas certamente ajuda a fazer de cada leitor alguém um pouco melhor. Mesmo que somente durante as semanas que se demorar na leitura.
Profile Image for Sérgio Cruz.
69 reviews6 followers
September 11, 2025
Um cavalo branco com consciência e olhos de gente viajou no tempo. Dos confins feudais, viu-se em inícios do século XX, aterrando em Portugal. Com os olhos dos homens leu os Esteiros de Soeiro Pereira Gomes e o cavalo branco ficou a pensar que os cavalos, os homens e as mulheres de todas as idades tinham melhor sorte lá no feudalismo, para onde regressou, feliz por saber que perderia as faculdades humanas que lhe haviam oferecido aquele negro vislumbre do futuro.
Profile Image for Ricardo Santos.
41 reviews14 followers
November 16, 2022
- "Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi este livro."

Uma obra essencial do movimento neorrealista português, que retrata um Portugal e uma geração não tão distantes como pode, à primeira vista, parecer.
Uma história fortemente marcada pela exploração, desigualdade e miséria sociais que se abate sobre os trabalhadores, o povo e um conjunto de crianças - os oprimidos dos oprimidos.
Uma realidade triste, onde as crianças não podem ser, de facto, crianças na sua plenitude, sendo forçadas a crescer de forma desumana e demasiado rápido. No entanto, estas são também histórias que comportam em si uma elevada carga de esperança, resiliência e sonhos, como apenas e só as crianças conseguem senti-los e vivê-los.

"Mas a voz afasta-se. Gaitinhas-cantor vai com o Saguí correr os caminhos do mundo, à procura do pai. E, quando o encontrar, virá então dar liberdade ao Gineto e mandar para a escola aquela malta dos telhais - moços que parecem homens e nunca foram meninos."
Profile Image for Ricardo Gomes.
39 reviews29 followers
November 16, 2015
"Mas a voz afasta-se. Gaitinhas-cantor vai com o Sagui correr os caminhos do mundo à procura do pai. E quando o encontrar, virá então dar liberdade ao Gineto e mandar para a escola aquela malta dos telhais-moços que parecem homens e nunca foram meninos."
Profile Image for Marta Clemente.
756 reviews20 followers
April 26, 2024
Mais um livro / documento lido nestes 50 anos de 25 de Abril de 74.
Mais um que mostra a miséria, a desigualdade, a falta de respeito pela vida dos humanos que nada tinham. Carne para canhão, era o que estes miúdos eram.
Passado em pleno Ribatejo, nele conhecemos um grupo de crianças que, para não morrerem à fome, são exploradas pelos que têm mais que eles.
Permitindo-nos uma análise certeira ao modo de vida da época, Soeiro Pereira Gomes deixa-nos está história comovente e revoltante.
Este livro vive na minha estante desde 1989. Está escrito pelo meu punho na primeira página que foi prenda de anos dos meus pais, nesse ano. É engraçado que já não me lembrava disto. Mas para mim, nessa idade, a prenda ideal era deixarem-me ir à única livraria da terra escolher alguns livros e levar para casa. O que mostra que escolhi e li pela primeira vez este livro quando fiz 12 anos! Extraordinário! Ao reler esta história lembrei-me de como ela me marcou, de como marcou a minha vida, a minha noção de injustiça e de justiça social, a minha forma de pensar ainda de hoje, 35 anos volvidos!
Se não conhecem, recomendo que leiam!
Profile Image for Estela Ladeiro.
175 reviews7 followers
March 27, 2025
Um pequeno grande livro!!
Este vou guardar no coração, e tenho certeza que vou recordá-lo algures pelo tempo.
Esta obra foi impedida de circular pela censura fascista.
Está patente a realidade portuguesa de miséria e pobreza nos anos 30/40, e retrata a exploração/escravatura infantil. As crianças eram obrigadas a abandonar a escola e a perder a infância em trabalhos muito penosos para ajudarem a família.
As suas histórias são tristes,..náufragos no oceano da vida,.. mas as personagens dos pequenos são verdadeiramente adoráveis...O João o "Gaitinhas", ficou-me no coração.
Para quem nunca leu sugiro que procure ler, é um livro pequeno que se lê bem rápido, e é sem dúvida uma obra do património nacional da literatura portuguesa, maravilhosamente escrito na sua peculiar simplicidade.
"...moços que parecem homens e nunca foram meninos."
Profile Image for tiago..
466 reviews134 followers
August 7, 2019
Não sendo nenhuma obra-prima da literatura, tem valor por chamar a atenção para uma realidade ainda muito desconhecida: a do trabalho infantil nos anos 30.

Não me parece (perdoem-me os fãs) que Soeiro Pereira Gomes seja um excelente escritor, mas como já observaram algumas pessoas aqui, é excelente o livro enquanto primeiro romance. Vale a pena a leitura, nem que seja para relembrar um Portugal que não aparece nos livros de História.
Profile Image for Maria.
266 reviews157 followers
August 9, 2023
O retrato de um Portugal esquecido, de pobreza e tristeza e de jovens que nunca puderam ser crianças.
Nos anos 30, um grupo de amigos com idade escolar enfrenta os dissabores de uma vida de miséria na região do Vale do Tejo enquanto ganham a vida nos telhais a fabricar tijolos de barro. Soeiro Pereira Gomes retrata com paixão a tristeza da infância roubada a estes jovens e a dicotomia entre as vidas dos mesmos e dos que lucram com o trabalho infantil.
Profile Image for Patricia Posse.
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September 5, 2021
Um relato pungente de crianças que sofreram (fome, perda de familiares, pobreza, desilusão de não ambicionar futuro) e que, ainda assim, foram unidos no desespero e nas pequenas alegrias das tropelias. Crianças obrigadas a crescer, à força da necessidade. Um livro marcante.
Profile Image for Alex.
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September 7, 2022
"... Moços que permanecem homens e nunca foram meninos."
Profile Image for Ana Catarina Dias.
87 reviews
March 27, 2015
Li esta obra num exemplar muito velhinho que pertencia à minha mãe (que o leu porque era obrigatório na escola). As letras são miudinhas, o papel é amarelo, as folhas estão-se a descolar,... e isso tornou a leitura ainda mais especial.

É efetivamente um livro triste, que relata histórias de miseráveis crianças que trabalham de sol a sol e não vão à escola, mas uma tristeza que é preciso ser divulgada e não esquecida.

Como disse anteriormente, esta era uma leitura obrigatória no tempo dos meus pais (embora o meu pai apenas o tenha lido pela primeira vez à cerca de um ano, pois na altura em que o devia ter lido optou pelos "fabulosos" resumos) mas já não o é. Infelizmente. Daria lições de humildade a muita gente.
Profile Image for Joao Baptista.
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October 5, 2022
Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes

Publicado em 1941, “Esteiros” é uma das obras mais marcantes do chamado neo-realismo português, que li com imenso gosto.
O romance traça um quadro impressivo da vida ribeirinha na zona de Alhandra, por volta dos anos 40, designadamente do trabalho infantil e juvenil nos esteiros («minúsculos canais, como dedos de mão espalmada, abertos na margem do Tejo. Dedos das mãos avaras dos telhais, que roubam nateiro às águas e vigores à malta. Mãos de lama, que só o rio afaga», na dupla definição – objectiva e metafórica – do autor).
A narrativa desenvolve-se em torno de um grupo de rapazes, entre os 8 e os 12, que têm em comum um quadro de miséria e de privações materiais, de desestruturação familiar e que, por isso, ou vivem entregues a si próprios, recorrendo à mendicidade ou a pequenos furtos, ou se vêem na contingência de ter de trabalhar duramente (apenas) para assegurar a subsistência própria e da família, com o abandono da escola e, dessa forma, de qualquer hipótese de ascensão social.
Acompanhamos a dureza do trabalho nos esteiros, no campo ou na “Fábrica Grande”, a exploração a que são sujeitos, a violência e tirania dos patrões e capatazes; ao mesmo tempo, percebemos como tentam manter os seus sonhos e lutar por eles. Todavia, muitos desses sonhos estão já condicionados e limitados, no seu alcance, pela própria realidade em que vivem e que os amarra à miséria. Gaitinhas sonha em voltar para a escola e cumprir o projecto que o seu pai tinha para si: ser doutor; Gineto sonha apenas comprar um fato novo.
Em certa medida, apesar de contrapor o universo dos ricos e influentes ao universo dos miseráveis, o romance não o faz de forma maniqueísta. Isso vê-se na maneira como a relação de exploração se reproduz nos níveis superiores da “cadeia” social, designadamente entre os donos dos pequenos negócios (mormente dos telhais, onde se fabrica tijolo com as lamas do rio) e os donos das terras e/ou os industriais de que estão dependentes.
Uma interrogação que o romance também suscita é a do efeito criminógeno destas condições de vida, a qual é bem visível nas personagens do Gineto (o mais irreverente) e do Gaitinhas (o que mais atilado). Até que ponto esta miséria, esta sujeição tão precoce a condições duríssimas e injustas de trabalho, não impele à adopção de comportamentos marginais. E será essa corrupção superficial, ou corre o risco de se tornar indelével?
Trata-se, pois, de um quadro realista de uma sociedade profundamente injusta, assente na miséria, analfabetismo e exploração, que condena grande parte da sua juventude, composta por «moços que parecem homens e nunca foram meninos».
Numa linguagem clara, mas bem elaborada, privilegiando o discurso directo, o livro organiza-se em quatro partes, correspondendo às quatro estações do ano. Começa, porém, pelo Outono, ou seja, pela altura em que o trabalho escasseia e que as maiores privações se antevêem. E, sem que ao retorno da Primavera e do Verão corresponda o florescimento e a alegria da luz, do calor. Ao invés, a divisão do livro por estações apenas acentua a ideia de ciclo fechado, que se repete e do qual não se pode escapar.
Contudo, naquela que será uma marca genética da corrente neo-realista, a narrativa não se encerra num horizonte sem esperança; ao invés, prevalece a ideia de que este ciclo pode ser quebrado, assim os homens se empenhem e lutem por tal objectivo.
Profile Image for Ana.
48 reviews8 followers
April 9, 2010
This book is very special to me. I stumbled upon this book when I was a little girl, maybe 7 or 8 years old. I can perfectly remember the book, which was in a very bad shape, poor little thing. A lot of pages were missing. Yet, I liked it so much that I would read it anyway. A few years later I decided to finally buy the book and read the whole story. Obviously, I loved it. And until today I still love this book. It tells the heart-breaking story of little boys who were so poor they had to work so they could provide for their families. Little boys treated like they were already grown men, working hard on factories. Their lives are difficult and they are forced to grow up too soon. Yet they still are innocent and pure; they still dream like little boys. They are truly adorable. This books brings tears to my eyes everytime I read it. I think it's an amazing book. Among all the sadness there still is hope to these little boys. I recommend it to everyone.
Profile Image for Ines.
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August 6, 2009
Um dos mais belos livros livros para ler e reler, para abrir de vez em quando, ao acaso, e aprender sempre.
Profile Image for Conceição Puga.
149 reviews27 followers
August 30, 2024
«Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi este livro»
Profile Image for Pedro Fernandes.
66 reviews5 followers
October 10, 2021
Um romance publicado em 41, portanto o autor teve a audácia de o publicar em pleno regime, onde acompanhamos o como um grupo de cinco crianças que atravessa os tempos ditatoriais em Portugal. Não é um relato de situações reais mas um romance descrevendo , através dos cinco rapazes, as dificuldades derivadas das desigualdades que todas as pessoas mais pobres sentiam na pele e como sobreviviam em condições miseráveis.

Os rapazes que não têm tempo para amadurecer acabam por perder a sua infância, abandonam a sua educação e os seus sonhos e acabam por entregar-se à exploração característica do regime.

Um livro deprimente mas importante para quem quer conhecer a história que por vezes acaba por não ser contada sobretudo para quem nunca atravessou esses tempos.
Profile Image for Manuela Craveiro Tátá.
23 reviews
October 2, 2023
Uma realidade distante para a sociedade atual portuguesa. Cenários de pobreza e esperanca combinados numa repetida vida de desgostos e anseios. De leitura rápida, vale mesmo muito a pena
Profile Image for Zacarias Vespertino.
98 reviews
November 27, 2019
Muitas vezes percorri o caminho entre Vila Franca de Xira e Alhandra pela ciclovia que existe à beira do rio. Ao longo do percurso foram criados murais com detalhes e figuras emblemáticas da zona, em que num dos murais se encontram três nomes conhecidos da literatura da área.

Soeiro Pereira Gomes é um deles. Autor deste livro. Ele que nasceu no norte, mas acabou por se fixar em Alhandra, impulsionando o movimento cultural entre a população operária, onde contribuiu organizando vários eventos.

A minha mãe teve de ler este livro na escola, e apesar de ser um livro mais antigo, é uma obra realmente interessante que conta as aventuras 'dos filhos dos homens que nunca foram meninos'. O trabalho era precário, o grupo dos jovens vivia em pobreza e trabalhava nos esteiros do Tejo para se safarem na vida. O livro vai-se temporalizando ao longo do ano, usando as estações do mesmo para definir as diferentes etapas do trabalho/vida . No outono recebia-se a féria que era usada pelos moços para ir à feira da terra ou para comprar um fato novo. O inverno era o tempo das cheias, da desgraça, da época sem trabalho. A primavera era tempo de recuperação, os moços roubavam laranjas e vendiam-nas para ter um extra. O Verão era o tempo do trabalho árduo.


Facto interessante:
Na parte de final da ciclovia, em Alhandra, existe uma piscina municipal de nome piscinas Baptista Pereira. Esse senhor ficou imortalizado na obra como a personagem 'Gineto'. Nos seus tempos de mocidade começou por nadar no rio. Quando os pais se zangavam com ele nadava até aos mouchões do Tejo (pequenas ilhas no meio do rio) e lá permanecia até as coisas acalmarem. Dedicou-se então à natação de fundo. Ficou conhecido por ganhar várias provas de longa distância, entre elas a do Canal da Mancha em '54.

156 reviews
December 23, 2017
O autor tem limitações. É preconceituoso a compor as personagens. Se são burguesas são apresentadas em pinceladas impressionistas grosseiras. Se são pobres invocam simpatia, por virtude sã.
Foi por isto que o detestei à primeira. É por isso que anda nos programas de Português dos adolescentes. Esquerdóide tirado a fôrma.
Displaying 1 - 30 of 110 reviews

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