Com o seu admirável ritmo narrativo e clareza de escrita salpicada de humor, Mário Zambujal dá-nos a conhecer Eva Teresa, garota de onze anos, e Filipe, rapaz de dezoito, que namora com a irmã, Rosália. Há uma empatia folgazã entre a pequenita e o previsível futuro cunhado. A vida afasta-os quando a família Lucas se instala no Brasil, liquidando o namoro de Filipe com Rosália e ocultando a transição de Eva Teresa de menina para mulher. É por fotos e vídeos que Filipe a revê e, então, os sentimentos alteram-se: o afecto pela criança transforma-se em paixão adulta e ele viaja para o Brasil. Mas acontecerá em Sintra o autêntico reencontro e o início de um romance entrecortado por episódios imprevisíveis que enlaçam mistério e comicidade. Só nas últimas páginas os leitores ficarão a conhecer o desfecho de uma história fértil em surpresas.
No seu estilo inconfundível, Mário Zambujal traz-nos uma obra em que se aliam a vontade de saborear cada passo da trama e o prazer da leitura.
Jornalista e escritor português, nascido em 1936, trabalhou na televisão e em jornais como A Bola, Diário de Lisboa e Diário de Notícias, em especial na área do desporto. Publicou três livros de ficção: Crónica dos Bons Malandros, em 1980, que teve grande sucesso e deu origem a uma longa-metragem de Fernando Lopes; Histórias do Fim da Rua, em 1983; e À Noite Logo se Vê, em 1986.
Nasceu em Moura, Alentejo, em Março de 1936 e iniciou a sua actividade nos jornais, ainda adolescente, no semanário satírico Os Ridículos. Como jornalista profissional, foi redactor de A Bola e de O Jornal, chefe de redacção de O Século e do Diário de Notícias, director-adjunto do Record, director do Mundo Desportivo e Tal & Qual, director-fundador do Sete.
Da imprensa escrita passou para a RTP onde criou, dirigiu e apresentou programas diversos. Nos domínios da ficção, escreveu para rádio, teatro, televisão e publicações várias. Em 1980 lançou o seu primeiro livro Crónica dos Bons Malandros, também adaptado ao cinema, e desde então tem publicado inúmeras obras.
Como nos conta a sinopse, "Dama de Espadas" retrata, acima de tudo, a história de amor entre Filipe e Eva Teresa. Embora o autor tenha colocado como história secundária a investigação levada a cabo pelo jornalista Filipe, acabamos por descobrir que essa mesma investigação e o seu percurso no jornal "O Exacto" estão intimamente relacionados com a sua relação com Eva Teresa. Isto leva-nos, portanto, à conclusão de que estamos, pura e simplesmente, perante um romance. De facto, "Dama de Espadas" não é nada mais que isso: um romance, uma história de amor e respectivas peripécias.
Antes de mais quero dar os meus parabéns ao Clube do Autor pela fabulosa capa que atribuiu a esta nova obra de Mário Zambujal. Original e apelativa, consegue destacar-se, pela positiva, das restantes "caras literárias" que espreitam das estantes das livrarias.
Passando ao conteúdo em si, acho importante referir que esta é o primeiro trabalho literário de Mário Zambujal que leio. Tenho o "Já Não Se Escrevem Cartas de Amor" na estante à espera de ser lido mas ainda não tive oportunidade e o fazer. Contudo, para além de Mário Zambujal, já tive oportunidade de ler "Amor à Primeira Vista" de Domingos Amaral, outro escritor e jornalista. E, embora só conheça estas duas obras de escritores jornalistas, é impossível deixar de notar as semelhanças que as unem.
Ambos os autores se focam nas paixões do protagonista e, como cenário secundário, optam por uma investigaçao jornalística levada a cabo pelo protagonista que,invariavelm ente, em ambas as obras é jornalista. É curioso como duas gerações diferentes de jornalistas optam por este estilo de escrita e histórias tão similares.
Ainda assim, a ironia e caricatura de Mário Zambujal é indiscutível. A indicação da capa alude desde logo ao ridículo e exagero do autor: "Crónica dos Loucos Amantes". É, obviamente, de esperar uma história de amor onde as emoções vividas levam as personagens ao ridículo, à loucura. E esta tendência é notável logo a partir da primeira frase do livro. Mário Zambujal começa a desenhar esta caricatura amorosa bem cedo, embalando o leitor numa história onde reina o exagero e o ridículo. Só os nomes das personagens que vamos conhecendo ao longo da narrativa são, por si, indicativos destes aspectos inerentes à escrita do autor.
Embora a história prima por alguma originalidade, a simplicidade, ironia e humildade (presente através do recurso às expressões populares) da escrita de Mário Zambujal prende o leitor na leitura de "Dama de Espadas", da primeira à última página.
Confesso que, depois de uma história tão intrigante e cheia de peripécias, o final me surpreendeu, pela negativa. Notou-se alguma pressa no término da história de Filipe e Eva Teresa e aquilo com que nos deparamos nas últimas três páginas do livro soa-nos descabido, impossível... e ridículo. Contudo, acho que tenho uma justificação para este mesmo final ridículo. Afinal, como poderia um livro retratar o ridículo de uma história de amor se não tivesse um fim igualmente ridículo?
Uma última nota vai para o título da obra. Uma vez terminada a sua leitura fiquei sem compreender o título "Dama de Espadas"... Julgo que a alusão é a Eva Teresa, mas ainda não lhe encontrei um sentido e, por isso, vai ser algo que ainda vai andar a moer e a remoer na minha cabeça por uns tempos.
"Dama de Espadas" é, indiscutivelmen te, uma crónica. Não uma crónica qualquer, mas sim uma crónica orientada para todas as idades. O estilo literário é diferente de tudo aquilo que estamos habituados a ler, mas, ainda assim, viciante, divertido e delicioso. Gostei!
Não desilude!! Tem o humor, algum mistério, as personagens malandras, tudo na muche! E o vocabulário, o português, que maravilha. Já não consigo fazer mais elogios a este autor, agora só têm de pegar no livro, com a certeza que passaram um bom momento.
Na capa diz ser "o romance mais divertido do ano"... pouco de romance vi e a parte divertida então, nem deslumbrei. O livro não é carne nem é peixe, come-se mas não sabe a nada. Demorei 26 dias para o ler, quando o poderia ter feito no máximo numa semana. Mas não puxava, não havia aquela parte do "é agora que aquece". Parece uma história passada tipo nos anos 70 mas como já há telemóveis imagino que seja algo bem mais recente mas numa realidade diferente a tudo o que conheço. Estranho e insípido para mim...
Continuo a preferir o primeiro que li deste autor, Cafuné. Este é bastante semelhante a Serpentina, pelo menos o narrador é muito parecido e este não me trouxe novidade nenhuma, aliás, logo na frase da capa "As paixões arrebatadas são como o vinho das melhores castas, primeiro alegram, depois embriagam, um dia azedam" se percebe como a coisa vai acabar. Tem o humor característico do autor e lê-se num ápice, mas não surpreende.
Este livro é aquilo que, na Alemanha, se intitula de Belletristik e que nós costumamos apelidar de literatura de entretenimento. Mas, mesmo não aprofundando as suas personagens e não sendo muito literário, Mário Zambujal é um escritor/jornalista muito experiente, pelo que estamos perante uma escrita correta, fluida e criativa e um enredo muito bem engendrado, com lugar para viragens inesperadas, bem ao gosto do leitor que exige divertimento com nível. O próprio selo a indicar a 3ª edição caracteriza este romance como «o mais divertido do ano».
Mário Zambujal conta-nos a história do jovem Filipe que, mais por acaso do que por mérito próprio, se torna jornalista. Há lugar para as suas paixões adolescentes, a sua primeira experiência sexual e um amor arrebatado que o leva ao Brasil, apenas para regressar a Lisboa no dia seguinte, ao descobrir que a sua amada está de casamento marcado. Esta paixão, contudo, acaba por o envolver numa bizarra história de traficantes de droga, acabando mesmo como suspeito de um assassínio. A coroar a obra, temos um final inesperado, que não deixa de ser feliz. Só não entendi o título, mas, enfim, ninguém é perfeito.
O estilo leve e bem-humorado de Mário Zambujal faz deste livro uma boa leitura de férias, pois não exige uma concentração especial. Tem aliás um defeito, na minha opinião: não se consegue libertar totalmente de um certo machismo que modela as mulheres aos desejos masculinos. O autor contém-se bastante, em várias cenas, por isso, até estava capaz de fechar os olhos. Há uma passagem, porém, que não posso “perdoar”. Filipe separa-se da sua companheira, com quem vive numa união de facto há vários anos, por estar apaixonado por outra mulher. Deixa a situação arrastar-se bastante, mas, façamos-lhe justiça: separa-se, antes de entrar em vias de facto com a sua paixão. Até aqui, tudo bem. Graziela, a companheira, apesar de toda a tristeza e revolta, aceita a situação com grande dignidade. Nessa manhã, Filipe sai de casa para o trabalho, dizendo-lhe que, ao serão, regressará apenas para reunir os pertences necessários que lhe permitam dormir num hotel. E o que encontra, ao chegar a casa? A malinha feita! Graziela, a mulher digna e independente, dona do seu nariz, faz-lhe a malinha, como uma mamã dedicada!!! Como que a dizer-lhe: “Filipinho, filho, só tens de pegar na tua malinha e abalar, vai lá à tua vida, meu maroto!” O autor que me desculpe, mas este passo prejudica muito este agradável romance.
ste livro estava na minha estante, por ler, desde Dezembro/2013. É um hábito que tenho quando compro um livro, escrever o meu nome, o mês e o ano em que o comprei.....
Dama de Espada conta-nos a história de Filipe e o seu amor por Eva Teresa, que perdurou mesmo quando Eva Teresa se muda com a familia para o Brasil. Filipe, que "namora" com a irmã Rosália, mas está apaixonado por Eva Teresa, nunca conseguiu esquecer as irmãs. Quando, anos mais tarde, vê uma foto de Eva Teresa que deixara de ser uma criança e passou a ser uma mulher, decide deslocar-se ao Brasil, será que o romance dará certo?
Para estreia com Mário Zambujal e com a sua escrita peculiar e fluída, acima de tudo irónica, que dá vontade de não parar, pois os amores e desamores, as descrições, os nomes das personagens envolvidas... dão vontade de rir e fazem-nos pensar acerca dos triângulos amorosos. Gostei do final, que para mim foi inesperado, apesar de me parecer um pouco repentino. No entanto, penso que Filipe percebeu atempadamente a diferença entre paixão e amor.
Que banger, colei tão forte este rei é muito provavelmente o meu autor português favorito neste momento Quando acabei o Cafuné perguntei ao meu pai que mais livros do Zambujal ele tinha lá no escritório e ele só me disse “Leva o Dama de Espadas, é ainda melhor”, não mentiu
Filipe é um jovem adolescente, morador do bairro da Graça, que um dia se torna amigo de Rodolfo Lucas. Um vizinho com quem, apesar da diferença de idades, cria enorme cumplicidade ao ponto deste o convidar para fazer companhia à sua filha Rosália que, segundo o próprio pai, é um pouco parada para a idade.
No seu estilo muito próprio, Mário Zambujal descreve com muita piada os encontros entre ambos. Gostei em especial da cena do piano que se passa no dia em que conseguem ir para o sótão da casa. Apesar dos bons momentos que Filipe vai passando com Rosália, é com a irmã dela (Eva Teresa), que se diverte verdadeiramente. É com ela que gosta de brincar.
Um dia, a família Lucas vê-se obrigada a viajar para o Brasil fixar residência em Belo Horizonte. Os anos vão passando e Filipe é agora um repórter do jornal "O Exacto". Nunca esqueceu a menina Eva Teresa que enytretanto já é mulher! Foi acompanhando o seu crescimento através de uma tia que continua a viver em Portugal e de tempos a tempos recebe fotografias do Brasil. É atrás desse amor que acaba por ir ao Brasil na esperança de resgatar Eva Teresa para si. Não imaginava que a ia encontrar já casada, provocando assim um regresso mais rápido do que seria de esperar. Passados alguns anos Eva Teresa regressa a Portugal para o casamento de Rosália que decidiu casar em Portugal. Filipe vai reaproximar-se de novo. O resto fica para o leitor desvendar e acredito que irá surpreender.
Não conheço pessoalmente Mário Zambujal, embora tenha a certeza que seria um prazer conhcê-lo. Mas a boa onda que paira sobre si e a sua boa disposição não enganam. Se dúvidas houver, recomendo a leitura desta Dama de Espadas (Crónica de Loucos Amantes) onde ele mostra como facilmente consegue transpor a sua aurea para a sua escrita. Não sendo um marco da literatura, nem tão pouco sendo esse o seu propósito, é sem dúvida um livro que prender o leitor até ao fim.
Na capa do livro pode encontrar-se uma boa frase sobre esta obra: "As paixões arrebatadas são como o vinho das melhores castas: primeiro alegram, depois embriagam, um dia azedam."
De forma resumida (e ao contrário do tenho feito): este livro do Mário Zambujal foi a minha estreia com o escritor e tenho a dizer que não surpreendeu por aí além. Trata-se de um livro descontraído, bem leve para os que não apreciam histórias mais "pesadas" digamos. E talvez por essa extrema leveza é que não me levou a apreciar assim tanto, tudo é previsível - mesmo o final da história.
Ri-me bastantes vezes com esta Dama de Espadas e acho que é essa a riqueza de todo o enredo: o humor que Zambujal coloca no enredo. Talvez seja esse o motivo que me fez querer ler até ao fim.
Como se quer... fácil de ler, uma história cativantemente simples, bem escrito, com humor e realidade! Principalmente após um livro pesado, este que se lê em três penadas mas que lamentamos que acabe tão depressa.
Foi o primeiro que li do Mário Zambujal e gostei. Oferta da minha sogra, foi um bom presente de Natal!
Gosto sempre de ler Zambujal. É uma boa leitura ligeira, sem se tornar nunca "pirosa". No entanto, confesso que prefiro a riqueza dos relatos de época.