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Paula Mota
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"No ano de 1962,do universo de 22 mil mães solteiras registadas nos serviços nacionais de saúde,mais de metade foram declaradas antigas criadas de servir.(.)Este número levará o jornal"Voz das Criadas"a editar um artigo,dando publicidade ao facto. (.):"Há que ajudar estas mães solteiras, mas há um trabalho maior a fazer-indagar bem e responsabilizar pelos seus actos quem põe nos braços duma mulher um filho e a deixa.
May 01, 2026 03:33AM
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

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"Outro argumento de natureza social que contribuiu para a naturalização e ironia do uso físico do corpo da criada pelo patrão está relacionado com o facto de o inconsciente colectivo ocidental, desenvolvido de há dois séculos para cá, associar sexo, sujidade, trabalho doméstico e mulheres como extensões de um mesmo tema. "
Apr 30, 2026 06:04AM
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)


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"Desde que as nossas criadas se tornem assim sábias,desde que se considerem,também nesse capítulo,iguais às patroas e adquiram conhecimentos bastantes para subirem até nós,como podemos esperar que elas se sujeitem a trabalhar para nós,deixando-nos o tempo livre para as restantes e múltiplas ocupações e poupando-nos certos espectáculos enervantes e aborrecidos?

[M.Amália Vaz de Carvalho-pioneira dos seus interesses]
Apr 27, 2026 05:57AM
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)


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"Um dos problemas mais graves que as donas de casa lisboetas têm(.)é o das criadas(.)Abundam,sim,as incompetentes(.)que estragam e partem o que é dos patrões e muito custa a comprar(.),exigem 200$00 e 300$00 de ordenado.Onde irá isto parar?Que solução se oferece à dona de casa da classe média que(.)por ter muitas pessoas a seu cargo,ou por ter de ganhar a vida,não pode passar sem criada?

[A falta de noção... :D]
Apr 24, 2026 06:25AM
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)


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"Eu também conheço tudo, a história de Santa Zita... Contam que quando ela estava a servir não estragava nada. E, depois, todas as migalhinhas de pão que os senhores deixassem, que fosse limpinho, vá, dava aos pobrezinhos.

[Nunca hei-de compreender este culto pela pobreza abjecta e a forma como a Igreja a fomentava com os seus santinhos]
Apr 24, 2026 01:43AM
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)


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"As danças modernas, pela sensualidade melífula (..) são inteiramente imorais, e a execução e circunstâncias que as rodeias demonstram à saciedade que o baile (..) é um instrumento de perversão. A atmosfera sensual que se respira, a impudícia das vestes femininas, o cúmplice afrouxamento das luzes (...) propiciam a evasão."

- "Os costumes e os bailes", Boletim Oficial da Acção Católica, junho de 1953 -
Apr 23, 2026 04:40AM
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)


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"As mulheres que praticam o aborto são acusadas de "coveiras" e "assassinas". (..)A maternidade, tema sagrado na ideologia do regime,abria aqui uma brecha profunda.Para as criadas de servir que esperavam filhos gerados pelos patrões,a decisão do nascimento significava uma situação de vergonha pública difícil de suportar ao longo da vida.O filho seria ilegítimo, filho de pai incógnito, e provavelmente afastado da mãe.
Apr 23, 2026 03:09AM
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)


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"Em Junho de 1952, foi criado um Livro de Ouro onde seriam inscritas todas aquelas que rezassem o terço diariamente. Ao mesmo tempo, abriam-se as inscrições para a guarda de modéstia no vestir. E o movimento apostólico irá prosseguir ao longo da década de 1950, tomando a iniciativa de baptizar e cristianizar este grupo profissional."

[Prioridades...]
Apr 20, 2026 10:38AM
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)


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Assim o declaram os princípios orientadores da Acção Católica Portuguesa, redigidos numa fase de consolidação:
"A massa existe, a elite é necessária para cristianizá-la. Trabalhar directamente sobre toda a massa significa perder tempo ou diminuir o rendimento do esforço que se faz. É por meio dos dirigentes, dos militantes e dos propagandistas que o Movimento se realiza."
Apr 19, 2026 12:36AM
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)


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"Quando vão ao mercado, as mulheres do povo e as criadas carregam as mercadorias à cabeça, sobretudo no Minho. no Douro, Beira e Algarve. (..) Mas em Lisboa e no Porto, transportam preferencialmente as compras na mão para se distanciarem do ar camponês. Os estrangeiros estranham este uso, considerando-o um abuso e mesmo um governador civil tentou regulamentar o uso das mulheres como transporte.
Apr 16, 2026 12:41AM
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)


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"Nós comíamos caldo ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar.E o caldo era com batata,não muita(.)Às vezes, comíamos batatas,porque era tirar um bocadinho do caldo da sopa,umas gotinhas de azeite e toda a gente molhava ali as batatas!(.)E quando íamos pedir, aquilo que nos davam não era para comermos na altura,nós levávamos para casa.Bocados de pão, às vezes já duro (.)e era para todos."
Apr 14, 2026 02:42AM
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)


Comments Showing 1-4 of 4 (4 new)

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message 1: by Gabriela (new)

Gabriela Lima Eu tenho uma triste história de uma criada de servir. O meu Bisavô pôs uma filha a servir. O patrão tentava molesta-la constantemente. Ela voltou a casa e queixou-se ao pai. O que fez o meu bisavô? Arrastou-a pelos cabelos de volta à casa do agressor (segundo ele, não queria preguiçosas a comer de graça). Passados meses ela voltou, mas desta vez trazia uma criança na barriga e o patrão não queria assumir. Ela tinha apenas 16 anos, teve a criança aos 17 anos. E aos 19 suicidou-se porque o irmão mais velho em vez de lutar pela honra e direitos da irmã apenas a apelidou de PUTA. Estamos em 1931. É assim ficou uma menina órfã de 2 anos órfã de mãe e o nunca olhou para ela, não teve responsabilidade alguma quando toda a aldeia sabia que ele era o pai daquela menina.


message 2: by Gabriela (new)

Gabriela Lima *E o pai nunca olhou para ela.


Paula Mota Gabriela wrote: "*E o pai nunca olhou para ela."
Gabriela, há aqui um capítulo inteiro sobre os patrões e os filhos dos patrões violarem as raparigas que trabalhavam nas casas deles, de como algumas engravidavam, de como algumas fugiam desamparadas e tinham de fazer pela vida numa cidade cheia de perigosos e sem rede de apoio, de como outras se tinham de inscrever em casas de toleradas (bordéis) porque já não eram virgens, de outra cuja filha foi criada pelo patrão e a esposa. É de fazer ferver o sangue! No fundo, essa menina de que falas era órfã de mãe e de pai! :/


message 4: by Gabriela (new)

Gabriela Lima Essa menina foi a ama da minha mãe. E sobrinha da minha avó. Que a ajudou a criar juntamente com os meus bisavôs.


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