"Não é a dor que nos muda (...), mas sim a utilização inteligente dessa dor que fazemos ao longo da vida.
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O dinheiro não enlouquece, mas o amor por ele destrói a serenidade. A ausência do dinheiro torna-nos pobres, mas o seu mau uso torna-nos miseráveis.
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Peço-lhes que ampliem os horizontes da mente para respeitar, apreciar e exaltar acima de tudo a vossa condição de seres humanos. O meu maior sonho é que possamos formar uma rede de seres humanos sem fronteiras, em todas as naçõs, em todos os povos, em todas as religiões, em todos os meios científicos. Uma rede de seres humanos que resgatem a natureza humana, o instinto da espécie que perdemos. A humanidade vive num caldeirão de tensão pela loucura da competição predatória, (...) pelos conflitos sociais, pela devastação do meio ambiente, pela dificuldade de interiorização e de regresso às nossas origens.
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revelou mais de sessenta vezes que era o Filho do Homem. Poucos na história perceberam o que ele queria dizer. Revelou que era cem por cento pela humanidade e não apenas pelos judeus. Ao insistir que era Fuilho do Homem, queria mostrar em código que era filho da humanidade, que era o primeiro ser humano completamente sem fronteiras. A sua cultura, raça, nacionalidad eram importantes mas a sua condição de ser humano era muito mais. Ele apaixonou-se pela humanidade num nível que a teologia não compreende e a psicologia não alcança. Apenas um ser humano sem fronteiras poderia dizer que as prostitutas precederiam ilustres tyeólogos fariseus. O seu amor foi um escândalo para os seus dias e ainda o é para os nossos.
(...) retira a utopia e seremos máquinas. Retira a esperança e seremos servos. Retira os sonhos e seremos autómatos.
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Actuem como socioterapeutas. Dêem e recebam. Não dominem as pessoas, não defendam a vossa crença, não imponham as vossas ideias, exaltem a vossa humanidade. Perguntem, a quem encontrem pelo caminho, no que é que vocês lhe podem ser úteis. Dialoguem com as pessoas, conheçam páginas secretas, desvendem seres humanos deslumbrantes entre os anónimos. Não os enxerguem com os vossos olhos, mas com os olhos deles.
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- Jamais seremos iguais na nosa essência, no tecido intrínseco da nossa personalidade, no nosso pensamento, modo de reagir, ver e interpretar os fenómenos da existência. O sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças.
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Não acredito em mudanças de fora para dentro. Acredito numa mudança pacífica de dentro para fora, uma mudança na capacidade de pensar, de ver, de criticar, interpretar os fenómenos sociais e, em especial, na capacidade de resgatar o prazer. O meu sonho está dentro do ser humano.
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- O sistema capitalista (...) corre sério risco de implosão (...) não por disputa de classes sociais, mas sim por um problema que está no seu cerne: ele produz a liberdade de possuir e se exprimir mas não a liberdade de ser (...) depende da ansiedade pelo desejado e não pelo necessário.
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Fomos contagiados por um vendedor de ideias que nos ensinou a não negar o que somos. Antes deste contágio, éramos todos «normais», estávamos todos doentes. Queríamos ser deuses, sem saber que ser deus é andar sobrecarregado, tenso, pesado, com o compromisso n eurótico de ser perfeito, de se preocupar com a imagem social, de dar importância vital à opinião alheia, de se cobrar, punir-se, exigir. Perdemos a leveza do ser."