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“Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "Vam por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí!”
― Não Vou Por Aí!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "Vam por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí!”
― Não Vou Por Aí!
“Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...”
― Cântico Negro - Antologia Poética
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...”
― Cântico Negro - Antologia Poética
“Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...”
―
Me levam meus próprios passos...”
―
“Se tudo no mundo é relativo, nada tão relativo como a felicidade humana. Eu abandonava-me enfim ao meu cansaço, ao meu desgosto, ao meu desânimo, - quer isto dizer que os gozava. Daí estes dias correrem-me quase felizes. Há uma "sagesse" para os infelizes que substitui a felicidade; e que provém de se fazer uma voluptuosidade da própria dor, de se utilizar a dor como conducente a uma felicidade supra-terrena, ou de se chegar a considerar a dor estado normal, tendo por inesperados favores dos deuses quaisquer pequeninos prazeres sobrevindos...”
― Jogo da Cabra Cega
― Jogo da Cabra Cega
“Quanto mais lê, ou escreve, menos capaz é de ver, de sentir, o que lhe passa ao lado. O seu ser reduz-se a egoísmo, vaidade, ressentimento. Vaidade agradecida ou ressentimento irritado, cá está o seu amor e o seu ódio! Que resta da sua curiosidade primitiva, da sua naturalidade juvenil, do seu dom de admirar sem despeito, de amar ou odiar naturalmente, de se interessar pela vida sem fazer dela um pretexto de literatura...?”
― Jogo da Cabra Cega
― Jogo da Cabra Cega
“- Para quê mais regras gerais, mais uniformizações universalistas? Talvez isso aproxime os homens... Talvez! Mas algemando-os; mas constrangendo-os a recalcar o excecional de cada um. Toda a regra geral é uma condenação das exceções. A aproximação dos homens será portanto fictícia... E já Você compreende aonde quero chegar, querido amigo: O que é preciso agora é aproximar os homens pelas suas diferenças. Mas os antagonismos confessados diretamente - irritam e repelem. Não acha que é melhor sugerir, penetrar, infiltrar...? Cada homem se enriquecerá dos individualismos alheios, e assim terá direito a afirmar o seu próprio. Bem sei, meu amigo: tudo isto parece utopia; e o caminho é sem dúvida longo, é delicado, é obscuro, tem de haver mortos pelo caminho... Mas só daqui pode nascer um novo universalismo! O resultado final será a ilimitação da personalidade, a dispersão do eu cerrado em si. O homem poderá então compreender e compreender-se. Cada um poderá então ser o que é, ser o que são os outros, ser em cada momento o que em cada momento é, e contradizer-se de palavra para palavra, de gesto para gesto, mantendo no entanto a sua admirável unidade! Ouça bem, querido amigo! A vida ainda está toda por explorar, não é verdade? O homem tem tirado sempre sobre si próprio, como um pião, dentro do mesmo círculo. Só os anormais...”
― Jogo da Cabra Cega
― Jogo da Cabra Cega




