A paixão entre Dennis Betts, o filho de uma família mórmon norte-americana recém-chegada ao Brasil, e Lázaro Prata, um professor de inglês local contratado como intérprete, é o componente que dá início à trama do livro Interlúdio, do escritor e consultor literário anglo-brasileiro James McSill. O autor explora o abismo que há entre a felicidade originada no amor dos dois e as tragédias provocadas pelo preconceito.
Para ficar ao lado de Dennis, Lázaro se deixa sugar para dentro do mormonismo, o que só é possível enquanto a relação deles permanece secreta. Porém, nem sempre é possível acobertar esse tipo de sentimento. Assim que a paixão entre eles vem à tona, passam a sofrer consequências que durarão décadas – e atravessarão continentes.
Com o desenrolar da narrativa, James McSill – um especialista em storytelling – mostra toda sua habilidade em construir uma história que, mesmo repleta de reviravoltas surpreendentes, é muito bem amarrada do início ao fim. Além disso, provoca inúmeros sentimentos a cada página, fazendo com que o leitor se envolva com o enredo.
Na música, interlúdio é o trecho musical tocado entre duas estrofes, como uma ligação entre as diversas partes de uma composição. Neste livro, é o espaço que une e, ao mesmo tempo, separa o amor e o terror, a felicidade e a tristeza, a realidade e o devaneio, entre Dennis e Lázaro.
Foi um livro que começou bem, achei a temática interessante. Ele estava na minha estante há muitos anos, quando vi uma resenha da Taty Leite. Mas conforme fui lendo, ele desandou. Além de ser enrolado demais (achei que várias partes poderiam ser cortadas), ficou tudo parecendo um enredo novelesco meio sem nexo, com diálogos confusos, meio soltos. Esse estilo que o autor quis aplicar no livro, de "jump-cuts", conforme está na orelha do livro, não funcionou pra mim. Ficou parecendo que algumas cenas importantes foram mal desenvolvidas, enquanto a história se perdia em prolixidades.
*Antes de ler esse livro, você precisa saber que ele aborda: tortura, abuso, violência contra mulher, homofobia, estupro. Mesmo que não seja tão explícito pode ser considerado um gatilho para quem já sofreu algo parecido. *
Eu fiquei completamente sem chão ler esse livro. Em hipótese alguma imaginaria as atrocidades que percorreram ao longo da história. Tudo baseado em fundamentalismo religioso e autoridade familiar. O pior é saber que parte do que foi narrado aconteceu de verdade. Quanto é ficção quanto é ficção eu não sei dizer, mas tenho certeza que isso não tira o mérito da obra. O mais importante: nos mostra o quão insano é o fundamentalismo religioso.
Intérludio narra a história de amor, sofrimento e desencontros dolorosos entre Dennis e Lázaro. É sobre o primeiro amor, os primeiros sentimentos e os primeiros sofrimentos. Isso tudo ambientado em parte no Brasil da ditadura. O pai de Dennis, John, é um militar norte-americano e fundamentalista religioso Mórmon que não aceita a sexualidade do filho e faz de tudo para livrá-lo disso. DE TUDO MESMO.
Não irei enumerar os momentos pesados e tristes que acontecem ao longo do livro, mas vale salientar que eles perduram ao longo dos mais ou menos 30/40 anos. Não é fácil acompanhar ou aceitar o que acontece quando se está acostumado com histórias LGBTQ para jovens adultos. É mais cruel.
A história tem algumas reviravoltas que me agradaram e surpreenderam e outras que já eram de se esperar. O último capítulo e a última página do livro pode ser uma luz do túnel. Deixo que vocês descubram isso durante a leitura.
Interlúdio foi um dos livros que mais mexeu comigo durante esse ano. Primeiro porque trata de assuntos com os quais me identifico e também por abordar temas do qual sou completamente contrário e que me faz ficar louco, triste. Às vezes acredito que isso pode interferir nas nossas avaliações, mas nada que seja um grande problema. Interlúdio conta com personagens fortes, carismáticos e arrebatadores. Lécio é um deles. Deixo a minha recomendação para que gosta de livros que abordam temas LGBTQs, mas fica o alerta quanto aos assuntos que perpassam os capítulos.
Minha resenha pode ser tendenciosa e muito superficial, mas acredito que quem ler o livro terá uma mistura de sentimentos. Esse, com certeza, é o ponto alto. Não a nada melhor que um livro mexe com o leitor.
O livro começa muito forte, porém a história deu uma decaída do meio para o fim, seja em escrita e narrativa, mas ao ficar sabendo que a história realmente aconteceu me chocou demais, é tão absurda que você fica em negação em acreditar que barbaridades como essa existiam (e ainda existem).