Pais, avós, empregadas, vizinhos, namoradas, prostitutas, michês, mendigos e apresentadores de programas de auditório são as personagens liricamente torpes que frequentam este primeiro romance de Marcelo Mirisola, um retrato provocante da geração classe média dos anos 1970 e 80.
Há exageros que são o melhor de sua escrita. O despropósito das associações que se atropelam em parágrafos entremeados de pontos para em seguida voltarem ligadas à outra ideia. Não se pode concluir se se trata de uma construção vertiginosa de pequenos 'marcadores' semânticos que vão e voltam rapidamente: Surgem, repentinas, em meio a um lirismo depressivo, imagens imorais e palavrões, taras inconfessáveis justapostas a crises existenciais burguesas etc; ou se são o resultado passivo das neuroses e perversões que emulam. Uma mistura menos assertiva quanto a seus elementos componentes... não se separa o lírico do cínico nem o canalha do romântico (como acontece em joana a contragosto), na verdade há uma supremacia do canalha sobre o trágico (no entanto, 'canalha trágico' seria uma boa definição de seu 'personagem'). Parece que a velocidade não permite uma decantação de seus diferentes impulsos... ver pg.39 Proust e pgs. 101-103)