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Maria Judite de Carvalho Maria Judite de Carvalho > Quotes

 

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“Mole. E enjoada comigo mesma como se me tivesse provado. Um pedaço de pão que depois de se mastigar durante muito tempo acabasse sabendo mal. Sabendo a mim própria, aos meus próprios sucos. Cuspi-me com desagrado para cima da cama e aqui fiquei líquida e espapaçada. É um estado de espírito entre calmo e desesperado com uma leve ansiedade à mistura. Por vezes sinto medo desta solidão maior do que nunca foi, imensa. Para onde quer que me volte só dou comigo mesma. Mas já me vi bastante e acabo de reparar que nada mais tenho a dizer-me. Nada mais.”
Maria Judite de Carvalho, Tanta Gente, Mariana
“Para mais essa experiência, a da vida, foi sempre para mim demasiado difícil. Nunca me habituei a ela e isso é estranho porque todas as pessoas a consideram uma coisa simples e natural, a mais natural e mais simples de todas quantas existem. Eu sempre fiz cerimónia e não procedi por isso como devia, como procediam as outras pessoas, mesmo as mais broncas e rudes, com à vontade.”
Maria Judite de Carvalho, Tanta Gente, Mariana
“«Creio que vai ser impossível organizar agora, tão tarde, um novo cenário. Estava habituada a este, era cómodo. Nesta altura não sei onde estou nem quem sou. Devo estar esfacelada, deve haver pedaços de mim por todos os cantos.»”
Maria Judite de Carvalho, Paisagem sem Barcos / Os Armários Vazios / O seu Amor por Etel
“Daí a momentos, daí a uma eternidade, levantar-se-já da mesa outra vez. E amanhã. E depois. E daí a muitos anos. Tudo morre à noite, dizia Claude. Mas não, a vida é longa, desliza e escorre sem uma quebra. Uma sucessão de acontecimentos, uma corrente sem fim de palavras ditas e de palavras poupadas. Dessas principalmente. Tinha catorze anos nesse inverno e hoje tem trinta e quatro. Vinte anos em que nada morreu, nada, nem mesmo Claude, e em que pela manhã, ao acordar, tudo foi sempre dolorosamente igual ao que era ao adormecer.”
Maria Judite de Carvalho, As Palavras Poupadas

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