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“Combater a corrupção de verdade seria combater a rapina, pela elite do dinheiro, da riqueza social e da capacidade de compra e de poupança de todos nós para proveito dos oligopólios e atravessadores financeiros. O “imbecil perfeito” é criado quando ele, o cidadão espoliado, passa a apoiar a venda subfaturada desses recursos a agentes privados imaginando que assim evita a corrupção estatal.”
― A Elite do Atraso: da Escravidão à Lava-Jato
― A Elite do Atraso: da Escravidão à Lava-Jato
“Retira-se dos indivíduos a possibilidade de compreender a totalidade da sociedade e suas reais contradições e conflitos, os quais são substituídos por falsas questões. A fragmentação do conhecimento serve aos interesses dos que estão ganhando na sociedade, já que evitam sua mudança possível. À ação da mudança, a capacidade moral e política de escolher caminhos alternativos pela vontade de intervir no mundo, pressupõe “conhecimento do mundo” para não ser “escolha cega”. É isso que faz com que todo conhecimento fragmentário e superficial seja necessariamente conservador. Ele ajuda a manter e justificar o que já existe. Mostraremos neste livro como essa justificação dos privilégios injustos se faz possível no Brasil pela continuação do culturalismo e do economicismo como leituras dominantes fragmentárias e superficiais de nossa realidade.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Esse novo consenso do que passa a valer como legal ou ilegal significa que o batedor de carteiras, o pequeno traficante e o assaltante de rua tornam-se foco da ação policial e legal. O assalto especulativo de fundos de investimento, ao contrário – que eventualmente empobrece países do tamanho da Argentina ou da Malásia e impede o pagamento de aposentadorias, tendo impacto negativo dramático na vida de milhões – não é visto como crime. Por outro lado, o investidor que liderou o ataque é festejado como “gênio financeiro”, e sua foto aparece nas capas festejantes de revistas como The Economist e Time.”
― A Radiografia do Golpe: Entenda Como e Por Que Você Foi Enganado
― A Radiografia do Golpe: Entenda Como e Por Que Você Foi Enganado
“Primeiro, como todo racismo, ele “explica”, de modo aparentemente evidente, um mundo complexo de difícil apreensão. Possibilita”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Essa tentativa de perceber São Paulo como uma espécie de “Massachusetts tropical”39 já é mencionada diretamente no Raízes do Brasil, mas será também o fio condutor de todo o trabalho mais historiográfico de Buarque depois dessa obra.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“verdadeira”
― O pobre de direita
― O pobre de direita
“A elite do dinheiro é a “verdadeira elite” por conta do simples fato de poder comprar todas as outras elites que exercem influência variada na sociedade. Como veremos, isso não é pouco. Compra-se primeiro a elite intelectual cuja opinião possui o prestígio e o condão de influenciar a opinião de muitos, depois se compra a elite política de modo direto financiando eleições e compra-se depois, direta ou indiretamente, a elite jurídica, jornalística, literária etc.”
― A Radiografia do Golpe: Entenda Como e Por Que Você Foi Enganado
― A Radiografia do Golpe: Entenda Como e Por Que Você Foi Enganado
“Qual é a ideia-força que domina a vida política brasileira contemporânea? Minha tese é a de que essa ideia-força é uma espécie muito peculiar de percepção da relação entre mercado, Estado e sociedade, onde o Estado é visto, a priori, como incompetente e inconfiável e o mercado como local da racionalidade e da virtude.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“É apenas porque nunca compreendemos verdadeiramente os golpes de Estado anteriores que este atual pôde acontecer exatamente do mesmo modo, defendendo os mesmos interesses mesquinhos de sempre.”
― A Radiografia do Golpe: Entenda Como e Por Que Você Foi Enganado
― A Radiografia do Golpe: Entenda Como e Por Que Você Foi Enganado
“A ênfase de Faoro em uma “dominação à distância” de Portugal no Brasil, que atravessava praias e sertões com olhos de “big brother”, que tudo viam e controlavam, equivale a uma quimera. Portugal era um país pequeno e pouco populoso, e sua estratégia de delegar a particulares a colonização das novas terras foi um imperativo de sobrevivência. Aqui, como em outros lugares, a “fantasia histórica” serve apenas para corroborar uma tese “política” sem qualquer fundamento na realidade.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Entre nós o uso dessa noção é sempre “político”, e não “científico”, ou seja, a noção de patrimonialismo “simplifica” e “distorce” a realidade social de diversas maneiras e sempre em um único sentido: aquele que simplifica e “idealiza” o mercado e subjetiviza e “demoniza” o Estado. Para”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“José Bonifácio já percebia a necessidade prática de se criar uma fonte de solidariedade social, além do poder local e pessoal dos donos de terra e gente, ou seja, a partir de um “mito nacional” para a jovem nação que se constituía – foi apenas quando Freyre inverteu a fórmula “racista científica”, que condenava a nação de mestiços a um futuro sombrio, que a “identidade nacional” passou a ser um elemento de extraordinário sucesso, tomando corações e mentes de brasileiros de norte a sul. Foi Freyre, afinal, o primeiro a articular a tese do “mestiço is beautiful”, permitindo interpretar a miscigenação visível e palpável da sociedade brasileira como uma “virtude cultural” – quando durante todo o século XIX e até os anos 1930 era considerado por todos como nosso principal defeito – e sinal, “empiricamente verificável nas ruas”, da suposta tolerância e abertura cultural brasileira. Foi”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Primeiro, como todo racismo, ele “explica”, de modo aparentemente evidente, um mundo complexo de difícil apreensão. Possibilita atender as exigentes demandas de entendimento e explicação do mundo sem grande esforço da inteligência. Depois, no caso brasileiro, ajudará a indicar o caminho político do liberalismo que é, na verdade, a real causa de seu sucesso. Afinal, as ideias só adquirem “força prática” na realidade se estiverem ligadas a certos “interesses” especialmente econômicos e políticos. E é isso que explica o caso de extraordinário sucesso do “racismo culturalista” como fundamento da ideologia liberal brasileira.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Afinal, a instituição mais importante do Brasil colonial desde seus inícios, a escravidão, não existia em Portugal, salvo em casos muito passageiros e tópicos. E faz toda a diferença a vida em uma sociedade escravocrata e em uma sociedade não escravocrata.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“papel central da religião de definir o que é verdadeiro ou falso e o que é certo ou errado é, hoje em dia, exercido crescentemente pela ciência, e não mais pela religião. Perceber isso é compreender que hoje cabe à ciência o papel mais importante na justificação do privilégio injusto.”
― A Radiografia do Golpe: Entenda Como e Por Que Você Foi Enganado
― A Radiografia do Golpe: Entenda Como e Por Que Você Foi Enganado
“Edward Bernays vai prefigurar, na sua pessoa individual, todo um ramo da indústria da propaganda e das relações públicas que iria lograr posicionar o capitalismo e sua produção de mercadorias na instância do desejo e das aspirações inconscientes da população, primeiro nos Estados Unidos,”
― O pobre de direita
― O pobre de direita
“É a partir desse raciocínio que o tema da corrupção política passa a ser um dos assuntos mais centrais e recorrentes do debate acadêmico e político brasileiro. O”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Na verdade, o mercado capitalista, aqui e em qualquer lugar, sempre foi uma forma de “corrupção organizada”, começando com o controle dos mais ricos acerca da própria definição de crime: criminoso passa a ser o funcionário do Estado ou o batedor de carteiras pobre enquanto o especulador de Wall Street – a matriz da avenida Paulista – que frauda balanços de empresas e países e arruína o acionista minoritário, embolsa, hoje mais que antes da crise, bônus milionários. Enquanto os primeiros vão para a cadeia, o segundo, que às vezes arrasa a economia de países inteiros, ganha foto na capa da revista The Economist como financista do ano. Quem é que ganha, na verdade, com a corrupção tornada legal do mercado e celebrada como mérito? É isso que o cidadão feito de tolo não vê. No Brasil, inclusive, a tolice é ainda muito pior do que em qualquer outro lugar. Nenhuma sociedade complexa é tão absurdamente desigual como a nossa. Essa deveria ser a real vergonha nacional. Mas tem muito mais. Essa transferência grotesca de riqueza entre nós é realizada por serviços e mercadorias superfaturados – cobrados pelo mercado e não pelo Estado – com as taxas de juros e de lucros mais altas do mundo, cobradas pelos bancos e pelas indústrias cujos lucros e juros vão para o 1% mais rico. E quem são as classes cujos indivíduos são feitos de tolos, senão as classes médias e trabalhadoras ascendentes que são quem, precisamente, consomem os carros com o triplo da taxa de lucro dos carros europeus; pagam taxas de juros estratosféricas para bancos em qualquer compra a prazo; e serviços de celular dos mais caros do mundo ainda que seja incomparavelmente pior?”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Assim, dizer que o Brasil é uma continuação de Portugal quando aqui, ao contrário de lá, a escravidão era a instituição total que comandava a vida de todos, inclusive dos homens livres, os quais não eram nem senhores nem escravos,33 é um absurdo científico. O”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“O candidato perfeito, para ocupar o lugar vazio deixado pelos militares, surge no aparato de órgãos de controle do governo e do judiciário criados pela constituição de 1988 que reúne ambiguamente não apenas a tentativa de universalizar direitos, mas, também, a desconfiança da política – criada por meios pseudocientíficos entre nós como vimos – e a necessidade de se instaurar um novo “poder tutelar” de modo a resguardar os interesses do 1% mais rico e poderoso. Esses órgãos não apenas recrutam seus quadros prioritariamente na classe média conservadora e moralista. Todos os interesses materiais e ideais dessas corporações – como alguns dos mais altos salários da república, além de benesses e privilégios de todos os tipos aliados ao prestígio social, especialmente na sua classe de origem, reservado aos que lutam contra a corrupção – ganham com o projeto de substituir as forças armadas como nova instância do poder moderador da pseudo-democracia brasileira. São os órgãos de controle como TCU, MP e Polícia Federal, aliados aos “Juízes justiceiros”, incensados pela mídia conservadora como os novos “heróis do povo” (leia-se classe média conservadora), como os novos representantes da “vontade geral” (ou seja, os interesses econômicos do 1% mais rico); supostamente “acima da política”, que são os novos candidatos a incorporar o “poder moderador” da pseudo-democracia tutelada brasileira.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“E também em um cenário em que as classes sociais que mais apoiam essa bandeira como se fosse sua – os extratos conservadores da classe média tradicional e setores ascendentes da nova classe trabalhadora – são precisamente as classes que mais sofrem com os bens e serviços superfaturados e de qualidade duvidosa que o 1% mais rico vende a elas.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Foi Freyre, portanto, quem construiu o “vínculo afetivo” do brasileiro com uma ideia de Brasil, em alguma medida, pelo menos, “positiva”, com a qual a nação e seus indivíduos podiam se identificar e se autolegitimar.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Ora, na história do Brasil, nos raros instantes em que se prestou atenção a demandas dos setores oprimidos, isso sempre aconteceu por meio do engajamento estatal, e nunca do mercado. Por que o reconhecimento racional e frio dos próprios interesses, quando se trata de setores populares, ganha o nome de burrice? Os autores chegam a dizer com todas as letras que atender aos anseios da maioria da população — no Brasil as classes populares perfazem mais de 2/3 da população total — é “populismo”. Certamente, por pura exclusão e necessidade lógica, atender o 1/3 de privilegiados seria, com certeza, a verdadeira “democracia”, o verdadeiro governo da maioria, pelo menos da maioria que se considera “gente”. Estamos, realmente, em um estranho mundo onde os ideólogos nem sequer precisam mais esconder seu “racismo de classe” mais óbvio e cruel.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“O aspecto decisivo – traço comum a toda a tradição liberal brasileira – é a relação com uma imagem “idealizada” dos Estados Unidos. E,”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“homem cordial” e “protestante ascético” são maneiras simplistas e superficiais de não fazer o trabalho do sociólogo, que é reconstruir as precondições militares, políticas, econômicas, tecnológicas e também culturais (sem idealizações que não se aplicam à realidade) das relações desiguais entre classes e entre sociedades. Em”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Mais do que isso, Weber é uma espécie de “chave mestra” que nos permite abrir o registro profundo desse “racismo científico” dominante, ainda que até hoje inarticulado, mas, por isso mesmo, “naturalizado” e aceito por todos no âmbito científico e na esfera prática e cotidiana de todas as sociedades modernas.8”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Buarque é o grande criador de uma tradição “colonizada até o osso” que,”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“Temos um capitalismo selvagem e concentrador, um debate público superficial e pobre como as histórias infantis, uma das sociedades mais desiguais e perversas do planeta, e a raiz dos problemas brasileiros é vista em um espantalho: o Estado, pois supostamente só ele é corrupto e ineficiente.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“A ausência crônica de debates no Brasil, seja na universidade (que repete ideias e autores de oitenta anos atrás como se fossem válidos hoje), seja no espaço público do debate político (sequestrado pelos interesses mais privados de uma ínfima elite que se expressa na mídia mais servil e controlada pelo dinheiro de que se tem notícia), torna um país de pessoas inteligentes em uma multidão de tolos manipulados e incapazes de perceber o próprio interesse real.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira
“É esse caldo autoritário que tem que ser mobilizado pela imprensa conservadora – como verdadeiro partido da ordem dominante e de seus privilégios – sempre que a política tenda a sair do acordo de gabinete dos poderosos e endinheirados para o interesse da maioria da população. Isso aconteceu sem nenhuma exceção até hoje na história brasileira sempre que o sufrágio universal conseguiu colocar no poder líderes identificados com as classes populares. Em literalmente TODOS OS CASOS a classe média conservadora foi usada como massa de manobra para derrubar os governos de Vargas, Jango e agora Lula-Dilma e conferir o “apoio popular” e a consequente legitimidade para esses golpes sempre no interesse de meia dúzia de poderosos. A corrupção e sua vagueza conceitual é sempre o mote que galvaniza a solidariedade “emocional” das classes médias, que se imaginam moralmente superiores às outras classes, e confere respeitabilidade moral e política a esses assaltos à soberania popular. Como já dissemos acima, a corrupção, definida seletiva e arbitrariamente, é única forma de transformar os interesses mais privados em supostos interesses universais.”
― A Tolice da Inteligência Brasileira
― A Tolice da Inteligência Brasileira




