[Wrote in Portuguese]
"O Esplendor da Vida"... Tenho que admitir que não foi um bom começo na aventura pela escrita de Sveva Casati Modignani, à qual, há já imenso tempo, estava curiosa por ler. Este livro foi escolhido à sorte, tenho que admitir, e, só depois de requisitado é que descobri que era uma continuação de uma outra obra, "Desesperadamente Giulia", que, tal como o nome diz, gira à volta da escritora Giulia de Blasco, após um período difícil da sua vida, em que lhe foi diagnosticado cancro, reencontrando depois o grande amor da sua juventude, Ermes Corsini, o cirurgião que a libertou de um terrível fardo. Este livro fez-me lembrar muito uma novela, na verdade, acho que já percebi que esse é o estilo da autora. Penso que a autora poderia ter desenvolvido mais o livro e torná-lo numa história mais interessante que esta que me foi apresentada. As descrições de certas cenas estavam escritas de maneira relativamente pobre comparado ao início de alguns capítulos. Não consegui bem imaginar as personagens, pelo que nem todas têm descrição física, aliás, a que mais me custou formular uma ideia na minha mente foi Giulia, e devo dizer que fiquei bastante desiludida com esta personagem, que chamam de emblemática no resumo da aba. Giulia tinha imensos problemas com o filho, e, por isso, questionava constantemente as suas capacidades como mãe e acusava-se de todos os males que aconteciam com Giorgio. Ao mesmo tempo, mesmo vivendo ao lado do homem que ama, não se sente atraente nem desejada, e aí conhece Franco Vassalli, um empresário ambicioso com um gosto especial por mulheres mais velhas, que, ao conhecer Giulia, a torna na sua mais recente presa, e esta, estando num período da sua vida pós-vitória-contra-o-cancro, cai que nem um ratinho na ratoeira. Giulia fazia-se constantemente de vítima e acusava todos à sua volta pela sua desgraça, e eu juro que cheguei mesmo a perguntar-me como uma mulher, sentindo-se tão deprimente, pode escrever um romance que se tornou best-seller e que, depois de Vassalli o ler, decide que a autora tem de ser sua. Por isso, sim, de todas as personagens, é a primeira vez que a protagonista é a de que menos gostei em toda uma obra!
Já Franco Vassalli, cheguei mesmo a perguntar-me o que ela vi-a naquela mulher. Um empresário de sucesso, com uma estação de televisão em sua propriedade, pretendendo expandi-la e torná-la numa referência para a TV italiana e ganhar reconhecimento mundial. São algumas as cenas em que nos deparamos com a sua engenhosidade e maneira como manipula outros homens de negócios para conseguir o que quer. Uma coisa que apreciei muito foi a ligação desta personagem com a mãe, Serena Vassalli e o carinho que nutria por ela. Serena foi vítima de maus tratos por parte do pai de Franco, e o seu irmão também seguia as passadas do progenitor. Assim sendo, Serena encontrava conforto com o filho mais novo, que tentava protege-la a todo o custo, e à qual, mesmo depois de crescer, sente uma inexplicável admiração e afeto. Mas não gostei na maneira como a "relação" ente Giulia e Franco se desenvolvia. Não encontrei nenhuma química entre os dois e achei algumas cenas protagonizadas por ele bastante mal escritas e com pouco detalhe, que, consequentemente, não me fizeram sentir qualquer emoção.
Ainda assim, a personagem que acabei por gostar mais foi Marta, a mau-da-fita da obra, ex-mulher de Ermes, sente um ódio profundo pela noiva do antigo marido e faz tudo para os separar. E já nisso, para mim, teve um papel importante, porque alguém tinha de abrir os olhos àquele homem, mas, obviamente, o livro acabou com um final feliz e previsível, não é? Que querem que eu faça? Que sejam felizes para sempre! Mas agora falando melhor de Marta e o porquê de ter apreciado esta personagem: Marta era a típica ricaça que nunca fez nada na vida para além de viver à custa dos maridos cirurgiões, que lhe pagavam a luxuosa vida de rainha. Era atraente, admirada por alguns e outras coisas mais típicas da vilã ricaça que faz tudo para destruir a sua arqui-inimiga. Gostei de Marta por se ter revelado mais interessante do que outras personagens deste livro e por termos partilhado o mesmo sentimento por Giulia, já que todos neste livro pareciam adorá-la. Não que eu tenha odiado Giulia e querido a cabeça dela numa bandeja, porém esta foi a única personagem que parecia não a idolatrar, por isso: "Parabéns, Marta, por seres a única a não achar aquela mulher a última divindade".
A filha de Marta e Ermes, Tea, foi outra personagem que me agradou imenso, talvez a minha preferida. Nos seus 18 anos, Tea revela-se totalmente diferente da mãe, assemelhando-se mais ao seu pai. Encontrou a paz que tanto procurava junto de Marcello Belgrano, um conde falido cuja sogra julga que apenas se aproveita da filha para obter dinheiro, que nem a própria Tea tem, e em Fontechiara, a coudelaria que sustenta juntamente com o namorado, cuidando dos cavalos com dedicação e dando aulas de equitação. Tea raramente tem tempo para si com a vida ocupada que tem com Marcello, todavia, sente-se feliz junto dos cavalos, que julga serem a sua verdadeira vocação.
Esta personagem, tal como outras, apareceu repentinamente a meio da narrativa, e isso acabou por torná-la um pouco confusa. Fez-me lembrar daquelas novelas em que temos o elenco inicial e em que se adiciona mais personagens para "temperar" a história. Não achei este livro nada do outro mundo, na verdade. Achei os capítulos muito curtos e que a história avançava muito rapidamente. Julgo que, com mais umas cem páginas, poderia dar-lhe três estrelas, talvez quatro se as personagens não fossem as do costume, mais do mesmo - para além de Tea - se tivessem sido mais desenvolvidas e se o final não tivesse sido tão previsível. Talvez um dia leia "Desesperadamente Giulia", mas, sinceramente, não estou com grandes esperanças e vontade de reencontrar Giulia num período passado. De qualquer das maneiras, o livro já foi escrito e publicado à 23 anos e não vale a pena chorar pelo leite derramado. Não é uma má obra. Mas podia ter sido muito melhor.