"Vivemos em cidades, ou não cidades, cada vez mais feias, que nem por isso funcionam melhor; muitos técnicos se têm proposto a salvá-las, em muitos casos à custa de lacerações no seu tecido". Ao colocar o dedo na ferida da vida urbana, Nuno Portas, nesta obra, apresentada pela Livros Horizonte, vem revolucionar concepções, "hábitos" e paradigmas não apenas da Arquitectura como área profissional, mas sobretudo da maneira de pensar e conceber o espaço, portanto a vida da cidade.
Esta obra, editada pela Livros Horizonte -polémica e incontornável não apenas para arquitectos, engenheiros, e profissionais envolvidos em todos os aspectos da projecção, mas também para sociólogos e filósofos da paisagem - não é meramente um livro de crítica, mas sobretudo, segundo o seu autor, um contributo "para armar melhor uma disciplina em re-fundação: a arquitectura urbana". Contém portanto, propostas técnicas e práticas, mas também conceptuais e filosóficas, nascidas da experiência e maturação do autor.
Acessível ao público em geral (e cujos problemas e soluções dizem respeito ao público em geral), escrito em estilo conciso e fluente, este é um livro que apela à evolução e reconversão aberta à visão utópica na projecção dos espaços da vida humana, portanto do nosso habitat. Porém a obra não seria revolucionária se não revelasse um conhecimento tão actual e tão científico nas propostas apresentadas.