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Rota 66

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Vencedor do prêmio Jabuti de 1993, 'Rota 66 - A história da polícia que mata' é uma rigorosa investigação sobre o trabalho da Polícia Militar de São Paulo entre as décadas de 1970 e 1990. Nele, Caco Barcellos, um dos mais prestigiados jornalistas brasileiros, denuncia a atuação irregular da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota) como um verdadeiro aparelho estatal de extermínio. Um esquadrão da morte responsável pela morte de milhares de pessoas. A maioria delas inocente. O livro parte das origens da criação de um sistema mortal de extermínio, demonstra seus métodos, desvenda sua consciência. Caco denuncia seus métodos de atuação e mostra como o sistema incentiva esse tipo de ação. Resultado de um rigoroso processo de investigação jornalística, este livro emblemático assume proporções de uma grave denúncia social. Armado de dados incontestáveis que surgiram de um trabalho de pesquisa de cinco anos, Barcellos desmonta as engrenagens da Rota e o perfil de seus principais matadores.

274 pages, Paperback

First published January 1, 1987

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706 people want to read

About the author

Caco Barcellos

6 books53 followers
Cláudio Barcelos de Barcellos, mais conhecido como Caco Barcellos, é um dos maiores jornalistas investigativos da História do Brasil. Ccom décadas de trabalho sobre violência policial, é o autor de Rota 66: A polícia que mata, livro que documenta o assassinato de 4.200 pessoas, todas jovens e pobres, pela Polícia Militar de São Paulo. Caco já venceu duas vezes o Jabuti e recebeu dezenas de prêmios por reportagens especiais.

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13 (1%)
1 star
8 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 64 reviews
Profile Image for Tatiane Assis.
11 reviews
July 26, 2020
“Se a pena de morte fosse boa, a Rota já tinha transformado São Paulo em um paraíso.”

Sem dúvidas “Rota 66 - A história da polícia que mata” é um dos maiores trabalhos jornalísticos já feito. Queria poder agradecer Caco Barcellos por ter realizado um trabalho tão incrível e ter tido a coragem de escrever um livro tão necessário.
Profile Image for Victor Bonini.
Author 9 books90 followers
October 7, 2014
Um livro que todo brasileiro deveria ler. Caco Barcellos é brilhante.
Profile Image for Fernando.
51 reviews
February 12, 2014
Belo trabalho de Caco Barcellos. Precisa ter estômago pra publicar um trabalho desse no Brasil.
Profile Image for Marina Tommasi.
166 reviews5 followers
February 26, 2023
Não costumo ler muito jornalismo investigativo, mas o Caco Barcellos é genial. Um estudo de anos para investigar os assassinatos cometidos pela policia, que atira para matar. Revoltante demais a brutalidade contra gente inocente, sempre de classe baixa e sem oportunidade de defesa.
Profile Image for Pedro Pacifico Book.ster.
391 reviews5,904 followers
March 31, 2020
Conhecido como um dos principais jornalistas brasileiros, nessa obra, Barcellos se aprofundou no perfil e nas estatísticas das mortes causadas por confrontos com policiais nas décadas de 70 e 80 em São Paulo. E quando digo se aprofundou é porque o autor fez uma pesquisa impressionante, que durou vários anos e que encontrou obstáculos na falta de transparência de informações para a população.

A denúncia tem como objetivo demonstrar que as vítimas da ROTA têm um perfil muito semelhante e recorrente na análise dos casos de morte pela polícia: o jovem negro e pobre das periferias de São Paulo. Para o autor, a imagem da polícia como instituição protetora naquela época só valia para uma determinada parcela privilegiada da população. Para os demais, o papel de protegido era substituído pelo papel de potencial vítima da respeitada “polícia que mata”.

Durante a leitura, fiquei impressionado com a coragem de Barcellos em desafiar e denunciar - sem qualquer restrição - os poderosos que controlavam o sistema policial do Estado de São Paulo. Mais especificamente a atuação da ROTA, conhecida unidade da Polícia Militar, na violenta e “eficaz” atuação contra o crime. A repercussão da obra na época da sua publicação foi tamanha que o autor precisou deixar o país com medo das ameaças que passou a receber.

Publicado em 1992, o livro-reportagem venceu o Prêmio Jabuti no ano seguinte e, apesar dos quase trinta anos desde o seu lançamento, a realidade exposta por Barcellos ainda continua muito atual. É uma leitura necessária, na medida em que nos apresenta um cenário que normalmente chega de forma distorcida para a população que não mora nas regiões periféricas dos grandes centros urbanos. Apesar da grande quantidade de dados e casos analisados, Barcellos consegue construir uma narrativa fluida e diversificada, sem deixar o leitor cansado com a repetição de uma mesma temática.

Nota: 9/10

Leia mais resenhas em https://www.instagram.com/book.ster/
Profile Image for Rafael.
60 reviews
August 27, 2019
Absurdo os relatos contidos no livro. O mais triste é saber que praticamente nada mudou em relação as práticas realizadas nas décadas de 70, 80 e 90.
Profile Image for Marcus Gasques.
Author 9 books15 followers
October 3, 2018
Caco Barcellos hoje é mais conhecido por seu trabalho à frente de Profissão Repórter, da TV Globo, mas sua carreira vem de longe. E um dos trabalhos de destaque é Rota 66 - A história da polícia que mata, livro-reportagem lançado em 1992.

É um obra mais do que atual, no momento em que a questão da segurança pública - ou a falta dela - está em pauta. O tema chamou a atenção de Barcellos desde a infância, ainda no Rio Grande do Sul, por conta de excessos da polícia. O autor destaca que a grande maioria dos policiais militares só recorre à violência extrema - o uso de armas de fogo - quando não há alternativa.

Já vivendo em São Paulo, porém, em começo de carreira como jornalista, percebe um padrão de violência. O suspeito resiste à abordagem, reage a tiros, é baleado e levado pela viatura ao hospital, onde é declarado morto.

Esse relato se repete muitas vezes em jornais que dão grande espaço ao noticiário policial, como o extinto Notícias Populares. Barcellos nota também a repetição de alguns nomes de policiais envolvidos nos tiroteios. Todos da Rota.

Ficamos sabendo da origem da Polícia Militar paulista em 9 de abril de 1970, a partir da fusão da antiga Força Pública com a Polícia Civil. E que parte dos integrantes da Rota, recém-criado criado grupo de elite da PM, teve origem em organizações como a Oban, Operação Bandeirante, que combatia movimentos armados de esquerda e assaltos a banco.

Muito antes de ser moda falar em jornalismo de dados, Caco Barcellos cria o seu Banco de Dados, e parte para um trabalho extraordinário. Ao longo de sete anos, pesquisa 22 anos de atividade da Polícia de São Paulo, entre 1970 e 1992.

À revelia da má vontade das autoridades que dificultam seu acesso a documentos públicos, promove uma longa pesquisa, vasculhando arquivos desorganizados, em salas empoeiradas e até insalubres. Confronta os dados com os recortes de Notícias Populares e documentos da Polícia Civil e do Instituto Médico Legal.

Após a análise atenta de quase quatro mil casos, constata que ao menos dois terços dos mortos não tinham qualquer passagem pela polícia. Em muitos casos eram trabalhadores inocentes de qualquer acusação. Em geral, pessoas pobres da periferia, de pele parda ou negra, cujo maior pecado era estar no lugar errado na hora errada.

Caco Barcellos dá um rosto e uma história a casos que normalmente são apenas relatos frios nas páginas de jornais. Alguns episódios se destacam, como o do filho de um sargento da própria PM, morto após uma perseguição de carro. Ou o de Fernando Ramos da Silva. Jovem de origem humilde, ele foi escolhido pelo cineasta Hector Babenco para viver o papel principal em Pixote, a lei do mais fraco, filme de 1981. Não conseguiu se firmar na carreira de ator e, seis anos mais tarde, acabou morto pela polícia aos 19 anos de idade.

Em uma madrugada de abril de 1975, um grupo de jovens de classe média alta é flagrado por uma equipe da Rota furtando o toca-fitas do carro de um amigo. Segue-se uma perseguição policial por ruas de bairros nobres de São Paulo, descrita em detalhes por Caco Barcellos como se ele estivesse presente. Várias viaturas são envolvidas, até o cerco final do Fusca ocupado pelos rapazes e sua morte por rajadas de metralhadora.

É o episódio que dá título a esse livro. É uma das histórias de horror mais fortes que já li, porque a brutalidade é real, e os monstros existem. Um corajoso livro-reportagem que merece sua leitura.
Profile Image for stella.
54 reviews3 followers
May 23, 2025
a coragem de caco barcellos pra publicar isso daqui foi gigantesca. é, sem dúvidas, uma leitura obrigatória pra todos os brasileiros.
esse livro só provou o quanto eu amo o jornalismo e o tamanho poder dessa profissão <3
Profile Image for Barbiekill.
17 reviews1 follower
May 21, 2021
''Não quero estar realmente de novo
Na mão desses caras que fede a porco
Se eles me pega
Me enche de soco
Não vou relatar esse fato de novo.''
- Trilha Sonora do Gueto
Profile Image for Guilherme Abizaid.
10 reviews
September 22, 2023
Livraço aço aço

Que trabalho fenomenal de Caco Barcelos.

Reportagem foda, escrita envolvente, narra a brutalidade das ROTAS e da PM no estado de São Paulo. Um retrato fiel da violência policial, que é um problema de todo o país e que insiste em perseguir os mais vulneráveis socialmente.

A frase para definir esses setores da PM vem no final do livro, citando um promotor civil que foi responsável por um caso

"Um verdadeiro cerimonial de sadismo"

Leitura recomendada para quem quer conhecer mais de uma das mazelas desse nosso país.
Profile Image for Andressa Almeida.
9 reviews2 followers
January 17, 2021
Forte e necessário. Admirável todo o trabalho de pesquisa neste livro-reportagem do Caco Barcellos.
1 review
January 29, 2026
Não é apenas um livro, é uma pesquisa científica que mostra os abusos de uma corporação que nasceu para matar

“Caco Barcellos é um jornalista que tem lado”

Foi o que escreveu Narciso Kalili no prefácio do livro Rota 66 ( ED. GLOBO S.A/SP, 1992, 274 páginas), cujo autor é o renomado repórter Caco Barcellos. A verdade é que o finado jornalista não poderia ser mais didático para apresentar o colega de profissão. Durante toda sua carreira, Caco nunca hesitou em se pôr ao lado dos mais fracos, dos oprimidos, dos que não tem a voz ouvida e documentada.

Hoje, Caco Barcellos é considerado um dos maiores jornalistas do país (se não o maior), todavia, o repórter já trabalha na área há muito tempo, com vasta experiência em jornalismo de alto risco, o Gaúcho natural da periferia Porto-Alegrense, se formou em jornalismo na PUC-RS e começou atuando como repórter do jornal Folha da Manhã em 1973, ajudou a criar a Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, e posteriormente reportou nas revistas semanais IstoÉ e Veja. No fim dos anos 1970 já era correspondente internacional em Nova Iorque, tudo isso antes de chegar no grupo onde está até hoje, o grupo Globo, onde ingressou em 1982, trabalhando no Globo Repórter. Caco também participaria de outros programas como Fantástico, Jornal Nacional e Profissão Repórter. Sendo assim, o jornalista possui uma carreira com mais de 50 anos de atividade, e durante todo esse período, Caco forneceu diversos materiais relevantes para a sociedade, reforçando o papel do jornalismo no mundo. Dentre eles, são notáveis seus livros-reportagens para além de Rota 66, como ‘Abusado, o dono do morro Dona Marta’ publicado em 2003 e também sua primeira obra editorial: ‘Nicarágua: a Revolução das Crianças’ (1986).

Rota 66 foi publicado em 1992, fruto de uma extensa e trabalhosa pesquisa de Caco Barcellos sobre os padrões de conduta dos oficiais da Ronda Ostensiva Tobias Aguiar nas suas operações. Caco inicia seu estudo ainda nos anos 1970, com o caso que nomeia o livro, o incidente da “Rota 66”, onde três jovens da alta sociedade paulistana são assassinados após uma perseguição, pelo batalhão especializado da polícia militar, a ROTA.

O livro é dividido em 3 partes maiores, que contém os capítulos dentro delas, a primeira chamada “Rota 66”, com 9 capítulos, é focada na contextualização dos excessos cometidos pelos policiais, em geral, mas também, apresenta alguns personagens importantes além de acontecimentos inerentes à pesquisa. Na segunda parte, “Os Matadores”, os 7 capítulos focam nos oficiais mais violentos da instituição, e nas atrocidades cometidas por eles, apresentando-nos um a um, como agiam, e com quem agiam. Na terceira parte, “Os Inocentes”, com 7 capítulos, Caco constrói o núcleo emocional e investigativo da obra, aqui além de explicar o modus-operandi da ROTA, o jornalista humaniza as vítimas, explica contextos, histórias e motivações, fazendo o leitor se conectar com quem sofria os abusos policiais.

Na questão da linguagem utilizada, Barcellos de maneira genial se utiliza de diversas formas de comunicação, transitando entre elas durante a obra. Por exemplo, em vários momentos o autor usa uma linguagem impessoal, apenas apresentando os fatos, e principalmente contando histórias, às vezes com marcas subjetivas ao final delas, inclusive com trechos contendo leve tom irônico, onde o livro mais se aproxima do New Journalism. A obra se vale muito do uso do discurso direto entre os personagens, com os diálogos em travessões sendo frequentes, assim valorizando a obra na credibilidade e apuração, além de conectar o leitor ao cenário que está sendo descrito.

No entanto, como dito antes, Caco usa outros métodos comunicacionais, quando o repórter quer falar sobre suas experiências de apuração, investigação ou qualquer outra coisa relacionada à ele e não aos casos dos policiais, Barcellos usa uma linguagem direta, em primeira pessoa, deixando claro que ele é quem está vivendo aquelas situações. Isto é muito benéfico para a leitura, visto que, diferencia sem grandes quebras os momentos do livro, o leitor naturalmente percebe a troca de cenário, de personagem, de clima em geral. O livro em resumo, é uma reportagem descritiva, mas por ser uma obra altamente densa, com muitos personagens, descrição minuciosa dos acontecimentos, e uma atenção especial aos métodos de apuração de Caco, Rota 66 por vezes flerta com um tom narrativo, reforçando sua proximidade ao New Journalism. Vale ressaltar, toda vez que a obra começa a ter tons mais narrativos, o autor retoma o tom jornalístico, apresentando fatos, documentos, termos burocráticos, trazendo o leitor de volta à reportagem descritiva.

O não uso de imagens ou ilustrações não faz falta. Os casos de abusos da polícia, são retratados com muito rigor jornalístico, sendo altamente descritivos, o autor não deixa escapar nada. A riqueza de informações impressiona, faz o leitor se questionar sobre como Caco conseguiu as mesmas, número de tiros, velocidade de viaturas, falas muito específicas, tudo isso mostra como a obra é diferente no quesito apuração, não à toa se tornando premiada futuramente.

Nos meandros jornalísticos, é interessante como Barcellos explica sua pesquisa, o autor enumera as fontes, e conta desde o começo como foi o processo de apuração dos crimes da ROTA, Caco entrevistou vítimas dos excessos policiais, foi à delegacias, Institutos Médicos Legais, residências, o autor procurou com muita disposição suas informações. Ao expor esse processo de pesquisa, o repórter valoriza a credibilidade da sua obra, o leitor confia cada vez mais no autor. Todavia, o método de apuração mais notável, é o banco de dados construído por Caco Barcellos, que começa nos anos 1970 e termina apenas em 1992, perpassando toda a ditadura empresarial-militar do Brasil, e compondo 22 anos de pesquisa assídua. O autor investigou milhares de documentos do IML, com a ajuda de apenas um auxiliar, e assim mapeou padrões dos oficiais, crimes mais cometidos, e semelhanças entre as vítimas. Além de tudo isso, Caco ainda contou com um ajudante para além da pesquisa documental, um jovem, que trabalhava a serviço de Barcellos, entrevistando familiares e ajudando Barcellos nas tarefas em geral.

Rota 66 é um livro memorável, quase perfeito e irretocável, com alto rigor jornalístico a obra se apresenta como um modelo a ser seguido dentro da área, mas mesmo para os que não são conectados à este tema, o livro ainda cativa, instiga o leitor a querer saber mais sobre os casos, os desfechos, a enorme riqueza de detalhes transforma as histórias em verdadeiros cenários que se constróem com facilidade na mente de quem lê. A obra possui inúmeras qualidades, sendo uma das mais evidentes o modo como transforma números em vidas e documentos em histórias. Barcellos não se restringe à denúncia pontual, ele reconstrói a engrenagem da violência estatal, expondo como diferentes esferas do Estado contribuíram para legitimar mortes ilegais, apresentando os processos por trás de um assassinato, os desvios de conduta de policiais, delegados, promotores e juízes. A polícia executava, o Judiciário arquivava sem investigar ou não dando atenção necessária aos casos, a imprensa por sua vez, em grande parte, reproduzia a versão oficial do “confronto”, um exemplo é o programa da época de Afanásio Jazadji, jornalista e radialista que é citado algumas vezes no livro, pois com seu programa, Afanásio defendia a conduta dos policiais, reforçando a visão do senso comum, do famoso “bandido bom é bandido morto” . Conectando com o texto de Luiz Costa Pereira Junior, “A apuração da notícia”, destaca-se sobretudo a excelência metodológica de Caco Barcellos. Pereira Júnior defende que a apuração rigorosa é o “coração” do fazer jornalístico, sendo indispensável que o repórter busque múltiplas fontes, confronte versões e mantenha permanente desconfiança diante das informações oficiais. Nesse sentido, Rota 66 se apresenta quase como um exemplo perfeito daquilo que o teórico descreve: Barcellos investiga durante anos, coleta documentos, cria um banco de dados e não aceita as versões da polícia sem antes submetê-las a um processo de verificação minucioso. Como possível lacuna, pode-se apontar que o livro, ao reunir muitos casos e informações, exige atenção constante do leitor, especialmente daqueles menos habituados a longas narrativas investigativas. Também não aprofunda análises sociológicas mais amplas sobre políticas de segurança pública, mas essa ausência está dentro dos limites do gênero e da proposta, trata-se antes de um documento jornalístico de denúncia do que de uma obra interpretativa.

Em síntese ROTA 66, é um marco no jornalismo investigativo, e um exemplo de livro-reportagem, sendo modelo para futuros jornalistas e escritores. Caco Barcellos escreveu um verdadeiro dossiê gigante sobre a ROTA e seus abusos, explicando métodos de apuração, conversa com fontes, rigor jornalístico e etc. O autor, com uma linguagem didática e autoexplicativa, faz o leitor, principalmente aquele conectado ao jornalismo, entender os processos que compõem uma grande reportagem, ou uma grande obra jornalística em geral. Caco se põe como um historiador factual, alguém que investiga o rastro da informação, aquele que une as pontas soltas de histórias e às amarra em um só lugar. Rota 66 é memorável, e deve ser considerado como um dos grandes livros da história brasileira.
Profile Image for Camila.
15 reviews3 followers
April 25, 2016
Baita livro de um jornalista que ainda tem relativo reconhecimento entre o povão. O trabalho que ele realizou para escrever sobre o Rota foi digno de um arqueólogo buscando peças preciosas com todo o cuidado possível. E essas peças estavam sendo guardadas pelos poderes mais violentos e poderosos do estado de São Paulo.

Livro não mostra nada de novo sob o céu desse Brasilzão se você já acompanha as consequências do trabalho das polícias militares selvagens que a nossa cultura alimenta e aplaude, mas apresenta dados e histórias aterrorizantes sobre o que a ROTA foi/é capaz de fazer no seu trabalho.
Profile Image for Maria Fernanda.
9 reviews
October 14, 2021
Um dos melhores livros de jornalismo investigativo que já li. Demonstra de forma assustadora as bases que criaram, estruturaram e sustentam até hoje a Polícia Militar brasileira, não apenas a de São Paulo. O fato de ele detalhar em primeira pessoa os detalhes que permitiram a criação do(s) método(s) de investigação utilizado(s) nos deixa mais preparados e confiantes nas atrocidades inacreditáveis narradas no livro. Como qualquer obra que aborda a violência policial no Brasil, o constante peso do sentimento de injustiça incomoda um pouco, mas, obviamente, isso não é culpa do Caco. Quanto à (crua) narração. A ambientação e o detalhamento das cenas que compõem os casos, especialmente as de perseguição, me deixou admirada com o que Barcellos pode fazer apenas com descrições de testemunhas e laudos policiais. Desconcertante, mas muito interessante. No entanto, senti falta de uma menção mais aprofundada no sentido social sobre o projeto eugenista e higienista em curso no país àquela época. Sem dúvida, a Polícia Militar como instituição estava inserida em posição central no projeto neoliberal fascista e racista da ditadura militar brasileira. Caco menciona o fator racista nas mortes, mas não expande a explicação para A Morte Como Um Projeto de País. Por fim, nutri especial carinho pelo jovem Sidney. Espero que esteja feliz.
Profile Image for eduardo.
10 reviews
November 23, 2021
O livro Rota 66, do jornalista Caco Barcellos, faz uma denúncia das atuações irregulares, da violência policial e do abuso de autoridade por parte das forças da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA) no Estado de São Paulo.

Publicado em 1992, o livro é um excelente trabalho de pesquisa e apuração. Todas as informações estão ali, assim como os relatos de sobreviventes — nesse livro, o jornalismo literário está à la Truman Capote, tanto em perfeita harmonia entre dramatização e conteúdo, como na narrativa envolvente.

Os dados apresentados no livro são de casos dos anos 70, 80 e início dos 90. E seria muito piegas da minha parte dizer que as coisas podiam ter mudado a partir desse livro, mas todos sabemos que tudo continua como sempre foi. A descrição do perfil das vítimas da ROTA, feita por Caco, continua mais atual do que nunca: homens jovens, negros ou pardos, pobres, sem emprego fixo, periféricos e sem estudo.

Para finalizar no lado jornalístico, talvez seja o livro-reportagem brasileiro mais estruturado que li até agora. A pirâmide invertida é digna do prêmio recebido no Jabuti de 1993, na categoria Reportagem. Leitura obrigatória para todos, principalmente estudantes de Jornalismo.
Profile Image for Muriel.
7 reviews
July 13, 2025
Uma das leituras mais difíceis e complicadas de se digerir que já tive. Há duas semanas, vi e ouvi Caco contar muitas de suas vivências e histórias ao longo de seus 51 anos de trabalho jornalístico e investigativo. Também tive a chance de dizer o quanto admirava seu trabalho, um trabalho eminentemente horripilante. Na ocasião em que lhe escutava, ouvi Caco confessar, inclusive, ter sofrido com pesadelos recorrentes na época em que investigava os casos da Rota.

Tentei me imaginar em sua posição, incansavelmente buscando uma maneira de frear a maldade e a arbitrariedade doentia e tendenciosa de uma sociedade carregada de cólera. Não consigo sequer imaginar minimamente o quão angustiante foi realizar todo esse trabalho, envolto em histórias que deixam qualquer um em estado de extrema revolta.

Página a página, o sentimento que me preenchia era sempre o de uma indignação sem fim. Um ódio ao ódio, tão direcionado a vidas inocentes. Polícia suja. Violência e injustiça. Por mais que seja uma leitura árdua e desagradável, é uma leitura imensamente necessária. Leiam e tirem suas próprias conclusões. Reflitam e façam parte da luta contra as histórias que compõem este livro.
Profile Image for Gleyson Melo.
51 reviews
October 31, 2017
Este é um trabalho jornalístico gigante e excelente sobre a cultura de matar da Rota em SP.
É mais o resultado de uma pesquisa minuciosa do que um texto literário, tornando cansativos alguns momentos.

Ainda assim, vale 5 estrelas pelo resultado, que é uma denúncia muito bem embasada contra policiais assassinos que às vezes a gente defende sem saber pela política do "bandido bom e bandido morto".

O livro mostra que muitos (realmente muitos) são inocentes e só morreram porque causaram alguma desconfiança e correram (Ou nem isso).

Além disso ele detalha a metodologia, explica porque tudo fica impune e até a origem dessa cultura.

Material excelente e gera uma boa reflexão.
Profile Image for Diego Armando.
31 reviews4 followers
September 2, 2020
Este livro tem 30 anos, e deve ser lido no contexto da época. É inegável que Barcellos se expos, e muito, para entregar um trabalho jornalístico pioneiro primoroso, que custou anos de dedicação obstinada (e perigosa) em pesquisas e entrevistas, para que os abusos da Polícia Militar fossem catalogados e trazidos à tona para parte da sociedade totalmente alheia a esta realidade. O livro choca, comove. E o que mais frustra, é pensar que, passado tanto tempo, pouco se tenha mudado em relação a segurança pública nas grandes capitais, o que reflete a qualidade de tudo o que o Estado brasileiro nos fornece.
Profile Image for Vinicius Terra.
128 reviews3 followers
April 19, 2023
Extremamente real e impactante. Muito triste pensar que esses métodos característicos da ditadura, de manutenção da segurança, permanecem na nossa sociedade - bem como o discurso que permite o acontecimento de tamanhas atrocidades.

Poema que me impactou ao ler, de uma das vítimas e lido por sua mãe:

Sinto saudades do tempo que não existiu para nós.
Saudades dos teus olhos que não me viram passar.
Saudades do carinho que não veio de você.
Do encontro que tivemos e não nos encontramos.
Sinto saudades até das saudades que não sentimos.
Da vida que não vivemos.
Quero ser primavera.
Depois morrer.
Só o silêncio é sincero.
41 reviews
July 6, 2023
Livro é muito importante e agrega bastante sobre um problema ainda relevante para sociedade.

Porém, infelizmente, ele é extremamente repetitivo... Pela importância podia ser nota 4, mas me senti obrigado a dar um 3.

Faltou também algo sobre as consequências aos matadores, mas acho que infelizmente nada foi feito o que atrapalha o livro...

Por fim, em alguns casos eles passam pano nos criminosos e parecem focar apenas nos casos mais fáceis de contar a história. O que não é necessário pois os fatos já são absurdos de qualquer forma, não precisando dessa "manipulação".

Vale a leitura.
42 reviews
April 23, 2024
Que coragem. Coragem de insistir em uma pesquisa que é triste e evidente. Coragem em se envolver com coisas perigosas e nomeá-las. Deviam existir mais Cacos no mundo.
Esse livro me dá uma especial tristeza. O livro foi publicado nos início dos anos 90 e nada mundou desde então em relação à violência policial. Trabalhei anos na Defensoria Pública do Estado de São Paulo e via diariamente o descaso que acontecia ali: policiais despreparados, diversos casos sem testemunhas (além dos próprios policiais) e uma clara punição da pobreza.
Enfim, alguém corajoso tinha que falar o que já é óbvio.
Profile Image for Ada Albano.
7 reviews1 follower
December 23, 2024
Ler esse livro em 2024 enquanto figuras como Tarcísio e Derrite existem e prosperam impunemente é um soco no estômago sem tamanho. Livro fenomenal, trabalho investigativo de muito afinco e coragem, Caco Barcellos é genial e necessário diante de um jornalismo que na maioria das vezes protege matadores e humilha suas vítimas.

Dito isso, Caco se esforça às vezes para dizer que a Rota e os matadores formam uma minoria na PM, e que a instituição não se reduz à esses homens. Mas quando eles continuam impunes, e ainda por cima acobertados por toda a instituição, eu acho que isso pouco importa.
4 reviews
August 21, 2024
Infelizmente, não tem 4,5 estrelas, que seria o correto para "Rota 66". Os capítulos que contam, interrompidos pelas histórias pessoais do Caco, o caso da Rota 66 e dos guris assassinados pela PM são fantásticos. Não dá para parar de ler. Com a conclusão do caso principal e o enfoque no banco de dados dos assassinos, o livro dá uma desacelerada frustrante. Porém, quando tu se acalma e deixa o livro se reposicionar dentro da própria proposta, é um trabalho de reportagem incrível.
Profile Image for Bruna.
19 reviews
October 29, 2025
terminei esse livro enquanto acontecia a maior chacina já vista no rj.

polícia è suja, nojenta, primeiro vão atirar e depois vão perguntar.
o livro em si è muito bom, cativante e com a leitura fácil
expôs muitas coisas explícitas e que me fez questionar MUITA coisa

eles querem saber apenas dos descartáveis, muito mais fácil meter bala no primeiro inocente que aparecer sem ao menos se dar o trabalho de investigar

recomendo muito !! acab

Profile Image for Fernando Machado.
27 reviews2 followers
May 18, 2019
É o segundo livro-reportagem do Caco Barcelos que leio, e mais uma vez me chama à atenção a obstinação do jornalista no trabalho de investigação e a qualidade da narrativa.

Texto muito bom para entender melhor o que uma política de repressão policial violenta pode provocar. Obrigatóra a leitura antes de tentar defender argumentos como "bandido bom é bandido morto".
Profile Image for Roberto Rudiney.
76 reviews1 follower
January 6, 2023
Creio que seja um dos melhores livros que já li. O trabalho do Caco Barcellos é importante, forte e admirável. É um trabalho que desperta revolta e indignação, são sentimentos ruins e que te deixam mal, mas é preciso sim passar por eles.

O pior de tudo é notar que o texto e as histórias narradas ainda não tão atuais nos dias de hoje quanto foram na época em que foram escritas.
Profile Image for Vitória Berveglieri Martins.
35 reviews
April 28, 2023
Acredito que esse é um dos livros que mais me embrulhou o estomogo ao ler, mas, que ao mesmo tempo, ver que um jornalista como o Caco usou o espaço dele para jogar na mídia o que os policiais estavam fazendo contra inocentes, me aliviou um pouco. Escrita FORMIDÁVEL, IMPECÁVEL e que prede o leitor mesmo com a temática pesada.
Profile Image for Beatriz.
98 reviews
January 2, 2023
do ca ra lho. maus parabéns Caco por essa apuração absurda e feita com unhas e dentes. narrativa que não decepciona por um minuto e flui como água, do tipo que te prende e faz com que você compartilhe a sede por justiça do Caco.
Displaying 1 - 30 of 64 reviews

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