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“Não posso ser julgado responsável pelas crises de ciúme que, periodicamente, acometem os homens calvos. São criaturas incontroláveis, talvez devido à violência e a verticalidade dos raios solares. O sol é o grande desconhecido, cura uns, mata outros e não raro enlouquece pobres mortais. Os calvos não deviam frequentar as praias, a não ser protegidos por casquetes e sombreros. Vi trêfegos carecas darem vexame no Gonzaga e no Guarujá, investindo contra as mais puras donzelas em autênticas agressões sexuais. Afastem suas filhas desses tipos. O Gallup já fez importantes e instrutivas pesquisas sobre o comportamento sexual, político e social dos calvos. Sabe-se, por exemplo, que evitam usar chapéu por puro masoquismo. São megalomaníacos, mórbidos românticos e tristemente impetuosos sob o bombardeio do infravermelho. Podem estar calmos agora, sugando refrescos de tamarindo por canudinho, mas já no momento seguinte perdem o controle e as mulheres que se acautelem. Aparentemente ajustados, sonham com um mundo ditatorial e nirvânico, povoado de odaliscas, eunucos e servis mercadores.”
― Memórias de um gigolô
― Memórias de um gigolô
“Primeiramente, senti o contato do meu corpo nas asas de um anjo, depois veio a sensação do voo-teste de um paraquedista em domingo no clube, seguida do velejar britânico no litoral do Taiti, acompanhado da delícia de uma orquestra caprichando a mais bela melodia, que se transformou numa suave intoxicação por champanhe francês e por fim algo que se abria, com toda a certeza as montanhas de Ali Babá, oferecendo um banquete de diamantes em seu interior exclusivo, úmido e misterioso.”
― Memórias de um gigolô
― Memórias de um gigolô
“Com a ausência da minha senhora, ele tornou-se o maior casmurro a bordo. E também o maior engolidor de whiskey sour. A tal ponto que resolvi apelidá-lo de Dom Casmurro, em homenagem ao meu colega de letras Machado de Assis, escritor carioca, autor de vários e excelentes livros sobre a arte e prática da masturbação. Abrindo aqui um parêntese, digo que foi esse escritor, um falso vesgo, o pai espiritual de Nabokov, tão pecaminosos eram seus desejos em relação às petizes de Mata-Cavalos. Parece que é esse mesmo o mais evidente traço de união entre todos os homens de bom gosto.”
― Memórias de um gigolô
― Memórias de um gigolô




