«Bashô conta uma pequena história destas suas muitas viagens. Ele vai partir para a cidade de Maruoka e o seu grande amigo, Hokushi, que é da localidade de Kanazawa, pensa em acompanhá-lo apenas por uma curta distância — “mas acabou por fazer todo o caminho até Maruoka, incapaz de se despedir”. Temos, então, um amigo que se despede infinitamente do outro, percorrendo todo o caminho da viagem que não é a sua. E imagino depois a continuação desta história. Agora seria o amigo de Bashô, Hokushi, a ter de partir para a sua casa, e Bashô iria com ele, uns poucos de metros, apenas para se despedir, mas não o consegue largar e com ele vai de novo até à localidade de Kanazawa. Imaginemos uma despedida desta maneira, ininterrupta, entre dois humanos. Dois humanos que poderiam passar uma vida inteira a despedir-se um do outro assim, com esta cerimónia e delicadeza.»
Gonçalo M. Tavares was born in Luanda in 1970 and teaches Theory of Science in Lisbon. Tavares has surprised his readers with the variety of books he has published since 2001. His work is being published in over 30 countries and it has been awarded an impressive amount of national and international literary prizes in a very short time. In 2005 he won the José Saramago Prize for young writers under 35. Jerusalém was also awarded the Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2007 and the LER/Millenium Prize. His novel Aprender a rezar na Era de Técnica has received the prestigious Prize of the Best Foreign Book 2010 in France. This award has so far been given to authors like Salmon Rushdie, Elias Canetti, Robert Musil, Orhan Pamuk, John Updike, Philip Roth, Gabriel García Márquez and Colm Tóibín. Aprender a rezar na Era da Técnica was also shortlisted for the renowned French literary awards Femina Étranger Prize and Médicis Prize and won the Special Price of the Jury of the Grand Prix Littéraire du Web Cultura 2010. In 2011, Tavares received the renowned Grande Prêmio da Associação Portuguesa de Escritores, as well as the prestigious Prémio Literário Fernando Namora 2011. The author was also nominated for the renowned Dutch Europese Literatuurprijs 2013 and was on the Longlist of the Best Translated Book Award Fiction 2013.
Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Os seus livros deram origem, em diferentes países, a peças de teatro, peças radiofónicas, curtas-metragens e objectos de artes plásticas, vídeos de arte, ópera, performances, projectos de arquitectura, teses académicas, etc. Estão em curso cerca de 160 traduções distribuídas por trinta e dois países. Jerusalém foi o romance mais escolhido pelos críticos do Público para «Livro da Década». Em Portugal recebeu vários prémios, entre os quais, o Prémio José Saramago (2005) e o Prémio LER/Millennium BCP (2004), com o romance Jerusalém (Caminho); o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores «Camilo Castelo Branco» (2007) com Água, Cão, Cavalo, Cabeça (Caminho). Recebeu, ainda, diversos prémios internacionais.
A forma como Gonçalo M Tavares estrutura os seus pensamentos e emoções é inovadora, dotando-o de uma voz singular no panorama literário. É, indiscutivelmente, um dos meus autores preferidos. Fiquei deliciada com várias partilhas sobre o Oriente e a forma leve como são encarados os vários episódios da vida. Arrojado. Assertivo. Um fiel herdeiro de Saramago com muitas provas dadas.
Comprei na festa do livro do Museu Oriente De Gonçalo M Tavares só tinha lido crônicas dispersas, interessantes sem dúvida. Fiquei curiosa com este livro e não desiludiu Da série enciclopédia este livro tem notas fantásticas e outras nem por isso.... Mas sem dúvida mexeu comigo
O livro toca nos temas clássicos da literatura de GMT: -> Dicotomia técnica vs fé/superstição -> Relação entre tempo e espaço
Este autor apresenta uma visão crítica da dominação do humano pela técnica (tecnologia, tecnocracia) mas a sua escrita é sempre analítica, intelectualizada, expurgada de emoção. O que não deixa de conter uma certa ironia: o maior admirador da da sabedoria antiga tem na sua escrita a influência da sociedade da eficiência.