Neste livro, Marcelo Gleiser conta sobre todo o seu aprendizado adquirido em quase trinta anos de dedicação à Ciência: suas experiências, escolhas, sucessos e fracassos.
Ao contar um pouco de sua história, o autor espera que os jovens – que passam pelos mesmos dilemas e procuram pelo seu caminho – possam encontrar algumas respostas às questões que os afligem.
Por isso, decidiu escrever cartas para quem ele foi: um garoto apaixonado pela natureza, mas inseguro em relação ao futuro, a procura de sua identidade e de seu lugar em um mundo nem sempre fácil, mas invariavelmente fascinante.
Quem pensa que o cientista moderno está restrito à sala de aula e aos laboratórios se engana. Há cada vez mais espaço no mercado de trabalho para profissionais que têm muita capacidade de raciocínio e facilidade para resolver problemas.
Por meio destas cartas, o leitor terá maior contato com a realidade do profissional da área e descobrirá uma nova maneira de ver a Ciência e o mundo.
Uma das palavras que mais ocorrem neste livro - voltado para aqueles que estão começando sua carreira acadêmica e possuem vocação cientifica - é: dedicação. A dedicação e a disciplina são os fatores essenciais para o sucesso, não importa a área de especialização. O físico Marcelo Gleisler lembra que qualquer escolha deve ser sempre feita considerando que, muito mais do que um exercício de trabalho, essa escolha é, na verdade, uma opção de vida. O caminho é quase sempre árduo mesmo, mas vale à pena, e muito, se a pessoa ama o que faz. É com essa visão romanesca que ele escreve conselhos para si mesmo, ou melhor, para quem ele era na adolescência, em hipotéticas cartas cheias de exemplos de quem percorreu um longo e difícil caminho para o sucesso. As dúvidas, as fraquezas, a pressão exercida pelo meio, são esboçadas aqui, numa conversa franca e objetiva.
Não poderia ler um livro melhor no momento em que estou, iniciando a vida acadêmica. Marcelo Gleiser, é um dos homens que me faz acreditar no futuro do país. Um livro excelente, demonstrando o que um jovem cientista enfrentará em sua jornada.
É lamentável a visão expressa pelo autor, em crítica a Pinker e Dawkins, de que os dogmas da religião devem ser ignorados pelos cientistas, porque teria um “papel importante junto à vida da maioria”. Desnecessário dizer, o argumento é da mesma estirpe dos que apoiam ou silenciam face a toda mazela que do misticismo e da irracionalidade defluem.
É elitista e contrária ao espírito cientifico o ter de que há coisas inquestionáveis e de que há conhecimento que não possa ser disseminado. Graças a posicionamentos como esse, movimentos de antivacinação e de negação do aquecimento global proliferam em uma era onde todas as pessoas tem mais volumes à mão do que a Biblioteca de Alexandria -e de graça-, pela Internet.
A falha na comunicação científica e a autocensura em prol da manutenção da superstição e misticismo já custam vidas.
Por esse simples fato, não recomendo a leitura desse livro.