A jovem Han Eun-mi nasceu na Coreia do Norte. Viu os seus pais morrerem  lentamente à fome. Viu as ruas encherem-se de crianças órfãs, como ela. Sabia que podia ser presa, torturada ou assassinada a qualquer instante, sem acusação ou hipótese de defesa. Sabia que o silêncio e a obediência cega eram a sua única hipótese de sobrevivência. Tinha a certeza de que a fuga era a sua única esperança. Para escapar à fome, Han tentou tudo. Do trabalho  violento à vida nas ruas, à mercê de esmolas. Quando percebeu que as suas forças estavam a chegar ao fim, resolveu arriscar a vida e partir rumo ao desconhecido...Em 2009, conseguiu atravessar a fronteira para a China, mas o seu calvário não termina aí. Tal como acontece com milhares de pessoas indefesas um pouco por todo o mundo, tornou-se vítima de tráfico humano. Foi obrigada a viver com um homem chinês, que a violou repetidamente, e acabou por dar à luz o filho de ambos. Só em 2015 é que Han pôde finalmente respirar o ar da liberdade. Tida como «desertora», conseguiu escapar para a Coreia do Sul. Esta é a sua dramática e inspiradora história. Um apelo ao mundo. Para que não se ignore a desumana realidade da vida na Coreia do Norte. As ilustrações no interior deste livro são da autoria de um artista norte-coreano, também ele desertor. As fotografias são proibidas na Coreia do Norte, pelo que as únicas provas verdadeiras da vida no país provêm de desenhos ou relatos. Estas ilustrações basearam-se nas memórias do artista e nas descrições da autora.
O que é mais impressionante neste livro é que parece que estamos a ler uma história de há cem anos – pobreza extrema, trabalhos forçados, fome. Mas não, estamos na Coreia do Norte do século XXI.
Foi arrepiante ler como um povo pode ser explorado até à exaustão em nome de uma suposta ideologia de igualdade que não é mais do que uma tortuosa ditadura.
Estamos perante as memórias de uma jovem norte-coreana que conseguiu escapar do seu país. Penso que o livro teria beneficiado se tivesse sido escrito por alguém mais “profissional”, pois a escrita acaba por ser repetitiva e falta alguma contextualização para quem não conhece este regime repressivo. Algumas passagens parecem excertos de diário de uma adolescente e, como leitora, senti falta de alguma reflexão e introspeção.
Mesmo assim, valeu pela descoberta de um “novo” mundo.
Confesso que até ler este livro, os meus conhecimentos sobre a realidade dos habitantes da Coreia do Norte eram muito superficiais. Até diria ignorantes. Através do relato duro, cru, real, obscenamente cruel de Han, passei a conhecer algo que saber até sabia, mas não com a extensão narrada pela protagonista e autora. Como, minha gente, como é possível que ainda existam locais no nosso Planeta em que os seres humanos não o são? Não o podem ser? Não estamos a falar do século XV mas em pleno Século XXI o que estas pessoas, estas famílias tiveram (e têm) que passar para sobreviver (com uma probabilidade muito baixinha) é um absurdo e completamente atroz! E não, obviamente que não me esqueço das guerras que neste momento estão a ser travadas, nos inocentes mortos em vão, por ganância, por maldade, por coisas que dizem que só existem no Inferno comandado por Lúcifer. É um testemunho mesmo muito duro e triste, muito muito triste, que dá que pensar e refletir e AGRADECER todos os dias pela vida que temos. E o sentimento de impotência… de nada podermos fazer pelos Norte Coreanos… pelos mortos em Gaza… pelos Ucranianos… (e podia continuar…) . PS: E sim, as mulheres, como sempre, são as mais afetadas por todas estas situações. As que mais lutam, trabalham, morrem. Sempre. Que impotência. @bibliotecamil_insta
Devorei por completo este livro em apenas algumas horas. É uma história incrível e merecedora de ser conhecida. O texto não é pesado e as ilustrações torna-lo ainda mais fácil de ler.