«E este foi o melhor rei e mais justiceiro e mais honrado que houve em Portugal desde o tempo do rei D. Afonso, o primeiro» (D. Pedro, Conde de Barcelos)
D. Dinis, sexto monarca português, marcou profundamente a consolidação do reino através dos seus quarenta e seis anos de governação. Fundou a primeira universidade portuguesa, substituiu o latim pela língua portuguesa nos documentos oficiais, reformou quase todos os castelos, foi um diplomata de excepção, admirado, inclusivamente pelo Papa, incrementou a agricultura, a pesca e o comércio, amante da poesia e da música, ficou imortalizado pelos seus cantares.
Mas a tragédia também assolou a sua alma, primeiro foi o conflito armado com o irmão, no final da vida, a dilacerante guerra com o seu próprio filho herdeiro. A seu lado, estava uma rainha de excepção, Isabel de Aragão, com a qual nem sempre as relações foram fáceis…
Neste romance, o leitor é conduzido à intimidade de um Rei justo, sábio e poeta. Nunca a esfera íntima de D. Dinis foi descrita com tanto detalhe e faceta humana.
CRISTINA TORRÃO nasceu em Castelo de Paiva, a 16 de julho de 1965. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos ingleses e alemães) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Exerceu funções na delegação do Norte da Radiodifusão Portuguesa antes de emigrar para a Alemanha, onde vive atualmente. Foi professora de português em várias escolas de Hamburgo. Neste momento, vive em Stade com o marido, Horst Neumann, e dedica-se inteiramente à escrita, a nível profissional. Em julho de 2007, foi a vencedora da 2.ª edição do Concurso Literário O meu 1.° Best-Seller, do Modelo/Continente, em parceria com as Edições Asa, com o livro A Moura e o Cruzado - reeditado no ano seguinte com o título A Cruz de Esmeralda. Em 2010 publicou o segundo romance histórico Afonso Henriques - O Homem. Segue-se o romance D. Dinis, publicado em 2010. O seu mais recente romance, Os Segredos de Jacinta, foi publicado em junho de 2014.
D. Dinis é um rei entre Afonsos, precedido e sucedido por Afonso III e Afonso IV respetivamente e com forte influência de Afonso X de Castela. D. Dinis é desde muito jovem influenciado pelo seu avô Afonso X, um rei de um forte pendor cultural e assim sob esta influência e admiração D. Dinis irá governar o seu reino praticamente até aos dias finais da sua vida Dinis implementará no reino uma cultura de estudo e investigação. Na parte final da sua vida, na sua curva descendente, e com um legítimo herdeiro, na procura de mais intervenção nos destinos de Portugal, uma guerra civil é declarada entre pai e filho. As intrigas, divisões entre frações da sociedade alastram, até serem serenadas e se conseguir uma paz relativa. Mais do que falar deste rei e da sua consorte a rainha Isabel, e de todos os anexos que os rodeavam, gostaria de falar da escrita e da escritora.
Cristina Torrão tem o condão de nos levitar e de nos colocar presencialmente nesta aventura de uma governação monárquica do reinado de D. Dinis. A forma inteligente como escreve leva-nos a não querer parar de ler, uma escrita simples (e “simples” que aqui quero falar é do “simples” a que só alguns escritores (por norma os grandes escritores) estão ao alcance, a beleza da simplicidade) uma envolvência com as personagens extraordinária, Cristina tem uma escrita fluida onde todos os acontecimentos parecem estar lá com um propósito.
Honestamente este tipo de romance, romance histórico, nunca me chamou muita a atenção, coisa da vida olhava para eles e lá continuavam nas prateleiras agarrando o pó, mas a forma como a Cristina apresentou este livro surpreendeu-me. Cristina pecou na minuciosidade dos pormenores mas que os entendo no contexto histórico. A forma humana com que a autora expõe as suas personagens, o rigor histórico, é de uma beleza admirável. Fiquei maravilhado como a Cristina conduz as intrigas, as descrições, os afetos, enfim uma leitura maravilhosa. Simplesmente fascinante. Uma leitura recomendada.
Primeiro rei hispânico com esse nome, Dinis foi um homem de excepção. O pai e o avô castelhano eram as referências de D. Dinis que desde muito novo se mostrou ser forte em relação a todas s adversidades que lhe iam surgindo no caminho. D. Dinis é nome de empreendedor, de lutador, de conquistador. Conquistador de mulheres, sobretudo, mas também de tudo o que achava bom para o reino que defendia. Cristina Torrão mostra um rei amoroso, que se apaixona constantemente pelas lindas mulheres com quem convivia e para quem escrevia as cantigas de amor que chegaram aos nossos dias e que aprendemos na Secundária. Mas era também um rei apaixonado pela sua mulher, a quem chamaram Santa. De facto, Isabel era piedosa, uma rainha que se preocupava com os mais pobres ao ponto de jejuar várias vezes e de dar toda a comida que sobrava dos soberbos banquetes organizados pelo monarca. Era conhecida a sua bondade por todo o reino, e os pobres recorriam a ela constantemente. No entanto, nem sempre as relações do casal foram boas. Quando o filho de ambos, e futuro rei de Portugal, Afonso (futuro D. Afonso IV), se mostra com vontade de reinar, destronando D. Dinis, O Lavrador, mostrou-se mais uma vez um rei guerreiro, defensor da sua vontade e fez frente ao seu filho, como anteriormente tinha feito com o seu irmão, também ele chamado Afonso. D. Dinis afirmou-se sempre por defender os Templários, que foram perseguidos pelo papa Clemente V e Filipe IV de França. Contrariando a perseguição que estes dois faziam aos Templários, D. Dinis protegeu-os sempre, até que estes criaram a Ordem de Cristo, nova ordem militar e religiosa autorizada pelo Vaticano a pedido do rei português. Um livro que se lê de um trago e, ao contrário de alguns livros históricos, isso acontece devido a uma narrativa bastante envolvente. A autora não se centrou num aspecto de D. Dinis, mas aproveitou tudo o que ele tinha de bom: o seu empreendorismo, o seu amor pelas mulheres, as discussões frequentes com o seu irmão Afonso que pretendia o reino para si, e mais tarde com o seu próprio filho pelo mesmo motivo, a posição política nos reinados de Castela, a oposição ao Papa em relação aos templários, a criação da primeira universidade, a plantação do Pinhal em Leiria. Um excelente e rico monarca só podia dar um bom livro.
Mais uma excelente obra da autora Cristina Torrão. Confesso que era difícil comparar à obra de Afonso Henriques por ser mesmo muito boa, mas a autora não desilude mais uma vez. Para além do facto de a escrita ser muito boa e ficarmos completamente absorvidos neste romance histórico, é excelente poder ter acesso a dados históricos e conhecimento sobre personalidades importantes na nossa história como D. Dinis, Rainha Santa Isabel ou mesmo D. Afonso IV. A questão dos templários e toda a tensão na Europa na altura é também relatada sempre com passagens tudo menos monótonas. Sem dúvida muito recomendado.
Um excelente relato sobre a vida de D. Dinis, desde a sua infância. Com uma escrita muito cuidada e uma pesquisa histórica irrepreensível, a autora apresenta-nos a história deste monarca, dos seus amores e das batalhas que este travou no seio da sua própria família e com os reinados vizinhos. Saboreei o livro lentamente e com prazer, especialmente a parte ficcional que a autora escreveu para preencher as lacunas da própria História e para nos aproximar dos personagens principais, tornando o livro menos denso e aborrecido. Recomendado.
Sou "fã" de algumas figuras historicas, gente que me apaixona pela sua obra, pela sua garra ou simplesmente porque fizeram diferença na minha vida. Uns mais atuais, outros nem tanto. D. Dinis é , sem duvida, uma dessas figuras históricas. Rei ainda criança, soube sê-lo como poucos.
Confesso que conhecia alguma da obra que o tornou D. Dinis num dos principais Reis de Portugal. Fundamentalmente sabia que havia sido ele que cimentou a identidade nacional, que definiu as fronteiras de Portugal com o Tratado de Alcanizes, que procurou povoar todo o território, atribuindo inúmeros forais, que institui a língua portuguesa como o idioma oficial, entre tantos factos que tornam o seu longo reinado de uma riqueza impar.
No entanto desconhecia que estava muito longe de conhecer toda a sua imponência e grandeza e isso, confesso, foi para mim uma enorme e grata surpresa.
Mas vamos por partes.
Primeiro e depois da boa surpresa que foi o livro Afonso Henriques, não esperava menos deste e, minha cara Cristina Torrão, as expectativas estão cada vez mais altas.
Embora eu aprecie a descrição da barbárie das batalhas da Idade Medieval, tenho que reconhecer que esta obra é sublime na descrição da época e na forma como “pinta” os seus protagonistas, a maioria dos quais, para não dizer todos, não se faz ideia de como foram no aspecto físico. No entanto a autora descreve-os, de uma forma geral, e traça-lhes o perfil psicológico e moral de uma forma justa e que, em alguns casos, chega a ser comovedora. Ou seja, a autora é mais uma vez exímia na forma como preenche com ficção os factos Históricos, “pegando” no que se sabe da época e dos personagens, a autora vai tecendo um trama magnífico que se transforma num romance histórico brilhante, de uma excelente qualidade literária.
Logo no início somos colocados diante do acontecimento que vai moldar o carácter de D. Dinis e, a meu ver, ser o principal responsável pela forma como este rei governou e pela sua obra. D. Dinis, então com 5 anos, vai a Toledo conhecer o seu avô, o Rei de Leão e Castela, Afonso X, que ficou conhecido como o “sábio” ou o “astrólogo”, cognomes que denotam a enorme preocupação pela cultura que D. Dinis veio a herdar.
É esse o primeiro capítulo da obra e, com isso, é dado o mote para a acção que a autora vai brilhantemente desenrolando, de uma forma muito cuidada e com todo o vagar, ou seja, ficamos com a sensação de que pouco ou nada ficou por contar, todos os aspectos da vida de D. Dinis são escalpelizados, esmiuçados por vezes de uma forma exaustiva que até se pode tornar um pouco cansativo para quem procura ler de uma forma despreocupada, sem grandes atenções ou cuidados. A meu ver, este é um livro que deve e merece ser lido com muita calma pois a informação é imensa, chega-nos em catadupa e não é fácil assimilar tudo de uma só vez.
Por isso mesmo foi um livro que me demorou mais de um mês a ler. Fui intervalando com outros porque, repito, a informação era muita e achei que este não era apenas mais um livro, mas sim um livro que devia ser apreciado com deleite.
No entanto não foi só aspectos positivos que constatei.
Embora seja um romance histórico no qual a autora pretendeu traçar a vida e a obra de 63 anos de vida e 46 anos de reinado, o livro, em alguns capítulos, torna-se maçudo face às constantes estratégias e interesses políticos. Pessoalmente gosto de mais acção. Conforme referi, gosto das descrições das batalhas. E embora D. Dinis não fosse um rei guerreiro, o certo é que durante o seu reinado houve algumas guerras e muitas quezílias que são aqui aflorados e pouco mais. Por outro lado, confesso que cheguei a achar um pouco enfadonho as descrições das intrigas políticas que, a meu ver, bem exprimidas, eram quase sempre as mesmas, sendo D. Dinis confrontado na maioria das vezes com os mesmos problemas. Aliás, a certa altura o próprio D. Dinis se mostra aborrecido pelas repetidas intrigas. Dessa forma, o livro chega a parecer-se com um compêndio de História, fugindo um pouco do romance histórico. Com isso quero dizer que pode afugentar muitos leitores que procuram mais o entretenimento em prol da informação.
No entanto isso não deslustra a imensa qualidade do romance e a forma honesta e minuciosa como a autora investigou e pesquisou, o que, por si só, é de louvar, pois, com isso, temos a certeza de estar diante de uma história com contornos verídicos de um dos reis mais importantes da História de Portugal.
Um livro que aconselho a todos aqueles que gostam de se deleitar com uma histórias bem contadas e de escrita de qualidade.