Ninguém persegue João Pedro. Se a vida não lhe sorri, também não o condena. Então, por que tantas andanças a esmo, tanta inquietude na casa paterna, ou no Rio de Janeiro, em Londres e Copenhague? Um bicho, talvez a ave de rapina kafkiana, entrou nele pela boca e lhe despedaça as entranhas. João Pedro, presente ou perdido no labirinto de suas introspecções, puxa os fios da vida do pai, da mãe, da tia, de outras pessoas da família - gente que egressa dos estertores patriarcais e que pode entrar em choque com a modernidade. Aos poucos a família se desagrega, vem a desabar qual velha casa solarenga. A absorção de conflitos novos podera lhe ser fatal. Este romance é revestido por um fino tecido de intertextualidades. Deve ser um romance policial com o mistério guardado até o desfecho. O autor também publicou "Inúteis luas obscenas" (2010).
Hélio Pólvora de Almeida nasceu em 1928, em Itabuna, sul da Bahia. Em 1953, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde morou por 30 anos e onde iniciou sua carreira literária e de jornalista, que prosseguiram, depois de 1984 ao retornar a Bahia, com atividades nas cidades de Itabuna, na vizinha Ilhéus e na capital, Salvador). Seu primeiro livro publicado foi Os Galos da Aurora, em 1958 (reeditado em 2002, com texto definitivo). Mais de 25 títulos de obras de ficção e crítica literária se seguiram, com destaque para os livros de contos, além de participação em dezenas de antologias nacionais e estrangeiras. Hélio Pólvora também possui contos traduzidos em espanhol, inglês, francês, italiano, alemão e holandês. Ele próprio sendo também tradutor requisitado. O escritor passou a morar em Salvador no ano de 1990, onde foi eleito para a Cadeira 29 da Academia de Letras da Bahia. Pertenceu ainda à Academia de Letras de Ilhéus. Nos últimos anos, Hélio Pólvora matinha uma coluna semanal de crônicas no jornal A Tarde.
Hélio Pólvora era casado com Maria Pólvora Silva de Almeida. Deixou três filhos, Hélio e Raquel, frutos da união com Maria Pólvora, e uma filha (Fernanda), de união anterior.