De menino pobre a idolo pop. De maior astro do pais ao banimento sumario dos palcos, da midia, da historia. Wilson Simonal descreveu a mais meteorica e tragica curva de ascensao e queda ja vista no Brasil. Na metade final dos anos 1960, Simonal rivalizava apenas com Roberto Carlos em termos de popularidade. Dez anos depois, acusado de ser o mandante do sequestro e tortura de seu contador, foi estigmatizado como da ditadura militar e, oficiosamente, acabou condenado ao ostracismo artistico ate morrer em 2000, corroido pelo alcool, pela depressao e pelo esquecimento do publico.
Simonal era culpado ou inocente? Dedo-duro ou vitima de difamacao movida por rancor, inveja, racismo? A polemica, que se arrasta ha quase quatro decadas, foi reacendida de vez em 2009, com o lancamento do documentario Ninguem sabe o duro que dei, dirigido por Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, cuja repercussao pode ser medida pela avalanche de artigos em jornais, revistas e blogs com pontos de vista divergentes acerca de fatos, versoes e mitos relativos ao caso Simonal, numa especie de processo coletivo de exumacao da historia recente do Brasil.
Nesse contexto, Nem vem que nao tem A vida e o veneno de Wilson Simonal, biografia escrita por Ricardo Alexandre que chega agora as livrarias, e uma contribuicao mais do que bem-vinda. Jornalista musical e diretor de redacao da revista Epoca Sao Paulo, Alexandre dedicou boa parte dos ultimos dez anos a um paciente trabalho de investigacao sobre a vida do autodenominado rei da pilantragem. Alem de se debrucar sobre jornais, revistas, filmes, discos e documentos de epoca, realizou centenas de entrevistas a fim de produzir aquele que talvez seja o mais completo retrato do cidadao Wilson Simonal de Castro, antes, durante e depois da fama.
"Nasci em 1974 na cidade de Jundiaí, interior de São Paulo. Comecei a escrever profissionalmente em 1993. No ano seguinte, estreei na imprensa nacional publicando meus textos sobre música e cultura nas revistas Bizz, General e no jornal O Estado de S.Paulo. Trabalhei como repórter e crítico do Estadão até 1999, quando me tornei gerente de conteúdo do primeiro projeto das Organizações Globo para a internet, o Somlivre.Com. De 2000 a 2001, fui editor-executivo do portal Usina do Som, vencedor do prêmio iBest em seis categorias naquele ano.
Meu livro de estreia, Dias de luta: O rock e o Brasil dos anos 80, foi lançado em 2002, pouco depois da minha primeira experiência como empreendedor, quando dirigi, ao lado dos amigos Emerson Gasperin e Marcelo Ferla, a revista Frente, especializada em novos nomes da música pop brasileira. Entre 2003 e 2005, colaborei com veículos como Superinteressante, Carta Capital, Capricho, Revista MTV, Folha de S.Paulo e Revista da 89 FM, entre outras outros, além de assumir a seção de música da revista Vida Simples.
Minha próxima missão seria trazer de volta às bancas a revista que me inspirou a escrever, a Bizz. Fui diretor de redação da publicação até sua descontinuidade, em 2007. Em seguida, prestei consultoria para a Som Livre e estreei como apresentador de TV, no Canal Ideal da TVA, no quadro “Coffee Break”, com dicas culturais. Comandei a revista Monet, dedicada à cobertura de TV paga, até ser convidado a dirigir a premiada revista Época São Paulo, onde trabalhei por três anos. Nesse período, em 2009, publiquei o livro Nem vem que não tem: A vida e o veneno de Wilson Simonal, considerada a melhor biografia no Prêmio Jabuti 2010.
O ano de 2011 foi dedicado à experiência de editar livros de autores nacionais da editora Mundo Cristão. Em 2012, assumi a direção de redação da revista Trip, de onde saí no início do ano seguinte para abrir meu próprio estúdio de criação editorial. À frente da Tudo Certo Conteúdo Editorial, produzi e dirigi três documentários em parceria com o Canal BIS (Napalm: O Som da Cidade Industrial, Júlio Barroso: Marginal Conservador e Ronnie Von: Quando éramos príncipes), o livro 89FM: A História da Rádio Rock do Brasil além de ter produzido conteúdo em parcerias para as mais diversas plataformas, de SmartTVs a celulares, de emissoras de rádio e aplicativos a livros comemorativos.
Meu livro mais recente chama-se Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar: 50 causos e histórias do rock brasileiro (1993/2008), reunindo textos originalmente publicados neste blog. O trabalho foi considerado o "livro do ano" na eleição do siteScream & Yell entre mais de 100 jornalistas do Brasil todo." (do blog do autor)
Excelente biografia de um dos nomes mais controversos da canção popular brasileira. Nos anos 60 Simonal era a mais brilhante de todas as estrelas pop brasileiras, apenas rivalizando, em popularidade, com Roberto Carlos. 10 anos depois tinha caído em desgraça, foi escorraçado do meio artístico, atacado pelos media. A análise do biógrafo não fica prejudicada por uma óbvia simpatia pelo biografado. Em grande parte, porque a dimensão do trabalho de pesquisa o protege e dá-lhe o espaço de manobra para assumir essa simpatia. Curiosamente, o grande mistério da vida de Simonal, saber se foi ou não delator de colegas junto das autoridades repressivas do regime da ditadura militar, não fica resolvido; o autor não toma partido, mas a análise e documentação sobre o assunto domina todo o livro. É caso para dizer que o mistério fica claramente iluminado e exposto, mas não fica resolvido, não deixa de ser mistério. E isso é um dos indicadores da seriedade do trabalho do autor.
O livro é imperdível. Além de um texto ágil e limpo, absolutamente fluído, o grande mérito de Ricardo Alexandre é - baseado em pesquisa incrível e depoimentos sensacionais - contar a história. Simples assim, sem defender, sem acusar, apenas contar a história.