Eu geralmente não faço reviews de livros, justamente pelo fato de eu não confiar muito no meu poder de julgamento literário. Porém, sinto que esse livro do David Ruelle despertou em mim essa segurança (ou insegurança, não sei julgar ainda) de fazer uma análise do mesmo.
Para começar, o próprio autor já define no prefácio que matematicamente é um livro muito superficial, sendo levantadas questões com uma profundidade mínima para uma exposição suficientemente detalhada. E isso ele faz, eu diria até com uma graciosidade especial, neste quesito o autor está de parabéns em sua exposição matemática, não sendo nada cansativa, extensa ou complicada demais para um leitor com o ensino médio completo. E toda a matemática que ele diretamente mostra (pois, indiretamente, debate questões de outros autores aos quais ele sempre introduz a referência bibliográfica) tem um papel importantíssimo nos debates de cada capítulo.
O meu problema com o texto é mesmo a exposição escrita do Ruelle, eu tenho uma concepção que nem todo cientista dos ramos das ciências exatas tem um poder expositivo, uma presença-de-palco-literária, boa o suficiente para se fazer notado. E nesse livro, pelo menos na primeira metade do livro, achei muito rasa. Senti que haviam buracos que estavam sendo ignorados, e entre os que foram abordados, senti que muitos não foram suturados bem o suficiente. E não é uma questão com o próprio Ruelle, pois ele na segunda parte do livro claramente mostra esse poder de escrita (a comparação de buracos negros com o inferno de Dante eu achei genial).
Apesar dos pesares, isso tudo seriam as características de um livro de 4 estrelas para mim, porém como podem ver, houve uma subtração de uma estrela. E de onde vem isso? Eu poderia dizer em termos técnicos que os atratores do autor não eram caótios, mas sempre periódicos. A exposição sobre teoria do caos foi bem breve (e vindo de um dos criadores dela, me surpreendeu a total vedação do tema), toda vez que parecia ir para esse ponto o autor fazia um "eterno retorno" ao acaso. A exposição do acaso foi muito maior do que a do caos, até em momentos que eu conseguia ver onde ambos tinham uma correlação forte. Enfim, é um livro que retrata mais a inexatidão das ciências exatas, e para esse quesito, ele é tão exato quanto uma coisa inexata poderia ser.