"O facto é que em praticamente todos os crimes de que há registo, a pessoa mais suspeita é realmente o criminoso."
Após uma introdução brilhante no início do livro, Isaac Asimov apresenta-nos o Clube dos Viúvos Negros.
Um grupo de seis homens junta-se, uma vez por mês, num jantar privado, deixando as suas mulheres em casa e concentrando-se em usufruir, ao máximo, da companhia uns dos outros. Entre eles encontra-se um escritor, um professor de matemática, um especialista em criptografia, um artista, um advogado e um químico. Em último, mas não menos importante, temos Henry, o empregado que serve, com profissionalismo e elegância, o clube mensal. O homem mais honesto que alguma vez conhecerão, tem um papel de destaque no conjunto de contos de mistério.
Cada sessão do Clube dos Viúvos Negros tem um anfitrião, e este pode trazer um convidado à sua escolha que, após um sublime jantar, é sujeito a um interrogatório por parte dos membros. Porém, este interrogatório de praxe é substituído pela resolução de mistérios incomuns e é neles que se foca este livro único.
Tanto os viúvos negros, como Henry, são personagens complexas e intrigantes e as suas histórias e personalidades são reveladas, cuidadosamente, ao longo da série de contos. Isaac Asimov dá-nos a conhecer os membros do clube até sentirmos que são um velho grupo de amigos, do qual sempre fizemos parte. À medida que avançamos na leitura, esta torna-se mais elaborada e, consequentemente, mais saborosa.
Asimov era um escritor fantástico e um mestre da ficção que tinha o dom de despertar a mente do leitor e de a manter alerta até ao último ponto final de cada história. Através deste livro, o primeiro que li do autor, mas não o último, posso afirmar que a autoconfiança e segurança de Asimov, como escritor, elevam ainda mais o estatuto dos seus contos.
Com uma boa dose de humor, jogos mentais e exercícios de lógica, Asimov expõe mistérios que eu nunca ousei imaginar e soluções às quais seria incapaz de chegar, mesmo com um empurrãozinho dos viúvos negros. Além disso, o autor usa as suas histórias para vasculhar nos temas da Ciência, História, Literatura, Política e outros assuntos de interesse.
Foi com um enorme prazer que acompanhei as vidas dos viúvos negros e os pequenos detalhes só seus, sem nunca perder o fio à meada nos mistérios, que são o coração de cada uma das histórias. Da mesma forma, foi com uma imensa tristeza que li o último conto. O meu desejo era de que o clube dos viúvos negros durasse por tempo indeterminado e partilhasse os seus mistérios, nem que fosse só comigo. Iria mesmo mais longe e atrevo-me afirmar que não me importaria de ser do sexo masculino, para ter a honra de fazer parte deste clube!
"Todos queremos que coisas dramáticas sejam verdadeiras. Queremos que seja possível pedir um desejo a uma estrela, ter poderes estranhos, ser irresistíveis para as mulheres...e, no nosso intimo, somos capazes de conspirar para acreditar nessas coisas, por mais que proclamemos uma racionalidade total."