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“... era dor na alma o que ela tinha, por isso não falava, as palavras estavam todas lá dentro e talvez um dia se soltassem, que importava isso?, o mundo já fazia demasiado barulho, toda a gente parecia ter muitas coisas a dizer, ...”
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“A Dália era de poucas palavras e não era por ser muda, pois já vira como sabia escrevê-las naquela sebenta que trazia sempre no bolso, se quisesse podia escrever um livro inteiro nela, mas escolhia não o fazer e o Victor preferia assim, enquanto ela não as escrevesse ele não precisava de confessar que não sabia ler, uma muda e um surdo de palavras escritas, seria tão mais fácil comunicarem por gestos se a língua gestual não tivesse sido proibida por poder ser utilizada para conspirar contra o regime.”
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“...tudo se arranja, costumava dizer ela, e agora seguia ali desarranjada e deitada em vida, esmagada por toneladas de betão e de pedra...”
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“Uma muda e um surdo de palavras escritas, lá se entenderam, ela sem falar, ele sem ler, não precisa de ficar dito em lado nenhum como se despe uma blusa, como se desaperta um par de calças, como se chega uma língua à outra, como se busca um sexo pronto com a mão e se faz com que ele entre num corpo também pronto, a linguagem do prazer é universal, hon, hon,...”
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