A obra completa da coleção Mar de Histórias, antologia do conto mundial é composta de 10 volumes independentes, contém nada menos que 239 contos escolhidos entre os melhores de 192 autores pertencentes a 41 literaturas. Foi empreendida há mais de quarenta anos por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Paulo Rónai. O material está disposto por ordem cronológica da publicação dos contos. Cada um deles é precedido de uma introdução que o situa na obra de seu autor e na respectiva literatura. Notas abundantes facilitam a compreensão dos textos.
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira foi um lexicógrafo, professor, tradutor, ensaísta e crítico literário brasileiro. Foi o autor do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa e membro da Academia Brasileira de Letras
Essa é uma das edições mais legais da coleção (ainda não li as três últimas). E olha que, olhando pelos nomes dos escritores, a gente não daria muita coisa: apenas uns dois ou três nomes conhecidos. Mas é que essa coleção é especialmente pródiga em levantar tesouros de escritores e literaturas obscuras.
O conto que mais gostei do livro, por exemplo, é o empolgante "Na sombra da morte" de Rudolfs Blaumanis, um escritor vindo da Letônia e que conta a história de um grupo de pescador que se vê à deriva em um bloco de gelo.
O segundo conto de que mais gostei é do polonês Boleslaw Prus, também ele um dos ilustres desconhecidos em terras tupiniquins. Parece que o homem era comparado ao Dickens e, de fato, é possível perceber algum parentesco no belíssimo conto “O realejo”.
Há muito que se falar também nos escritores escandinavos. Per Hällstrom participa com o sensível “Amor”. Holger Drachmann com o curioso “A história de um lava-praias”. Hjalmar Söderberg com “A capa de peles”, conto que deixa a gente com uma sensação de impotência. Destaque também para o húngaro Kálmán Mikszáth, com o seu divertido e original “A mosca verde e o esquilo amarelo”.
Como se vê, entre todos esses que citei, não há um único escritor famoso no Brasil. Entre os conhecidos, o livro conta com o impagável “O homem que corrompeu Hadleyburg”, do Mark Twain, que é um texto excepcional e que contribui para que o resultado geral da leitura desse volume de contos seja agradável, mas ele mesmo não chega a ser um conto.
Há Rilke com “O mendigo e a donzela orgulhosa”, que me deixou com vontade de ler mais contos dele. Há também H. G. Wells com “A maçã”.
Mas existem também, como em todos os volumes da coleção, alguns contos de escritores também desconhecidos que não nos chamam a atenção de alguma maneira e passamos por eles com certa indiferença.
Tem também um conto brasileiro, o Afonso Arinos com “Assombramento”, que eu já havia lido em outra oportunidade e não importa o quanto louvem o estilo desse conto, ele continua me parecendo difícil de ler.
Mesmo assim, o saldo desse volume 7 é mais positivo que em vários outros.