Integrado no espírito do classicismo pré-romântico, Frei Santa Rita Durão descreveu lendas e cenas do Brasil colônia, sua fauna e flora, seus índios e costumes. Caramuru (1781), sua única obra, de feição camoniana, tem importância histórica, graças ao sentimento nacionalista que inspirou às gerações. O poema épico é construído em dez cantos; seu tema é o descobrimento da Bahia. O autor conta a lenda de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, aventureiro português que, depois de naufragar nas costas da Bahia, teria conquistado a amizade dos indígenas graças a perplexidade causada por sua arma de fogo ao disparar contra uma ave. Caramuru é obra recomendada em várias faculdades e escolas do Brasil.
José de Santa Rita Durão (1722–1784), orator and poet, could be considered the creator of 'Indianism' in Brazil. His epic poem Caramuru is the first work to treat the native inhabitants of Brazil as its theme. Written in the style of Camões, Caramuru imitates classical poets.
Durão, who became priest of the Augustinian order, was born near Mariana, Minas Gerais. He was educated at the Jesuit College in Rio de Janeiro until age ten and the following year left for Portugal. There he was awarded a doctorate in theology and philology at the University of Coimbra, in the city of Coimbra, Portugal, where he subsequently became a member of the faculty. But during the Marquis of Pombal government in Portugal, Durão was persecuted and left Portugal for Rome, where he worked as a librarian for more than 20 years. He also visited both Spain and France during this time. When Pombal's government fell, he returned to Portugal, where he returned to teaching at the University of Coimbra. He lived there for the rest of his life. Although he never returned to Brazil, his epic Caramuru was his remembrance of his native land.
Se esse livro fosse uma pessoa, seria alguém com algo muito interessante a dizer, mas que só sabe falar lendo em tom monocórdio e do modo mais pernóstico possível. Consta que na época do lançamento o silêncio da crítica deixou Santa Rita Durão tão puto da vida, que queimou todos seus originais não publicados. Mas é compreensível: o livro é chatão. Tem seus momentos, mas é chatão.
As descrições violentas de batalhas são um ponto alto, com destaque para Paraguassu liderando suas "amazonas", como nesse verso aqui:
"Tal a forte donzela move a espada Ou lança mão do dardo agudo E de mil e mil golpes fulminada, Rebate todos no colete e escudo: As amazonas, de quem vem rodeada, Vendo sobre a heroína correr tudo, Onde quer que os contrários se apresentem, Acometem, degolam e afugentam"
Os momentos em que o autor lista em versos as frutas, aves e animais do Brasil são bonitos (a comparação entre caldo de cana e a ambrosia dos deuses olimpianos: gosto).
Mas então o somos lembrados que o autor era padre, e temos longas, longas sequências de versos que parecem saídos de uma aula de catequese. O que explica que, nos primeiros anos de Brasil independente, se tenha preferido o Caramuru ao Uraguai como épico de formação nacional. O que o Uraguai tinha de anticlerical, Caramuru tem de carola (compreensível, já que o primeiro foi escrito para Pombal, e o segundo no reinado de Maria I).
Vários cantos são desnecessariamente dedicados à visões proféticas de Paraguassu, que nada mais são senão desculpa do autor para narrar outras batalhas sem relação direta com o enredo principal (Ferdinand Denis, no seu "Resumo da História Literária do Brasil", criticava Durão por ter optado por isso ao invés de concluir a história de Paraguassu e Diogo, que fornece elementos históricos mais interessantes).
Não me arrependo da leitura, que me trouxe imagens interessantes, mas me dá cansaço só de lembrar alguns cantos, tão empolgantes quanto assistir missa.
Um poema escrito por um padre, propagando os ideais da igreja. Não é meu tipo favorito de leitura e, convenhamos, ele não é um Camões e muito menos um Homero.
Caramuru (1781) de Frei Santa Rita Durão é uma obra atrelada na historiografia literária ao arcadismo no Brasil. Escrita por entre a tradição de um poema épico (tendo como referência Camões), trata de Diogo Álvares Correia, um náufrago lusitano, transformado em líder dos indígenas tupinambás, na Bahia; e Paraguaçu, uma indígena catequizada e par romântico de Diogo, conhecido também por Caramuru (filho do trovão). De um viés bem colonizador, tomando o índio como selvagem, o cristianismo aqui é assumindo como instrumento de poder e de dominação tanto para a conversão dos indígenas em um ser "humano" como tomar as terras desse novo mundo. Aliás, o olhar colonizador é tanto que Paraguaçu é retratada como uma jovem de características brancas, assim como domina o idioma português (e muito bem pois torna-se a tradutora rs); outrossim, somente uma nativa com traços europeus atrai o protagonista, que lhe é fiel mesmo que várias outras mulheres indígenas queiram-lhe. Outras várias questões podem ser levantas nessa obra, permitindo discussões historiográficas e sociais do Brasil Colônia, como também serve para discutir a Literatura nacional em seus primórdios e a concepção de um poema épico aos moldes de Os Lusíadas. Por fim, uma leitura difícil e datada, mas que serve como base para entender e perceber o olhar colonizador e eurocêntrico para com os indígenas no Brasil Colônia.
Alguns momentos chegam a ser patéticos, devido ao caráter extremamente patriótico e ultra-heróico da narrativa. No entanto, esta é uma leitura importante, talvez obrigatória, já que nos fornece elementos pra compreender um pouco mais do pensamento colonizador dos primeiros séculos de Brasil, a importância da evangelização como uma das formas de dominação e submissão dos povos nativos, além de fornecer ricos detalhes da antropologia Indígena primordial.
Me sorprende siempre la interconexión que estas personas tenían en el pasado. Escuchar nombres de Henrique II y Catarina de Médicis interactuando con Paraguru, indígena brasileña me deja boquiabierta. Mi mayor sueño es poder viajar en el tiempo para presenciar momentos tan impresionantes.