Um livro que nos ensina como lidar com vários problemas como ciumes, sexualidade, drogas, o primeiro emprego, amor, de tudo um pouco.
É de rir algumas partes, nomeadamente das cartas de Mariana.
Apesar de ser um livro de 1998, trata temas muito atuais e isso surpreendeu-me!
Mas a escrita ás vezes torna-se maçadora e cansativa...
Apesar disso sei que vou dar aos meus filhos, quando eles tiverem 20 anos, este livro para lerem e crescerem mais um pouco.
Eis algumas frases que gostei:
"Por vezes, o amor é uma coisa que leva a vida toda a ser provada. Felizmente, ainda temos muito tempo à nossa frente."
"Mas a solidão também pode ser uma armadilha, uma ilusão de óptica, um equívoco".
"E, se reparares, as grandes paixões tomam forma no meio da solidão; além disso, os músicos, os poetas, os escultores criam e inventam para poderem chegar aos outros e se sentirem acompanhados."
"As pessoas, todas as pessoas são mais felizes do que pensam; dar valor ao que temos pode ser uma das formas de o descobrir."
"Aliás, pode ser presunçoso uma pessoa querer ser tão perfeita como Deus. És humana, com todas as condicionantes que isso acarreta, e, se falhares em alguma coisa, perdoa-te a ti própria e tenta melhorar da próxima vez."
"Irritante estar permanente ansiedade das pessoas perante o silêncio, como se a paz fosse sinónimo de depressão!"
"É como se o amor nos encurralasse a um canto para nos dizer: "Rende-te, entrega-te, não vale a pena lutar.". Talvez seja romântico, mas é também assustador saber que "ele" nos vencerá toda a vida, independentemente do sofrimento que nos causa."
"Mas deixa-me dar-te um palpite: notarás que amarás, amarás realmente o outro, quando te aperceberes de que, sem dar por isso, te encarregas voluntariamente do seu bem-estar".
"Dizem os poetas: valeria a pena viver nem que fosse para semear uma flor... Mas, não são os poetas que se matam?"
"P.s - Penso que a única forma de alimentares a tua auto-estima é ficares atenta aos teus esforços e aplaudires a tua própria evolução. O apreço dos outros é enganoso, porque só nós sabemos o que nos custa avançar..."
"O que me parece é que o sexo é um assunto que causa ansiedade nas pessoas, e que há mais indefinição sexual do que se imagina..."
"Nunca te lembrarias de dizer "tenho um amigo heterossexual", pois não? De facto, esse tique inquestionado e aparentemente inofensivo de classificar a sexualidade das pessoas como se ela fosse um nome próprio, revela-se de tal forma nefasto que só deixa ás vitimas duas míseras hipóteses: ou esconder a sua verdade para se defenderem do rótulo, ou confessá-la com bravura e ganharem como prémio um estigma que os perseguirá e prejudicará toda a vida. Isto, sem nenhuma das versões exclua a dor, o isolamento, a segregação."
"É triste ter que lembrar que os homossexuais não são doentes, mas pessoas iguais a todas, com a mesma tendência para o vicio e para a virtude e tão eticamente corretas ou moralmente abandalhadas como as que se definem pelo outro perfil sexual."
"Talvez nunca tenham reparado que existem heterossexuais frágeis e femininos, da mesma forma que há, entre os homossexuais, homens fortes, viris e até arruaceiros... Não há sexos, há pessoas" (isto em relação aos homossexuais serem chamados de "maricas").
"Não és culpada de sentir preconceitos em relação a certas coisas; serás culpada, sim, se não os contrariares".