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Jorge de Sena

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Jorge de Sena


Born
in Lisboa, Portugal
November 02, 1919

Died
June 04, 1978

Genre


Jorge de Sena is one of the most important Portuguese poets of the second half of the 20th century, but he was also an outstanding essayist, a fiction writer of indubitable talent, a significant playwright and a tireless translator of the poetry and prose of writers from a variety of languages and periods. His published works extend to more than a hundred titles. It is difficult to understand how a single person could accomplish so much in one lifetime, and not a long one at that, especially if we consider that he worked under the demands of a professional life and raised nine children.
In 1959, fearing that he would be persecuted for his involvement in a failed coup attempt against the dictatorship of Salazar, Sena went into exile in Brazil
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“Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.”
Jorge de Sena

“Nós éramos um acaso, os nossos encontros seriam de acaso, o nosso conhecimento e a nossa experiência um do outro seriam sempre de acaso, sempre um somatório desconexo e contraditório de fragmentos sem continuidade. Um somatório que não daria nunca uma qualquer soma, qualquer resultado final, mas muito apenas uma existência como em sonhos, de que acordaríamos, às vezes, nos braços um do outro (e, quem sabe, também noutros braços de outrem). Não seria a nossa vida – e eu nem podia dizer «nossa vida», porque esta não era una, mas as duas vidas que tínhamos, cada um por conta própria – uma serena realidade, com abertas de alegre sonho, em que, abraçados e penetrados, conquistássemos um para o outro o que cada um de per si não teria. Seria exatamente o contrário. Tudo o que tivéssemos dissipá-lo-íamos, periodicamente e ocasionalmente, nos braços um do outro. Não serviríamos um ao outro de nada. Poderíamos até, e seria o mais certo, sermo-nos prejudiciais: ver-nos-íamos um no outro, como em espelhos. E de cada vez que nos assim víssemos, nas intermitências dos encontros, nos só veríamos piores. Mas não teríamos, de verdade, outros rostos, que não aqueles em que mutuamente nos espelhássemos, para vermos que estávamos cada vez mais longe do que poderíamos ter sido, e cada vez mais perto do que, na intermitência, éramos. Seria isto o amor, podia eu chamar-lhe amor? Amor, esta destruição, de vez em quando, do pouco com que nos havíamos defendido um do outro? Amor, essa desgraça de vivermos como que acorrentados a um feitiço ignóbil, sem pureza nem dignidade?”
Jorge de Sena, Sinais de Fogo
tags: amor

“Sem dinheiro, não se fazia nada. Ou nós, viciados nele, não sabíamos fazer nada sem ele.”
Jorge de Sena, Sinais de Fogo

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