Antes de se tornar um dos maiores compositores da música popular brasileira, Vinicius já se consagrara como poeta da mais alta qualidade literária - seus versos marcam mais de cinquenta anos da literatura brasileira. A presente antologia é mostra da habilidade poética de Vinicius de Moraes, que soube, entre outras coisas, atualizar o erudito e conceder tratamento culto a temas populares. Com isso, tornou-se um mestre no manejo inteligente e inventivo dos metros e das formas do poema, conquistando a simpatia dos leitores e muitos elogios dos críticos.
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes (October 19, 1913 - July 9, 1980), better known as Vinicius de Moraes, nicknamed O Poetinha (the little poet), was born in Rio de Janeiro, Brazil. Son of Lydia Cruz de Moraes and Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, he was a seminal figure in contemporary Brazilian music. As a poet, he wrote lyrics for a great number of songs that became all-time classics. He was also a composer of Bossa nova, a playwright, a diplomat and, as an interpreter of his own songs, he left several important albums.
Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados Para chorar e fazer chorar Para enterrar os nossos mortos — Por isso temos braços longos para os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer Uma estrela a se apagar na treva Um caminho entre dois túmulos — Por isso precisamos velar Falar baixo, pisar leve, ver A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer: Uma canção sobre um berço Um verso, talvez de amor Uma prece por quem se vai — Mas que essa hora não esqueça E por ela os nossos corações Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre Para a participação da poesia Para ver a face da morte — De repente nunca mais esperaremos... Hoje a noite é jovem; da morte, apenas Nascemos, imensamente. (Vinicius de Moraes)
Veja, penso que a reputação não condiz com o trabalho, porque achei tão sofrível chegar ao final... Achei vários poemas sem pé nem cabeça, alguns misturados ao inglês e ao francês, outros rasos e bobos. A maior parte dos poemas traz algo de sexualidade (e perdi as contas quantos "peitos" e "sexo" li nessas 187 páginas) ou da visão de cristandade do poeta. Também me pareceu um punhado de palavras jogadas, não necessariamente conectadas: como uma imitação ruim - e mais curta, pelo tamanho dos escritos - do fluxo de consciência da Clarice Lispector.
Claro, há vários poemas que salvam a leitura. O famoso Soneto da Fidelidade está presente nesse livro, assim como o Soneto do Amor Maior. Menciono outros que gostei muito: O Dia da Criação, Alas, celua, O Falso Mendigo, Pátria Minha, Balada da Praia do Vidigal e A Mulher que Passa - a mãe da futura Garota de Ipanema! Meus dois preferidos foram A Vida Vivida ("Que destino é o meu senão o de assistir ao meu destino? Rio que sou, em busca do mar que me apavora") e Elegia na Morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta e cidadão - pai de Vinícius.
Além disso, fiquei surpresa em saber que A Rosa de Hiroxima (sim, com x) também é de Vinícius, já que só conhecia esses versos na voz de Ney Matogrosso.
Em resumo: num geral, penso que é uma coletânea muito ruim, com alguns poemas muito bons no meio - assim, em extremos.
Eu te peço perdão por te amar de repente Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos Das horas que passei à sombra dos teus gestos Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos Das noites que vivi acalentado Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente. E posso te dizer que o grande afeto que te deixo Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas Nem as misteriosas palavras dos véus da alma... É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias E só te pede que te repouses quieta, muito quieta E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
admito que achei o começo de carreira chatinho: escrevia numa toada metafísica e religiosa cansativa. por sorte, a maior parte do livro é composta por excelentes poemas de sua fase madura.
vinicius era livre como os modernistas e, ao mesmo tempo, compreendia a tradição da lírica em língua portuguesa. fazia sonetos como ninguém! seu domínio do clássico coexistia com intensas sensualidade, espontaneidade e brasilidade.
o espaço de uma vida encontra fôlego para florescer uma obra de transformação. nascida no seio polido de uma tradição, fez-se própria na pulsante melodia das paixões e no sentimento que corre das cirscunstâncias, até que, na toada de sua voz, volta-se única aos primórdios, imortalizada no signo da morte, para se erguer frondosa com a autenticidade do novo na velha ordem radial que nutre a resistência da vida em forma de literatura.
demorou a beber tanto verso; mas era preciso sentir com calma cada palavra, cada memória, cada emoção. vinicius é agridoce; esta antologia é como uma atmosfera cheia de cores, odores, sons e texturas diferentes, muitas vezes transpostas para o papel de uma forma muito descontraída e intensa
Desesperado me ergui e bradei: Quem és que te devo procurar em toda a parte e estás em cada uma? Espírito, carne, vida, sofrimento, serenidade, morte, por que não serias uma? Por que me persegues e me foges e por que me cegas se me dás uma luz e restas longe?
Obra eclética, magistral e majestosa, onde verte a essência do poetinha por todas as páginas. Felizmente o mundo teve Vinicius, senão o Amor seria menos compreendido. Tem como não amar o Vinicius?
“Seguramente não sou eu Ou antes: não é o ser que eu sou, sem finalidade e sem história. É antes uma vontade indizível de falar docemente De te lembrar tanta aventura vivida, tanto meandro de ternura Neste momento de solidão e desmesurado perigo em que [me encontro.”
Para viajar na poesia de Vinicius de Moraes, é necessário deixar a porta aberta, sentindo toda a brisa fresca das suas palavras e seguir caminho sem preocupações. Ler as suas palavras é sentir a sua respiração, nos ambientes mais silenciosos aos mais turbulentos, é ouvir os seus pensamentos mais profundos e escutar as conversas com os amigos. Não faltam definições para lhe apontarem: poeta, compositor, crítico, dramaturgo, guionista, diplomata, pai, amigo, marido e visionário. Com tantos papéis que lhe eram atribuídos, esta “Antologia Poética de Vinicius de Moraes” (Companhia de Letras, 2015) é um caminho luminoso para todos os novos apreciadores de poesia.
A riqueza da arte construída por Vinicius nunca é restrita a uma área única. Sendo um dos poucos poetas a conversar “no seio da modernidade toda a força da grande tradição lírica portuguesa”, da sua veia poética nasceram tantas outras formas de arte sob a forma de prosa, música – não fossem as suas composições uma referência para artistas contemporâneos como Caetano Veloso e Chico Buarque – e tantas outras. Talvez seja esta capacidade de se desdobrar em várias áreas que o tornou num dos raros poetas que publicaram “muitas páginas extraordinárias”.
In Sonnet of Fidelity, Vinicius de Moraes compares 'love' as life and it must end, but until then, may it be infinite: "be not immortal, since it is flame but be infinit while it lasts"
"Of everything to my love I will be attentive Before, and with such zeal, and always, and such That even in the face of the greatest enchantment Of my love be more enchanted my thoughts.
I want to live it in every vacant moment And in its praise I shall spread my song And laugh my laugh, and spill my tears As it is burdened or contented.
And so, when I am later sought out Who knows, by death, anguish of those who live Who knows, by loneliness, end of those who love
I can say to myself of the love (that I had): That it not be immortal, since it is flame But that it be infinite while it lasts."
moraes is a decent writer, though this was impossible to enjoy due to his perception of women. he infantilises women, and solely sees them as objects of desire instead of actual complex human beings. his lyrical talent as an author (and bossa nova musician) obviously influenced brazilian culture, but there are much better brazilian writers who’ve done the same (carlos drumonde de andrade, clarice lispector, etc)…very uncomfortable read
Este livro me mostrou um lado diferente de Vinicius, algo que não havia identificado, até então, em suas músicas que tanto contribuíram para a cultura brasileira. Fiquei surpresa em ver seu lado obscuro, seus poemas eróticos, e por vezes a realidade histórica brasileira expressa em sua escrita. Realmente uma obra incrível que me deixou ainda mais apaixonada!
Vinicius é umpoeta brasileiro que desejou que a poesia fosse para todos, assim tanto escrevia sonetos, um dos mais famosos é o soneto da fidelidade, como escrevia letras de canções belíssimas como a que deu origem à célebre Garota de Ipanema. Adoro.
Otima selecao de poesias de um dos maiores escritores que influenciaram a cultura brasileira do século XX, tanto na literatura quanto na música popular
Tenho este livro ha mais de 14 anos e estou sempre lendo. Drummond fio que disse: Vinicius foi o único poeta que viveu como poeta. Acabei de ler a biografia dele e é a pura verdade!