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“Neurotic people often feel as if they are fakes, playing the social game while inwardly despising it, and have a sense of illegitimacy as if they lacked a place in the world. This sense of having a double life creates conflict, yet in as-if cases, there is never a struggle between the "real me" and the social self, as one might expect. It is an identification without conflict. Sometimes, their stiffness and superficiality in social relations may be noticed by other people, and it can give the picture of the commitment-phobe. In fact, the person just knows at some level to stay away from situations that would involve an appeal to the symbolic, those, precisely, where a commitment is involved.”
Darian Leader, What Is Madness?
“Campaign to destigmatize so-called "mental illness" often take a wrong turning here. They try to demonstrate how suffers of some condition have made amazing contributions to the science or the arts. Trying to destigmatize the diagnosis of autism, for example, we read how Einstein and Newton would have received that diagnosis today, and yet made fabulous discoveries in the field of physics. Even if they are acknowledged to have been "different", their worth is still reckoned in terms of how their work has impacted on the world of others. However well-intentioned, such perspectives are hardly judicious, as they make an implicit equation between value and social utility. Taking this step is dangerous, as the moment that human life is defined in terms of utility, the door to stigmatization and segregation is opened. If someone was found to be not useful, what value, then, would their life have? This was in fact exactly the argument of the early-twentieth-century eugenicists who complained for the extermination of the mentally ill. Although no one would admit such aspirations today, we cannot ignore the resurfacing in recent years of a remarkably similar discourse, with its emphasis on social utility, hereditary and genetic vulnerability.”
Darian Leader, What Is Madness?
“Euripides is showing us how the place of The Woman is, ultimately, an empty one. Behind the ideal image of Helen there is, literally, nothing. Hence it is the endeavour of each woman to find a way of making sense of this void and of constructing something in its place. If you have a hundred Chanel dresses, you can still say 'I've got nothing to wear': the one dress you don't have is the uniform of what it is to be The Woman, the definitive answer to the question of femininity. And since the place of The Woman is ultimately an empty one, there will always be a dress missing.”
Darian Leader, Why Do Women Write More Letters Than They Post?
“Even in the supermarket, many products have a notice that instructs customers to return the product should they find that the seal is broken, surely a relic of the cult of hymenal intactness.”
Darian Leader, Is It Ever Just Sex?
“One might then assume that having a strong ego means having a strong identity, being really convinced about who one is. But once again, the phrase is deceptive. The ego is not a pole of fixed identity as such, but refers always to someone else, the borrowed image of another person or, in this case, a kind of annex to the desire of the mother in the way that a child will assume an image that it believes the mother is interested in. Having a strong ego thus means being suspended in a strong way on the desire of someone else.”
Darian Leader, Promises Lovers Make When It Gets Late
“Qualquer situação que envolva violência e ódio pode acionar esse tema da responsabilidade e, com ele, a importância de proteger o Outro de danos. Como disse um paciente: “Não é tanto a agressão, mas o fato de que as pessoas vão pensar que a agressão foi minha.” Existe um horror de ser visto como violento, como se fosse preciso manter a qualquer preço um ideal de pacifismo. Os atos altruístas visam garantir esse ideal, donde qualquer sugestão de hostilidade ou falha pode ser devastadora: confrontaria a pessoa com uma responsabilidade que nunca pode ser inteiramente assumida.
Uma das maneiras mais frequentes de salvaguardar os outros é idealizá-los, e é impressionante ver como isso ecoa nos livros de memórias de sujeitos maníaco-depressivos. Ao lermos escritos dos que foram rotulados de “esquizofrênicos”, é comum vermos uma crítica aos sistemas dominantes de valores, ao passo que, nos textos dos maníaco-depressivos, encontramos menos crítica do que endosso.”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“É por isso que, se você observar a plateia do cinema durante a projeção de uma comédia, verá que as pessoas olham não só para a tela, porém umas para as outras, ao passo que, quando é um drama, o olhar permanece fixo na tela. Os chistes sempre envolvem um terceiro, como se o nosso afeto do riso dependesse de mais alguém rir e sancioná-lo. Ao descrever seu primeiro episódio maníaco, um executivo de empresa explicou: “Eu achava extasiante poder fazer as pessoas rirem no escritório. Era capaz de fazer até as pessoas do metrô darem risada. As piadas e suas tiradas finais simplesmente continuavam a surgir, de forma natural, sem parar.”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“O brilho da vida esmaece de repente, quando o espectro da mortalidade invade os pensamentos do maníaco-depressivo. Isso é bem diferente da depressão do melancólico, que gira em torno de ideias de ruína moral, espiritual ou corporal. Na melancolia, a pessoa se enfurece consigo mesma, irradiando uma ladainha de autorrecriminações e se queixando sem parar de algum pecado ou erro cuja culpa é sua.
É óbvio que o sentimento de culpa está presente na depressão maníaca, mas há também algo diferente. Embora o melancólico possa se queixar de estar arruinado ou destruído, ele atribui o processo destrutivo a si mesmo, ao passo que o maníaco-depressivo coloca esse processo fora de si. É a diferença entre “eu destruí o Outro” e “o Outro me destruiu”. Ainda que as ideias de desvalia e decadência possam estar presentes em ambos, a ênfase é diferente. Do mesmo modo, enquanto o melancólico com frequência sente culpa por algum ato ocorrido no passado, é interessante notar que o sujeito maníaco-depressivo não raro situa a catástrofe no futuro. Algo terrível vai acontecer.
E, embora o maníaco-depressivo possa se sentir sem valor e desprezível, há menos fixação na autocensura e uma insistência menor em contar isso ao mundo. Essas características são cruciais para permitir o diagnóstico correto da depressão maníaca e para distingui-la da melancolia. Enquanto na melancolia a pessoa carrega a falha em seus próprios ombros, decidida em sua autodegradação e autopunição, na depressão maníaca a falha oscila. Nas fases depressivas, a pessoa percorre não apenas seus próprios erros e maus desempenhos, mas também os dos outros e as muitas maneiras pelas quais os outros a prejudicaram. Daí as fantasias comuns de vingança do maníaco-depressivo, ausentes na melancolia.”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“Será que isso também não lança luz sobre a curiosa promiscuidade de muitos sujeitos maníacos? Como assinalou Terri Cheney, “o sexo maníaco não é realmente uma relação sexual. É discurso, é apenas outra maneira de desafogar a necessidade insaciável de contato e comunicação. Em lugar de palavras, eu falava com a pele”. O sexo mantém o receptor ali, bem perto: o maníaco passa de um parceiro para outro como passaria de um interlocutor para outro. Cheney observou de maneira brilhante que a famosa hiperatividade da mania – o sacudir-se, o tamborilar ou bater os pés, o remexer-se – é, simplesmente, um conjunto de formas da pressão para falar, para continuar falando.”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“A LIGAÇÃO ENTRE gastar e roubar também pode ser examinada por outro ângulo. As duas coisas visam as posses, e a psiquiatria antiga assinalou com frequência o interesse dos sujeitos maníaco-depressivos pela aquisição de coisas, quer na forma de objetos adquiridos em compras desenfreadas, quer na de objetos acumulados durante a internação hospitalar. Como observou Griesinger, seus pacientes colecionavam, acumulavam e furtavam. Seria para negar ou compensar alguma perda que houvessem vivenciado em épocas passadas?
Certamente existem muitos casos em que a mania é desencadeada depois de uma perda, e a negação tem sido vista, com frequência, como o mecanismo principal. Ao mesmo tempo, entretanto, perder alguém que amamos faz-nos confrontar o que ele era para nós e o que éramos para ele. Além do tema óbvio da negação, talvez haja a preocupação mais profunda com a proteção da pessoa amada, mesmo depois de ela nos deixar ou morrer. Afinal, ela existe psiquicamente para nós, mesmo quando já não está presente, e impedir que sofra algum dano pode explicar parte do altruísmo da mania.”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“If the word offers insecurity and lack of certainty, each one of us has a special kind of unconscious anchor centering less on language than on a bit of the body, be it a voice, a glance or something else. A particular element will be privileged and will form a part of the framework which makes us interested in some things and not in others. It is this relation to an object which is so particular; even if the object itself might seem to be the same. When we ask ‘How many hippies, Sloane rangers, psychoanalysts . . .does it take to change a lightbulb?’, it is exactly this dimension that is made clear: a lightbulb might forever be a light-bulb, but our relations to it are profoundly different, and indeed, our individuality is defined, in a sense, by how were late to it.”
Darian Leader, Promises Lovers Make When It Gets Late
“But what Kris’ material shows is something more precise, how giving a value to whatever belongs to someone else does not make one’s own position any easier: what the man cannot do, in this case, is to have something. And, as the material shows,this is where he has lodged his unconscious enjoyment: he is desperate not to have something that belongs to himself. The problem, of course, is that maintaining this position indeed gives him the idea that he does: the satisfaction is in the subjectivity, which is embodied in the refusal. Instead of aiming to have ideas, he enjoys by being someone without them.”
Darian Leader, Promises Lovers Make When It Gets Late
“Nas situações sociais, a maioria das pessoas acha que não diz a coisa certa; que, por alguma razão, as palavras lhe escapam. Só mais tarde consegue imaginar o que poderia ou deveria ter dito, no famoso “esprit d’escalier” – só depois de terminar de descer a escada é que ela se dá conta. Mas o sujeito maníaco tem uma experiência diferente. Possui as palavras com que falar. A atriz Patty Duke referiu-se a seu “incrível domínio da linguagem” quando se encontra na fase maníaca. Como disse a acadêmica Lisa Hermsen sobre sua experiência pessoal com a mania, “eu encontrava as palavras e digitava as letras” – um sentimento repetidas vezes ecoado por sujeitos maníacos. No dizer de um de meus pacientes: “As palavras certas estavam bem ali, eu não precisava mais pensar.” E Cheney: “As palavras certas simplesmente dançavam no ar, acima da minha cabeça, e eu só tinha que puxá-las para baixo e deixar que fluíssem pela minha caneta.”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“So what do they do with their hands? Curiously, the most popular image of the listening psychoanalyst ascribes a notepad to them. When the New York department store Macy’s staged a window display of a psychoanalyst’s office in the 1950s, complete with patient on the couch, the analyst was depicted taking notes. Yet at that time this was by no means a habitual practice, and Edmund Bergler would swiftly publish an article about the myth of the note-taking analyst. Freud had advised against it, and in fact, a survey of analytic literature up to the present day shows that the single most common recorded practice for the listening psychoanalyst is not note-taking but knitting.”
Darian Leader, Hands
“The claim that hysteria ceased to exist can hardly be taken seriously for a simple reason. For both Charcot and Freud, the symptoms of hysteria were fabulously changeable. An anaesthesia could transform into a contracture, a paralysis into a neuralgia. What mattered was less the content of the symptom than what place it occupied for the sufferer and what it gave voice to. As anthropologists would soon demonstrate, culture contained ’symptom pools’ which could be borrowed from in order to articulate a discontent. Deprived of any other means to communicate their malaise or their pain, the subject would use the symptoms available in a culture as ’idioms of distress’.”
Darian Leader
“A concentração exclusiva nos vínculos entre as palavras do maníaco significa negligenciar essa dimensão crucial do efeito que elas têm no receptor. Os saltos envolvem uma excisão dos pontos de suspensão da fala, que são exatamente os momentos que dão à outra pessoa o espaço para responder. Mas o discurso maníaco paralisa o ouvinte, e o momento de responder ou o silêncio que precederia uma resposta não acontecem. Falar mantém a outra pessoa presente, mas dessa maneira muito específica, que tem o efeito de desarmá-la. As palavras exercem sua magia – por um tempo –, imobilizando o receptor e impedindo-o de qualquer resposta real, do tipo que possa trazer o risco de ele largar ou censurar o sujeito maníaco. Não admira que o ouvinte, além de ficar exausto, sinta-se frequentemente manipulado ou controlado.
É exatamente isso que distingue a depressão maníaca de outras formas de psicose em que a pessoa pode construir um receptor virtual, distante ou interno. Tem que haver um ouvinte real bem ali, diante dela. No entanto, há algo de tênue, até desesperado, na maneira de o maníaco reter seu interlocutor, como se tivesse de conservá-lo ali a qualquer preço, como um humorista de boate que tem de manter a plateia permanentemente concentrada nele. Será por acaso que a doença maníaco-depressiva é tão comum no mundo dos comediantes?”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“Como se poderia explicar o poderoso sentimento de interligação das coisas que é descrito com tanta precisão e coerência pelos sujeitos maníacos? Qual é, afinal, o meio de vinculação no nosso mundo? A resposta a essa pergunta talvez seja decepcionante em sua simplicidade: é a linguagem. São as palavras, as ideias e as associações entre elas que criam e moldam nossas realidades, e dependemos tanto das ligações quanto da inibição das ligações entre elas para conseguir pensar. Isso adquire o máximo de clareza quando as ligações entre as ideias surgem numa velocidade tal que o sujeito nem sequer pode reduzir seu ritmo ou detê-las. No que a psiquiatria chamava de “fuga de ideias”, um pensamento leva a outro, com persistência brutal e irreprimível.”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“The guarantee, in our psychic life, is not with speech but with this phantasy object, which means that in the field of love, although we have to speak, the certainty is not there but somewhere else. Kierkegaard once w rote, ‘To be resolved means to be silent,’ and although being silent is the last thing a speaking being can do, it suggests nonetheless a new definition of love. Without wishing to suggest that the vows of silence replace the efforts of speech, it shows how love does not consist in making a promise, but in keeping the promises one never made.”
Darian Leader, Promises Lovers Make When It Gets Late
“RETER UMA PLATEIA evoca um aspecto muito específico da infância, descrito por muitos sujeitos maníaco-depressivos. A mãe, o pai ou outro cuidador primário é alguém que apresenta oscilações de humor, em geral não anunciadas e assustadoras para a criança, que se sente alternadamente largada e adorada, com uma incoerência feroz. Essa gangorra dramática pode ser uma experiência cotidiana ou ocorrer na época do nascimento de um irmão, por exemplo. Em alguns casos, a mãe só consegue continuar próxima do filho quando se mantém uma situação de dependência completa. No momento em que a criança começa a afirmar sua independência, o amor materno desmorona. A estrutura pendular de algumas formas de psicose maníaco-depressiva, portanto, fica literalmente inscrita na criança.
Tais rupturas significam que a experiência mais básica dessa criança é a de ser alvo de um grande investimento e, em seguida, alijada dele, num padrão que, mais tarde, ela pode repetir em suas próprias alternâncias de humor, nas quais ora se sente no centro do mundo, ora insuportavelmente abandonada e solitária. Da mesma forma, numa época posterior da vida, o sujeito pode buscar relações de dependência absoluta, como um modo de garantir o amor. Outra pessoa torna-se onipotente para ele, fonte de tudo o que é fornecido, e o mais ínfimo descaso ou frustração agiganta-se num sentimento de rejeição absoluta.”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“The paradox here is less this manifest contrast between the Don Juan and the man who can never do anything than the fact that the men who are so careful not to act, so patient that they can spend their whole lives waiting, are the same men who cannot tolerate the petty delays that make up so much of their existence. The same man who spends his days dreaming about the moment when he will actually do something may explode if he cannot get his coffee moment the wants it or if the number he is dialling is
engaged.”
Darian Leader, Promises Lovers Make When It Gets Late
“No entanto, na mania real é comum o impulso de estabelecer ligações ir muito além das convenções da comunicação. Nos livros de memórias de sujeitos maníaco-depressivos, é notável a frequência com que há uma fala súbita e sugestiva que se dirige ao leitor, como se a narrativa pudesse e devesse ser interrompida por um apelo direto ao destinatário. É como aquele momento do filme Violência gratuita, de Michael Haneke, em que um dos homens que aterrorizaram uma família inocente vira-se de repente e se dirige diretamente à câmera. Tais recursos podem ser entendidos como um desdém pós-moderno pelas convenções narrativas, mas será que também não podemos ver neles um eco da necessidade que têm alguns sujeitos têm de apelar para seu público, de confirmar uma cumplicidade ou uma ligação? Quando a atriz Vivien Leigh, presa num agudo episódio maníaco, virou-se para falar diretamente com a plateia do teatro no meio da peça Tovarich, vemos a mesma necessidade de um receptor, a necessidade de criar e afirmar uma ligação com ele.”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“O coelho tirado da cartola foi o anticonvulsivante valproato de sódio (Depakote), que recebeu uma patente para uso no tratamento da mania exatamente na época em que as patentes anteriores dos antidepressivos estavam expirando. Assim como a depressão tinha sido ativamente promovida no mercado como um transtorno por parte daqueles que ofereciam uma cura química para ela, agora o transtorno bipolar foi embrulhado e vendido junto com seu remédio. O lítio havia funcionado para alguns indivíduos, e não para outros, mas, sendo um elemento que ocorre na natureza, não podia ser patenteado. O valproato foi inicialmente proclamado como o medicamento mais inteligente e confiável, aquele que finalmente estabilizaria os altos e baixos do sujeito bipolar.”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“O que haveria em comum entre gastar e roubar? Num nível imediato, quando o gasto ocorre sem que haja fundos para bancá-lo, pode-se interpretá-lo como uma forma de roubo, aliás incentivada pelos mercados contemporâneos, que dependem de que as pessoas gastem um dinheiro que não têm. Em outro nível, as duas atividades envolvem tirar algo de um lugar significativo, de uma determinada loja de departamentos ou butique. É como se a pessoa comprasse sem pagar, e é comum os sujeitos maníacos descreverem sua sensação de um mundo de fartura, de suprimentos, um mundo em que as coisas não acabam. Jamison escreveu que, em suas orgias maníacas de compras, “eu não conseguia me preocupar com o dinheiro nem se quisesse. E, assim, não me preocupava. O dinheiro viria de algum lugar; eu tinha aquele direito; Deus proverá.” A paciente de Jacobson dizia que “o mundo é tão rico que não tem fim”. Para Duke, na mania, “vamos ser milionários, e acreditamos nisso”. Nas palavras de um de meus pacientes, ao falar de cigarros, um dia: “O problema do cigarro é que a gente sempre tem mais.”
No estado maníaco, o mundo parece generoso e clemente. Está tudo ali para ser tomado e desfrutado. Na verdade, é como se a pessoa fosse despojada de sua própria estrutura sociossimbólica, tanto religiosa quanto econômica. Desaparecem a ética de trabalho que é peculiar ao meio de origem daquela pessoa, o pudor ou a inibição compatíveis com sua cultura, e até, vez por outra, as proibições dietéticas de sua religião. Seu senso de vitalidade e energia parece proporcional a essa perda: à medida que se desfaz das limitações das forças que a moldaram, ela “renasce”, e o mundo parece radicalmente novo e promissor.
Mas, assim como a dívida para com a própria origem e história pode se suavizar subitamente no episódio maníaco, ela retorna com força na fase depressiva. Nessa hora, a pessoa fica tão aprisionada que, às vezes, literalmente não consegue se mexer. Quando os amigos bem-intencionados de Adams lhe diziam para sair mais, para procurar fazer umas caminhadas, o que não percebiam era que ele não conseguia nem sequer passar do portão da frente, a tal ponto estava paralisado. Se na euforia maníaca a pessoa pega alguma coisa sem pagar, agora ela paga, sem a menor dúvida. Não há como anular a dívida sem que ela retorne em suas formas letais, incapacitantes.”
Darian Leader, Strictly Bipolar
“Certa vez, contemplando um córrego nos jardins da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, a pesquisadora em psiquiatria e escritora Kay Redfield Jamison lembrou-se de uma cena da poesia de Tennyson. Dominada por “um senso imediato e inflamado de urgência”, correu a uma livraria à procura de um exemplar e, em pouco tempo, viu-se com mais de vinte livros nos braços. A imagem inicial da Dama do Lago abriu-se numa espiral, ligando-se a outros temas e títulos, desde A morte de Arthur, de Malory, até O ramo dourado, de Frazer, e a livros de Jung e Robert Graves. Tudo parecia relacionado e, reunido, conteria “uma chave essencial” do universo, enquanto ela “ia tecendo sem parar” a sua rede maníaca de associações.”
Darian Leader, Strictly Bipolar

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