Londres, 2022 Pedro anuncia ao mundo a descoberta da amortalidade, a fórmula científica que almejou alcançar durante as últimas décadas. Doravante, o ser humano será capaz de viver com qualidade durante várias centenas de anos. Que impacto terá esta descoberta na religião, políticas governamentais ou demografia do nosso planeta? Lisboa 2030 O Hospital Santa Maria torna-se a nova casa de Manuel, depois de lhe ter sido diagnosticado cancro de pulmão. Sara, viúva e com três empregos, vê-se forçada a desdobrar-se para que não falte nada ao filho. É no Grandson’s, onde trabalha como empregada, que conhece Gustavo, cuja vida e mágoa ia afogando na bebida. Poderá o encontro entre estas duas famílias alterar o destino?
Uma estreia auspiciosa de um jovem autor que merece a atenção do público. A obra aborda um tema pouco usual na literatura que se prende com o conceito de “Amortalidade” e conduz-nos a uma reflexão sobre como será a vida num futuro que não se afigura tão longínquo quanto poderíamos pensar. Com laivos de excelência, a obra marca esta estreia promissora. Rui Fernandes é, seguramente, um jovem autor a seguir com atenção nos próximos anos.
A forma crua e acutliante como o autor se estreia neste ensaio tem tanto de brilhante como de única. Só li dois livros na minha vida que não consegui parar de ler: o memorial do convento e amortalidade. A brutalidade não polida da obra engole o leitor, gera uma empatia quase perigosa e conseguindo assim o que a arte é: a provocação, a inquietação e a persistência na memória.