Longe de veredas e povoações, a serra ondulava pedregosa e nua. Só aqui e além, ao fundo das encostas ou por detrás dos cabeços, repousavam manchas macias de terra lavrada. Donde e quem vinha lavrá-la parecia mistério em sítio tão desolado e ermo. Toda a tarde caminharam, o Lambaça adiante, André atrás. Nem uma só vez avistaram um ser humano. Não fora o sol derramando luz no ar e nas coisas, não fora o ar límpido e leve, aquele deserto e aquele silêncio seriam intoleravelmente opressivos. Assim, a serra abria-se à intimidade, numa carícia tranquila e confiante.
Mas, quando o sol começou a aproximar-se do horizonte, e os vales se diluíram em penumbras, e os cabeços e rebolos estenderam as sombras, e o ar começou a pesar de humidade e frio, então, sobranceira, a serra ganhou subitamente nova grandeza, como que olhando os intrusos com hostilidade.
Pseudónimo literário de Álvaro Cunhal, que com ele assinou obras de ficção, designadamente Até Amanhã, Camaradas (1975), Cinco Dias, Cinco Noites (1975) e A Estrela de Seis Pontas (1994, adaptado para cinema por José Fonseca e Costa). A verdadeira identidade de Manuel Tiago só foi confirmada aquando da publicação deste último romance. Durante anos, muito se especulou acerca da autoria das obras.
Pseudónimo literário de Álvaro Cunhal, que com ele assinou obras de ficção, designadamente Até Amanhã, Camaradas (1975), Cinco Dias, Cinco Noites (1975) e A Estrela de Seis Pontas (1994, adaptado para cinema por José Fonseca e Costa). A verdadeira identidade de Manuel Tiago só foi confirmada aquando da publicação deste último romance. Durante anos, muito se especulou acerca da autoria das obras.
Mais uma leitura do tema Cinco dias, cinco noites de Manuel Tiago, pseudónimo de Álvaro Cunhal, adaptado para cinema em 1996. Que eu vi não me lembro quando.
Dar o salto nos anos 40, dar o salto era passar a fronteira clandestinamente. Normalmente com ajuda de contrabandistas que conheciam o terreno. É assim que André o personagem passa. Mas durante toda a viagem está desconfiado em relação ao contrabandista ....
Personagens fortes, um ambiente tão bem retratado que se torna envolvente, diálogos muito curtos mais eficazes na mensagem. Muito bem escrito, mas carece de uma história melhor. A trama é pautada por vários momentos disconexos e confusos, que ficam sem explicação até ao final da obra.
Na verdade é mais um 3,5. Nunca tendo lido nada do autor, não tenho termo de comparação, mas parece-me que com uma última revisão o livro seria excelente. A base está lá: a paisagem, as personagens, o ritmo. Mas há vazios para adivinhar, o que não será fácil para quem não conheça esta parte da história portuguesa.
No dia em que se assinalam os 104 anos da fundação do partido comunista português, termino a leitura desta novela de Manuel Tiago, pseudónimo de Álvaro Cunhal. A escrita é, como em todas as obras do autor, envolvente, crua, e real. Aqui, faltou história. Senti-me perdido algumas vezes.
Manuel Tiago é como um pintor talentoso com falta de tinta. Traço curto mas expressivo. Porque escreve frases curtas, nomes precisos, e adjetivos aguarela que pintam o cenário e a cena numa só rajada. Sinto que este livro é um mero esboço da sua escrita, que promete muitas paisagens e bravos retratos por desbravar. Estou curiosíssimo por ler mais obras dele. Tão bem escreve como chateia, sendo morosamente moralista. Os valores morais que ele constante e variadamente procura impugnar no leitor são o fio condutor do livro e é este mesmo fio que sufoca o livro, chegando à beira de enforcá-lo na história da trabalhadora sexual. No final de contas sabe a pouco e deixa um aftertaste algo amargo. É como um café, não o aconselharia pelo sabor mas sim pelo efeito, que é rápido, curto e eficaz.
I really liked this little book, a coming of age story. Although written by a historical Portuguese communist leader, it reads more like a study of characters than a political manifesto and you can't help but feel Tiago's empathy and tenderness for is younger idealistic self, the shrewd smuggler Lambaca, and the dispossessed women they meet on their five day journey. At times a very moving book and a very well written one.